bomba relógio

alguns dias parecem estupidamente desproporcionais, simplesmente não se encaixam nas semanas padronizadas com 168 horas, contrariamente, parecem sugar essa quantidade de números pra si; francamente, números não são importantes. o que se passa no meio tempo que realmente importa. o tempo é relativo, afinal. como um quote — pesadíssimo, vale salientar, de uma das minhas séries favoritas, diz: “sometimes hours can feel like minutes, and sometimes a single second can last a lifetime. for barney, the second that would never end was this one.”

alguns dias amanheço com algum tipo de contagem regressiva e internamente me preparo pro que pode vir a dar errado, me assemelho a uma bomba relógio, estou prestes a explodir. em contraponto, explodo da forma mais silenciosa que posso. e, de verdade, eu não sei se não me permito explodir ensurdecedoramente por orgulho, amor próprio. ou se qualquer ênfase, pergunta, sobre o(s) problema(s) — esse que nem sempre precisa existir para que torne tudo mais intenso ou que talvez exista em formato de bola de neve que nunca desmancha–, seria mais um motivo para desejar que o processo autodestrutivo acelerasse, digo, novamente; ninguém quer se afundar ainda mais num poço que já parece fundo o suficiente. ou talvez sim.

desarmar a bomba não é o ponto. cortar o fio “certo”, impedir que o tempo zere, às vezes é mais violento que assistir os pedaços ensanguentados espalhados por todo o lugar. (sinceramente, certo pra quem?)

o ponto é que todo mundo tem o direito de se esgoelar, vociferar, esbravejar sentimentos que estavam tanto tempo guardados, bater a porta, quebrar um vaso, ensopar o travesseiro, chorar copiosamente, se isolar. ser exageradamente dramático quando for o caso – ou mesmo que não seja, é necessário. quem vive de quietude, integralmente, ininterruptamente, talvez não alcance o nirvana que tanto almeja. o ser humano é equilíbrio e não existe a calmaria sem o vendaval.

não se sufoque, grite! lembrando que pedir socorro não é sinal de fraqueza. e sim de coragem. http://cvv.org.br/index.php. 141.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.