crítica porca sobre eu mesma enquanto como waffle com leite condensado
Performo uma criatura aparentemente forte, desorientada e cheia de si, caminha na calçada sem medo, atravessa a rua correndo querendo em segundos alcançar o paralelipípedo paralelo quebrado.
Comecei o ano postando uma foto com peruca laranja, body prateado de um dia de karaokê, adorava aquele poledance e os encontros com as espécies similares. No post falo do meu desejo de arrumar um emprego, gravar mais videos e ler mais sobre feminismo.
Eu não sei o que li sobre feminismo nesse ano de 2017, até ando brigando ao defender coisas que para alheios…é machista. E é machista sim, mas para sustentar meu feminismo falho, agora defendo meus gostos e atitudes, são pequenas ações que me sustentam.
Eu no supermercado procurando um yogurt, com amido de milho, açúcar, corante carmim, extraída da cochonilha-do-carmim (Dactylopius coccus, parente do pulgão)* (fonte wikipédia), pensei que eu sempre vou ser triste, que nunca vou me amar completamente, porque mesmo aprendendo a me aceitar jamais vou ser quem eu quero, porque meu ideal de pessoa não é o que me dá tesão e desejo de ser, é apenas uma imagem maravilhosa, mas seria mais dissimulada e postiça nesse corpo aqui, que meu deus está pesando 64Kg.
Se eu fosse ser quem eu em pensamento idealizo,não escreveria desse jeito, não faria meus vídeos, não falaria como eu falo. Estaria morando em outro lugar, comeria outras coisas e não compraria esse yogurt. Mas eu não me sustento assim, eu cairia em pedaços mais do que caio.
Eu tenho uma ambição de conseguir um dia fazer um filme sobre minha família e os espaços em que fui criada, certamente chegaria mais próximo de um amor a mim mesma e a eles.
Por hora gasto meu tempo fútil, não sendo nada além do que a maioria dos jovens que desde décadas sofrem por rebeldias sem causa, por amores escritos, por desejos capitalisticos.
Meu desejo agora é me defender sendo quem eu não quero ser, fazendo o que eu acho que não deveria fazer. Como escrever esse texto.
Desde pequena escrevo coisas para me salvar, e como me salvaram!, diários falando sobre fulanos que invadiram minha cabeça por anos, de machucados que saro pensando em outras coisas, de abusos, impulsos, de desorientação.
Ontem gravei videos do domingo e foi o que me deu vontade de sair da cama, senão eu ficaria me remoendo por não estar estudando egito antigo, até mesmo porque eu fico me perguntando o que o egito antigo mudaria no meu domingo, e mudaria, assim como as rochas, a decantação, a idade média, a clarice lispector, o rubem fonseca, o Debret e o último post do instagram mudaram.
Esse waffle que foi motivado a ser comprado por uma foto enviada pela Ana Luiza falando pra eu fazer uma refeição.
Mas comecei o texto tentando falar sobre meu vídeo para o Julio, o video Voyage Voyage, o Noah, o Julio, minha mãe, meu pai, e eu nem tinha pensando no Buck e agora penso nele e na minha vó, na minha tia Marize, no bandeijão da usp com o Victor Rzepian, no Dario, na sujeira do meu quarto, na cinza do cigarro que queimou minha coberta, em Osasco e no pós-modernismo.
Deveria ter começado falando que hoje é Segunda dia 21 de Agosto de 2017 e que achei que esse ano iria ser diferente, e foi diferente porque comecei a fazer academia, e ai depois de 6 meses larguei a academia porque gastei dinheiro indo pro Rio, mas eu nunca vou me esquecer desses dias no Rio e eu fico feliz de ter ido, de ter ficado na casa do Julio de ter ido de novo agora e ter conhecido Thaysa e de ter bebido cachaça e nadado na banheira e ter visto o mar num dia nublado, dois dias nublados, show no no porn, Juiz de Fora com Jaloo e eu me sentindo no show da xuxa, e ouvindo ilariilariê, ô ô ô, ainda bem que não sou a única criança, e você se sente uma criança sempre e não sabe mais distinguir quando realmente tá sendo criança.
E me vêem com olhos simulados, de uma simulação de orientação, de aah, eu sei o que estou fazendo, e por vezes sei, mas tenho vícios de pensamentos e ai fico chorando me perguntando o que estou fazendo meu deus, e ai procuro vocês e que vocês me aprovem, pra eu sentir que alguma coisa está indo pra alguma coisa que é certa e que um dia iremos nos sustentar, monetáriamente também.
Queria ser militante, talvez. E ai eu lembro que sou tão Fun que eu não aguentaria um peso sério, eu queria tanto ser séria. E ai converso com Noah e ai vejo que parece que a gente tem que carregar esse peso porque o mundo precisa da gente, precisa da nossa dança, do nosso grito, mesmo que por tantas vezes sejamos ridículos, vocês não sabem o quanto eu sou séria, sou séríssima, tanto que minha mãe ficava me dando lição dizendo que eu deveria levar as coisas menos a sério, e eu levo a sério e por vezes não ligo para as simbologias dos atos, dos fatos, e ai depois elas doem.
Ah! como eu me doo, e me doei tantas vezes para homens que performam magnificamente o que é ser homem. E ai eu acho que às vezes sou homem, quando me recuso, me aceito, quando sou idiota e ai depois me desligo…aaah, quantas criações seres humanos. Me pergunto por que é mais fácil se aproximar de homens…ainda não sei a resposta…logo faço um texto pra mim pra tentar explicar a calamidade infeliz.
O vídeo do Julio como o de Domingo é colorido, porque quando eu comprei a câmera achei engraçado deixar tudo colorido pela temperatura no balanço de branco, e me lembra o quanto eu sou péssima em estudos das cores e o quanto eu faço as coisas sem pensar muito nas coisas enquanto elas acontecem e ai depois eu repenso e tento não ligar.
Corta a cenoura, corta o falo, sexualidade, pai. Brincadeira, performatividade, festas, descobertas, brancos, classe média, esquecer, rememorar, imagens cruas, porquice, coisas rápidas, amores rápidos, memórias minhas, corpo, corpos. textos.
