a relatividade do para sempre

Nos entristecemos com frequência quando as condições não continuam habituais, como de costume. É um fato. Somos os seres mutáveis mais resistentes às mudanças.

Quando a circunstância parece alterar de posição, desencaixar, sempre achamos que não vai encaixar novamente, que a nova combinação não vai fazer sentido. Nosso medo de que as coisas mudem é tão grandioso que é preferível sentar e esperar o tempo passar sem nunca reposicionar as formas ou misturar cores para formar novas do que levantar e pensar que tudo pode ser diferente, e ainda assim, ser bom, positivo; procuramos justificar as mudanças por eventos fatídicos, quando na verdade essas são inevitáveis; não é opcional, não se decide simplesmente continuar do mesmo jeito, é humanamente impossível, e, felizmente, ainda bem que é, faz parte da evolução. Estar finalizado antes mesmo da “chegada” seria definitivo e se tem algo que não somos, como indivíduos biopsicossociais (autoexplicativo, certo?), é a pura biologia: processo de funcionamento (quase) robótico equivalente à qualquer outro animal que nasce, cresce, reproduz e morre. Entre o nascer e o morrer não temos limites. As nossas regras são transmutáveis. Estamos em constante processo de atualização, somos seres inacabáveis, fadados ao fim antes mesmo da nossa própria conclusão.

O existir é momentâneo. A durabilidade do para sempre é relativa, o “que seja eterno enquanto dure” dita exatamente isso: a dimensão do sentimento, do conhecimento, do pensamento, do “quem se é”, a qualidade. E não o tempo que perdurou. O que realmente conta, no final das contas, não é quantificar o abstrato, o que importa é se foi intensamente sincero, verdadeiro, se foi infinito enquanto fez parte, e se, momentaneamente, existiu.

(não precisa ser para sempre, precisa ser verdade™)
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