A Copa de 58 nunca aconteceu na Suécia — tudo foi uma armação dos EUA e da Fifa

Os 13 gols de Just Fontaine em somente seis jogos. Kurt Hamrin driblando três alemães e marcando um dos tentos mais bonitos da história da Copa do Mundo para sacramentar a ida da Suécia à decisão do Mundial. O primeiro título do Brasil para dar fama mundial a Garrincha e Pelé. Pena que foi uma armação, pois o campeonato jamais fora disputado na Escandinávia.

Os documentos, fotos e artigos em posse do historiador Bror Jacques de Wærn provam que a competição foi encenada muito longe da Suécia. Uma imagem, aliás, foi o ponto inicial do livro “The Football Conspiracy”, publicado por ele.

Imagem da TV do estádio Nya Ullevi, em Gotemburgo (1), mostra prédios semelhantes aos construídos em Los Angeles (2). Pesquisador também fez cálculos sobre a sombra dos jogadores (3) (Fotos: Reprodução)

Os prédios ao fundo, diz de Wærn, não existiam na década de 1950. A cidade de Gotemburgo não tinha edifícios. Outro motivo que chamou a atenção do historiador foi a ausência de imagens da cerimônia de abertura no Raasunda, em Estocolmo. Apenas uma gravação de som foi ouvida — “e áudio pode ser gravado em qualquer lugar”. O pesquisador ainda estudou e fez cálculos acerca da sombra dos jogadores — “no trópico, as sombras tinham de ser menores que as apresentadas nas centenas de fotos” — para chegar a conclusão que o Mundial foi jogado no oeste dos Estados Unidos; precisamente em Los Angeles, onde foram construídos os prédios da imagem acima.

A publicação literária conta que a Copa do Mundo foi uma farsa encenada pela inteligência estadunidense, Fifa e a indústria televisiva. Era uma forma do país testar a capacidade da mídia para influenciar pessoas no início da Guerra Fria. De acordo com de Wærn, o mundo precisava saber da verdade.

Antes do lançamento do livro, o professor havia fundado a KSP58. O movimento lutava para que o povo sueco soubesse o que realmente havia acontecido no verão daquele ano.

Nos primeiros anos, a militância do grupo era ferrenha: de intimar jogadores através de cartas ou atirando bombas em estádios, como numa partida entre AIK e Norrköping, na década de 70. O ex-presidente da Uefa Lennart Johansson recebeu ligações dizendo que ele não teria muito tempo de vida.

Um documentarista sueco entrevistou o diretor da KSP58, Olof Arnell, em 2002, que negou qualquer violência por parte do grupo. A tesoureira Ingrid Lorentzen, por sua vez, contou que os métodos eram mais persuasivos durante os anos 70.

O Brasil ainda foi campeão mundial naquele ano, OK? (Foto: Fifa)

Esse cineasta é Johan Löfstedt, que teve a brilhante ideia de inventar uma teoria conspiratória, colocá-la no ar nacionalmente em 2002 sem aviso prévio de ficção e fidelizar a ideia com a ajuda de jornalistas e ex-jogadores da Suécia naquele Mundial. Há apenas uma nota que o documentário é ficcional — na última linha dos créditos.

Hamrin, Sigvard Parlin e Agne Simonsson demoraram a aceitar o convite e entrar no mocumentário de Löfstedt. As conversas entre o diretor e Johansson, por exemplo, duraram meses até ele finalmente entender a proposta e embarcar no conceito de uma organização que nunca existiu e teorias fantasiosas.

Quando transmitido, ele foi apontado como afronta à memória do país. O diretor declarou que as gerações mais velhas, que viveram a Copa do Mundo, ficaram chateadas e ofendidas, mas atingiu o objetivo: enganar a maior quantidade possível de pessoas. A produção até lançou um site da KSP58, à época, numa promoção parecida com a de “A Bruxa de Blair” (1999).

Os 28 minutos do filme são bem arquitetados em bobagens. As teorias vão do impensável (luz solar? Sombras? Guerra Fria?) ao factível (“esse é o problema de todos os eventos: quando todas as testemunhas morrem, eles existem somente como eventos históricos”, diz o psicólogo Thomas Böhm, em certo ponto da narrativa). A história ainda é discutida em fóruns da internet da mesma forma que a mentirosa venda do Mundial de 1998 segue no imaginário real de poucas pessoas.

O mais surpreendente é que a Copa do Mundo foi somente a última opção do diretor que queria produzir uma peça provocante e inteligente em resposta a um programa de TV que ele e alguns amigos assistiram sobre negadores do Holocausto.

Filme com legendas em inglês

Se ainda acredita que o Mundial de 58 foi um sonho, leia a entrevista do vice-campeão Parling “O Brasil nunca teve seleção como aquela”, publicada na Trivela.