muita treta pra Vinícius de Moraes.

Poeta, toma teu copo americano de cerveja, escarra sobre amor, forma caráter de pequenos, canta, quebra garrafas, bebe mais cerveja, sentado no Leblon, arrasta a língua, canta a moça de Ipanema, faz poesia.
É muita coisa,
mas, infelizmente,
sou mais.
Areia que pisaste,
me arrastaram.
Era meu eu antigo mais contemporâneo.
Eram elas e eles
ou
a tentativa de ser no mundo.
Ouço a corrente arrastando na pele preta.
Formaram-nos e tornaram-me
vítima, carrasco, desejado, mercantilizado, endemoniado, caçado,
vazio.
Tu sabes de muito, Vinícius,
mas sabe pouco demais.
Do amor que canta vi daninhas
mas nunca ligou pra minha floresta.
Da boemia que ensinou-me,
nunca deu a mínima sobre os grossos lábios que também
tocam o copo
americano.
Sou mais Brasil que tu
porquê também sou o escorrido da África.
Vejo-me rio,
não escorro,
só corro.
Tu não entende tanto, na verdade,
talvez sinta muito,
tem de sentir mesmo.
Minha pele cantava muito antes,
sua voz e letra vem arcaica
apesar da leveza.
És canção e harmonia.
Eu sou mais.
Sou canção, harmonia mito, dança e a junção das cores.
A garoa no teu rio de janeiro é banhada por areias brancas.
Tempesta em cada poro que dá gênese aos pelos que empretecem ainda mais o céu.
A tempestade somos nós.
O arco da minha íris se mostra
e faz escândalo.
Na real,
eu quero até sua alma.
Apesar de tudo,
bom poeta.
