O valor da informação

por Oliver Reichenstein

Quando confrontados com a necessidade de oferecer notícias de graça, os editores são rápidos em apontar o custo envolvido na produção de notícias. Que, naturalmente, não vem ao caso. Informação na Internet é tão comum como a neve no Ártico. Você não pode esperar que esquimós comprem um boneco de neve. Mas ei, espere, isso aqui não é apenas um outro discurso habitual. Depois de produzir site de notícias após site de notícias para uma ampla gama de clientes, nós realmente temos algo a contribuir:

Embora produzir informações custe dinheiro, a informação como tal não necessariamente carrega valor monetário; na maioria das vezes carrega valor intelectual, social, artístico e prático. E é por isso que, historicamente, as notícias tem sido subsidiadas comercialmente, publicamente, politicamente e em caráter privado.

Esta informação não está mais necessariamente ligada a um bem físico (papel) ou um serviço concreto (a entrega), ou a uma quantidade limitada, o que torna difícil medir o seu preço. Temos dificuldades de gastar dinheiro em informação digital porque no final da transação não poupamos tempo nem temos nada de concreto ou limitado em nossas mãos. Parece o mesmo que comprar ar.

Ainda que a informação prática e financeira tenha valor monetário direto ou indireto (por exemplo, economia de tempo), muitas vezes o valor da informação consiste de qualidades que são difíceis, impossíveis ou até mesmo anti-éticas de se vender. Desmembrar informações de seu pesado corpo físico, evitando o desperdício de distribuição física e tornando o seu acesso ilimitado revela o essencial, que é: o valor intelectual da informação. E qual capitalista verdadeiro pagaria por tais bobagens inúteis, tais como sofisticação? OK, não tão rápido … Vamos primeiro olhar para as categorias diferentes de informações e o que elas valem:

Informação econômica

Informação econômica consiste de dados que ajudam a entender a produção, intercâmbio, distribuição e consumo de bens e serviços. Exemplos: artigos de economia, guias de viagens, guias de compras, dados de bolsas de valores, patentes, design, propaganda, listas de tarefas e classificados.

Se você jogar de acordo com as regras básicas da auto-promoção online, dados econômicos se tornam uma venda fácil, uma vez que seus clientes podem ver um lucro monetário direto adquirindo os seus dados. Veja o Wall Street Journal.

Arte

A arte é informação composta de dados como um meio e fim em si mesma e para si. Exemplos: Poesia, Ficção, Música, Pintura, Fotografia,. A arte não é feita para ser rentável, mas como um meio por si só e em si mesmo.

Ela não tem que ser agradável, não necessita ser interessante, não tem de ser compreensível ou entreter, e em primeiro lugar, a arte não tem que fazer dinheiro.

A arte pode ser ou fazer qualquer coisa, a arte não tem que ser ou fazer qualquer coisa. Informação artística é livre por sua própria definição. É por isso que a arte precisa ser tutelada, patrocinada, sustentada pelo Estado, pelas corporações e pelo indivíduo.

Informação científica

Informação científica consiste em dados sistemáticos, verificáveis​​, que fornecem a base do nosso conhecimento objetivo. Exemplos: artigos científicos, enciclopédias, relatórios, dados médicos.

Os dados científicos tem valor educativo e social. Eles não devem ser vendidos; devem ser compartilhados tanto quanto possível. O compartilhamento de informação científica é o caminho para aumentar o conhecimento científico. Não é um acidente que a Wikipedia é muitas vezes imprecisa sobre dados culturais, enquanto bate a Enciclopédia Britannica no conhecimento científico específico.

A ciência precisa ser financiada pela sociedade; uma sociedade racional é construída sobre o conhecimento dos seus cidadãos. Me chame de idealista, me chame de Europeia, me chame de ingênua, mas se você condena uma criança se ele te pergunta por que os australianos não caem do planeta, há algo errado com você.

Informação prática

Informações práticas transportam dados que suportam o processo pelo qual tomamos decisões. Exemplos: notícias de política, guias parentais, mapas, manuais de instrução, manifestos. Dados práticos são comparáveis a dados econômicos: economizam seu tempo e seus nervos e, portanto, permitem que você seja mais produtivo.

