Passei o resto daquele perfume que eu costumava usar quando sabia que te encontraria. Caro; economizei-o por anos. Hoje ele acabou.

Acordei assustada após outro sonho com você. Não o lembro e não faço esforço. Acordei estranha e com a sensação de que não te veria.

Me estressei mais uma vez com seu descaso; Quis me conter e seguir uma razão. Mas os sentimentos antigos são choros e novamente chorei.

Olhei no retrovisor minha cara, os olhos vermelhos e o calor dilatava meus poros.

um piercing na sobrancelha, 3 brincos em uma orelha. Passei e tirei o batom.

Não me senti ansiosa, mas sim novamente trouxa.

Como quem busca tirar uma parte de si, voltei a um passado que queria deixar.

Fiquei com medo das sensações. Do frio na barriga que eu sentia em tempos atrás. Do meu coração amolecendo, como se por mágica doesse; pelo que eu chamava de “amor”. Amor que era uma delicia. Um tesão em vários pontos do corpo.

Derreter; melhor verbo. me derretia como se fosse gelo ao encontrar calor. água, fumaça, nada. líquida, fugaz.

Claro que tinha medo. Era como um labirinto onde eu me perdia de mim.

Te vi. As batidas não mudaram, não doeu, não tremi, não nada. Ando amando pelo olhar. E já não quero te amar.

Não tinha ódio, não tinha paixão; Tinha uma parte de mim querendo voltar pra dizer:

-Você é idiota demais!

Você me espremeu; apertou; como quem tenta sufocar qualquer coisa viva.

Por pouco mais de uma hora falei coisas e chorei, rasguei plantinhas e olhei pras árvores que fingiam compor a cidade.

Se chorar fosse uma escolha, eu não choraria. Mas molhei meu rosto, senti o nariz escorrer e quase te perguntei se ele tava sujo.

Não fui agressiva e não quis tua morte, embora eu creia que qualquer violência que eu pudesse ter contra você não te arranharia como você me arranhou.

Nessas semanas que passaram pensei em escrever, de alguma forma tentar não esquecer tudo o que eu queria dizer. Não precisei.

Várias vezes que fui a teu encontro e saí fragilizada, não esqueço;

Eu Te Amei, muito! Como quem abraça com a alma.

Dormi noites e noites com você. Escrevi cartas e cartas que jamais vou mandar. Diários que releio e acho absurdo. Usei e Abusei da tua imagem aqui, dentro de mim.

Hoje você não me afetou. Não como das outras vezes. Ouvi da tua boca que meus olhos vidrados como se estivesse longe, te davam medo e que você não se sentiu seguro pra deixar seu sentimento crescer por mim.

Eu; por tempos não contive nada do que vinha de você! Mesmo que o tempo fosse sempre o seu; mesmo com sua imposição de razão; De me chamar de louca; de não me ouvir; de me fazer de trouxa;

sem segurança; meu amor existiu.

Não sei como o amor dá tchau. Como vai embora assim;

Talvez ele corra e seja absorvido pelas árvores. Sim! Aquelas árvores ali que eu olhava.

Não precisei tacar café quente na sua cara; apenas me retirei daquele lugar. o lugar que me ligava a você. A imagem que eu tinha de você!

Mastiguei-a; como uma porca faminta. E deixei de adubo para que outras coisas pudessem se alimentar disso.

Como esse texto. Mais um e tão diferente dos outros. Acordei achando que não iria te ver e realmente não te vi!

Você existiu?

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