Seja uma esponja!

Sugue e absorva tudo com vontade! Sua carreira e seu trabalho agradecem.

A formação de um designer leva tempo. Muito tempo. Não estou falando daqueles quatro anos de faculdade ou daquela pós super descolada, mas sim da vida. Da sua vida!

Todo projeto, seja qual for seu porte, tem início muito antes do cliente nos contratar. Ele começa bem antes do briefing ou dos primeiros esboços. É fruto íntimo e legítimo das nossas vivências, experiências e sensações. Do quanto somos capazes de absorver e processar as coisas.

Da nossa habilidade de transformar tudo aquilo que sugamos em resultados inéditos.

Essa qualidade de sermos ‘esponjas de conteúdo’ não se limita aos livros e ao Google. Ela deve ser exercitada em todos os momentos das nossas vidas e em todos os ambientes pelos quais passamos.

O design é um trabalho holístico e complexo, que envolve sempre muito mais do que imaginamos naquele primeiro momento. Vai muito além do mero conhecimento técnico ou teórico.

Antes das empresas que nos contratam ou dos produtos para os quais trabalhamos, nosso foco deve estar nas pessoas, e pessoas são muito diversas, exigindo respostas que contemplem seus anseios e suas necessidades de maneira quase individual. Assim, é preciso conhecer gente! Gente de todas as classes sociais, de todos os credos (e dos não-credos), de todos os gêneros, culturas, fazeres e sofreres.

Nosso universo de trabalho é algo complexo. Envolve cheiros, medos, sensações, curiosidade, texturas, sons, sedução, olhares e outras tantas percepções que não cabem numa vida.

Cada vez mais estamos com os olhos voltados apenas para a melhor ferramenta e para o produto final. Lógico que isso é importantíssimo, mas não é o essencial. A verdadeira revolução passa longe da tecnologia, que tem o poder de nivelar as pessoas. Ela está naquela manifestação cultural que pouca gente vê, naquela música diferente, naquela exposição de arte medieval, naquela referência desconhecida que quase passou despercebida, naquele olhar crítico que você lançou ao não se contentar com a explicação que te deram!

É dos sentidos aguçados que nascem os bons designers. Deixe-se seduzir por tudo aquilo que é oferecido. Levante as antenas, abra bem os olhos, os ouvidos, a cabeça e o coração. Elimine todo e qualquer traço de preconceito e deixe o mundo entrar pela janela da sua alma. Depois filtre tudo com carinho e atenção.

Em resposta, devolva produtos frescos e verdadeiros, produzidos com base num alicerce cada vez maior, mais sólido e infinito que mora dentro de você.

(C) Morandini — www.morandini.com.br