Quase Diário.

Lembrei-me agora das Cidades Imaginárias, 
Jufas é quase uma nuvem no meu mapa, uma fumaça irreal num caminho que tive que parar para um pequeno descanso, descanso mentiroso, claro.
Vivem aqui algumas almas metamorfoseadas, do que nunca foram, mas projetam ser.
Fico imaginando a vida fora daqui. A sexualidade, o corpo, a liberdade que encontramos em alguns cômodos ou céu aberto, ressalto que algumas facetas são privilégios de alguns,
a cidade, também lúgubre, leva para longe alguns corpos.
Mas falarei de uma pequena parte ilusória dela.
Esse espaço no mapa é de muitos, lugar de passagem. Assim não se necessita o peso. 
Descaro-me a perceber que cheguei ao espaço desconhecido, o cheiro, as árvores (longe), o céu com alguns pássaros atordoados, prédios buscando ressaltar a chegada de um futuro, os corpos esquecidos na calçada, aqui perto, em frente a caixa econômica, sentindo as várias variações climáticas e nosso descaso ou inutilidade de seres sóciais.
Alguns amigos almejam estar aqui, morar aqui. (por que?), que escolha falcatrua, não?
São Paulo, Rio de Janeiro…qualquer outro espaço grande, cheio de vazio.
O vazio aqui é mais cheio. 
O ônibus também é cheio, como o ru é cheio, as salas são cheias, e nossos bolsos vazios; estancados na alienação de (ser), estamos.
A cidade não faz mais por nós não! E nem nós por ela.
O que nos permite gritar algum ruído de contentamento é saber…não perecei nesse lugar, e talvez essa vontade contagie quem nunca saiu daqui.
Juiz de Fora é tão parada e em grande parte existe pelo movimento. Ela é transitória, renovada constantemente e aparentemente a mesma desde que cheguei.
O espaço parecendo menor, faz com que os corpos se esbarrem mais, e os esbarros são por muitas vezes bons;
Centenas de pessoas que saem de outros espaços para chegar a ela e se despedir.
Eu queria reunir alguma vez todos esses trânsitos num cubo onde a gente faça o que mais gostamos de fazer…dançar.
às vezes vamos ao karaokê, na casa de alguém beber, ou nas poucas festas que a universidade já há tempos nos tenta tirar.
Se você quer vir pra cá, saiba que o que mais acalenta é ter no dia o entendimento que irei embora.

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