Sensibilidade, abertura, exposição.

Moreno Moreno
Aug 8, 2017 · 2 min read

..quase uma câmera… é a imagem. a própria imagem, a luz que bate na cara, estar viva. Com o tempo você vira tipo um carro blindado, a proteção falsa da real vida…Mas blindado. Ela está meio blindada, meio torta, meio tonta, meio cheia, meio esfomeada,
Contorcendo-se de ternura e medo, o que quase ninguém vê. Contorcendo-se de ansiedade e fúria, muitos vêem. Cagando uma energia que a faz viva e são de poucos e poucas a compreensão.
Manchar o que não existe em solidez.
Ó pós-tudo, me destrói, a cada dia. e tenho que me reconstruir a cada bufada, esperando,esperando… e cansei de esperar. por isso,
me levanto, nem sei se lentamente, rapido, violento, almejando, ou nada aguardando para o dia. Mas levanto e vou, nem sei para onde nem para quê. Hoje fiquei triste, fui para o ponto de ônibus esperar um ônibus imaginário. Porque o estou esperando,
Estou guardando tantas coisas para mais tarde…quando o tempo, a pessoa, a vida chegar…
E ai fui para a casa, aguardando chegar pessoas. E fiquei triste com pessoas.
Fiquei triste comigo, com o ponto de ônibus, a tela de anúncios na esquina.
Eu fui pensando no Fun, na pipoca, na política, na merda toda.
O fun me salva todos os dias em que sento naquela privada e pego o papel higiênico em cima da capa da Lady Gaga.
O fun me salva, porque eu nunca sou o bastante para nos aguentar.
As pessoas me salvam, porque eu não sei nunca para onde correr, e corro atrás delas, de mim, de um beijo, de um abraço, de uma cara cheia de glitter, de um choro com um vídeo, com uma música, um poema, uma praça, uma pipoca.
Um choro vendo a tv, na sorveteria,
A insensibilidade vem. Procuro coisas de outras e a euforia me acalma, porque sei que há a pequena criação de sentido.
Eu odeio tantas e tantas…
E ignoro tantas… que estou viva, deboxada, borrada, elegante, com essa pose alienada, que me salva.

    Moreno Moreno

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    ai que preguiça