Informação política é um caso especial, pois não se traduz em um pessoal, mas um benefício social, ou, como no caso de notícias comerciais, para um grupo social particular. Se você paga por informação política criada comercialmente, você ajuda a influenciar decisões de outras pessoas em seu grupo político. Pense na Fox News. Pago por pessoas ricas para recrutar pessoas pobres, como Joe o encanador, a falar e votar em favor de pessoas ricas.

Embora seja verdade que a notícia comercial necessita produzir opinião, já que opinião é a única maneira de atrair a atenção em um mundo onde os fatos políticos são livres, a opinião baseada em apreço é um terreno escorregadio (novamente, ver Fox news). Felizmente, as marcas comerciais com uma ampla gama de clientes não querem ser associadas com posições políticas extremas.

A fim de garantir uma discussão equilibrada e evitar o dinheiro para seqüestrar debates políticos, notícias comerciais precisam de um contra-equilíbrio democrático. A BBC ou o modelo de notícias da Swiss National são excelentes exemplos de que a notícia não pode ser apenas muito próxima da neutralidade politicamente, mas também, que as notícias independentes podem relatar sobre assuntos onde a notícia comercial entra em apuros. É por isso que a maioria dos países livres têm um canal de notícias comercialmente independente. Isso não é socialismo. É chamado de democracia.

Entretenimento ou: O fator de atenção

Se você quiser vender informação além de dados financeiros, você tem que entreter. Aqui, em troca, os europeus podem aprender muito com a alta cultura dos americanos. Entretenimento torna seus dados comercialmente atraentes. Isso não significa automaticamente que se torna trivial (ver HBO).

Se você produz informação que é inteligente e divertida ela tem um grande valor de atenção. A atenção que você recebe pode ser rentabilizada através de publicidade, patrocínio, venda de bens físicos. Se é de alta qualidade (e pela alta qualidade quero dizer padrão HBO de qualidade) você pode ser capaz de vender o acesso facilitado e direto a ele. Venda de entretenimento só funciona para os dados que você pode acessar de forma passiva (filmes, música).

Infelizmente entretenimento tem uma vida útil muito curta. O controle sobre os dados de entretenimente é assim: o valor da informação de entretenimento literalmente corre como areia por entre suas mãos. Você precisa rentabilizar rapidamente. Quanto maior o potencial de entretenimento de sua informação, o mais rápido você precisará rentabilizar, porque ela vai facilmente encontrar seu caminho para o público e ser distribuída livremente.

Então, como as notícias podem ser monetizadas?

Informações valiosas sempre encontram seu caminho para o destinatário. É melhor você mesmo distribuí-la, antes que alguém receba a atenção em seu lugar. Se é justo para o comediante que trabalha duro, músico ou diretor de cinema de Hollywood que um monte de trabalho é “dado de graça” não é a pergunta a fazer. A questão é: o que você faz com a atenção que recebe por sua informação? Em outras palavras: como você anuncia?

Apesar da leitura de notícias analógicas estar derretendo enquanto disparam os leitores digitais, a edição em papel ainda faz uma média de 10 vezes mais receita de anúncios por usuário do que serviços online. A monetização por usuário é 100 vezes maior em papel do que online.

É fundamental compreender que neste momento, a maior parte do que um site de notícias está fazendo é propaganda para a edição em papel. Um jornal com um site inacessível está jogando fora o mais barato e mais eficiente espaço de auto-propaganda.

Até certo ponto, o inverso é verdadeiro: um jornal tradicional que se livra de sua parte física enfrentará um tempo difícil para manter sua audiência online.

O truque é ligar as duas edições e tentar superar a fase transicional de sobrevivência em que as notícias atualmente se encontram. Para as marcas de notícias diárias esta é a hora de comer ou ser comida. Não vamos nos enganar aqui: em 10 anos ainda haverá algumas publicações semanais de alto valor comissariado, mas não mais o jornal diário. Simplesmente não faz sentido tentar competir com a oferta online muito mais rápida e muito mais conveniente em uma base diária.

A boa notícia é que quanto menos os jornais são lidos e quanto mais atenção online eles recebem, maior a chance de vender anúncio online a um preço decente. O real problema face aos jornais é que as corporações ainda estão dispostas a pagar preços fantásticos para impressão e TV, produção de anúncios offline, bem como para a distribuição offline. Enquanto o formato oficial para publicidade online for o Google AdWords, não há esperança para a notícia comercial sobreviver à mudança das novas mídias.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated M O R E N O V S K I’s story.