As meio-verdades

Não sei se por medo da verdade verdadeira ou por conveniência, está se tornando vulgar o uso das meio verdades. E a maioria dos ouvintes escutam passivamente, não dando conta da trama da qual estão sendo vítimas. Enfeitiçadas pelas imagens produzidas, nem tomam conhecimento da verdade verdadeira. Admiram, acreditam nas sombras vistas e não se dão conta de que a realidade é outra. E aos que se libertam desta letargia e tomam contato com a luz, com o sol brilhante e energizante e tentam alertar os demais, esclarecendo que existe um plano maior sobre tudo e sobre todos, são tidos como loucos. E tal insanidade é castigada com a morte. Assim tudo continua como dantes no reino de Abrantes.

É preciso que os destemidos continuem usando os meios disponíveis para alertar e despertar cada vez mais pessoas para perceberem que, além dessa verdade maquiada, desses esparsos focos de luz opaca, existe outra realidade. Para deixarem esse mundo de sombras onde estão projetando sua própria imagem na telinha. É preciso ver a obra toda, no seu conjunto. Mas será necessária muita paciência, pois segundo o autor da alegoria da caverna, Platão, para sair das sombras e se deparar com a luz, existe um rito, deve-se obedecer um processo lento e gradual. É questão de meses, de anos ou séculos, para o amadurecimento de um povo. A ninguém é possível fazer essa transposição, instantaneamente. Mas o que é realmente importante é o nosso querer. É preciso que queiramos sair do nosso conformismo patético para conhecermos de fato a realidade. Chega de nos satisfazermos com as sombras da vida. De aceitarmos como algo verdadeiro, as fraudes que se nos apresentam diariamente.

Por outro lado, quando, esperançosos, acreditando na correta cor da verdade, na condução absolutamente constitucional de tal processo, somos surpreendidos pelo dourar da pílula. Portanto, faz-se necessário que estejamos munidos de consciência crítica, para conseguirmos filtrar as mentiras, dissecar os processos de convencimentos espúrios para nos depararmos com a luz. Inclusive chega-se o momento para testarmos nossa consciência. Começam-se as maquinações para os novos mandatários políticos. E nesse terreno, para justificar ações, vale tudo. Inclusive e principalmente maquiar a verdade. Fazer sombras tão perfeitas que aos incautos pareçam a mais pura e cristalina realidade, tudo em nome do poder. E é em nome, ou por causa do poder, que se mata tanto, que se rouba, que se avilta a pessoa humana em todos os sentidos e que se fere e deforma o Plano da Criação.

Assim, cabe a cada um saber a diferença entre crer na verdade e conhecê-la. Cuidado com o que lhe fazem crer, pode ser apenas a sombra da verdade. Porém, se buscar o conhecimento, esse sim, o levará à realidade.

Afinal, já nos foi ensinado isso há mais de dois mil anos: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João, 8–32)

José Moreira Filho

moreira@baciotti.com