Moça da Cafeteria
Alguma coisa me acordou. Não vi o que foi, mas vi o despertador e vi também que eu acordei 27 minutos antes do que poderia. Já que não iria pegar no sono de novo, sentei na cama. Com o pé empurrei a cortina e a escuridão que tomava o quarto diminuiu e uma pouca claridade entrou. Estava chovendo e eu não gosto de chuva. Ótimo jeito de começar uma quinta-feira. Tomei um banho escaldante e senti minha carne relaxando sob a água, me deu tesão. Bati uma. Gozei. Acabei o banho e me sequei. Escolhi um jeans, uma camisa preta e um casaco. Bota no pé e pé na chuva. Por sorte, posso ir ao trabalho a pé e pra isso ando apenas uns 5 quarteirões. Agradeço por isso, e acho que essa proximidade de casa é um dos pontos fundamentais que me faz ficar nesse trabalho, onde sinto que sou subaproveitado. Mas hoje não quero me esquentar com isso. Cafeteria. Expresso. Pão de queijo na mão. Diariamente eu ando mais dois quarteirões tomando meu café da manhã, mas hoje eu tava com um tempinho de sobra e resolvi me sentar. Adoro essa cafeteria, e apesar de pagar mais caro por um café da manhã, é um dos prazeres cotidianos que me permito. Fiquei mastigando e olhando pros quadros na parede, pra bicicleta pendurada, para os vinis, e sentindo o jazz tocando. A porta abriu e me virei. Ela entrou. Veio o perfume. Não sei explicar do que era, mas tinha um cheiro doce, um cheiro manso, que colou na minha mente. Parecia afoita, com pressa. Pediu um expresso e um pão de queijo e um sorriso involuntário se esgueirou pela minha boca. Acho que fiquei por uns dois minutos hipnotizado, não sei bem se foi no cabelo preto como o asfalto molhado ou se foi naquela boca falante marcada pelo batom vermelho. Da mesma forma que ela entrou, saiu, sem me notar naquele lugar impregnado pelo cheiro de café.
Me levantei e paguei a conta. Dei tchau pro atendente camarada que já havia decorado minha cara e ele me disse “Vc viu?”, “É, eu vi”. Dois quarteirões e tô preparado espiritualmente para mais um dia de papeis e computador. Obviamente que um dia que começa com uma chuva torrencial não poderia caminhar muito bem. Merda atrás de merda, que me fez engolir uma coxinha com coca como almoço e me enfiar novamente no trabalho. Lá pelas 17:30 um dos meus brother me chama no whatsapp me intimando a ir com ele numa despedida de uma amiga que iria pra Irlanda. “Na boa? Vou não, quero mais é ir pra casa…”. Ele insiste e diz que me espera no tal lugar. Como ele é chato e não iria me deixar em paz, fui. Talvez seria melhor que ficar em casa comendo lasanha de microondas e bebendo mais coca. Cheguei no bar que era lá do outro lado da cidade. Bacaninha. Estiloso e escuro. Já fui logo pegando uma cerveja e ele me apresentou ao pessoal. A moça viajante era legal e mais uns caras também. Acho que eu tava cansado e meu humor não tava lá dos melhores, e o papo não me interessava. Resolvi ir lá fora e fumar um paiol. Na metade dele, viro pro lado pra ver de onde veio uma gargalhada e soltei um puta que o pariu, que nem foi tão baixo assim. Ela viu. Ela, do café da manhã. Entrou no bar com mais dois amigos e duas amigas e eu fiquei parado do jeito que estava, encostado na parede. Não era possível. Fiquei pensando naquelas bobeiras de filmes românticos e qual era a probabilidade daquilo estar acontecendo… “Putz, eu encontrei ela do outro lado da cidade e de repente ela tá aqui, no mesmo bar que eu!!!” Falei sozinho e me senti meio besta, meio cagão e fiquei enrolando pra entrar no bar. Mas a chuva voltou e eu não tive outra alternativa. Ela tava lá, toda falante com o povo dela. E parecia entreter a conversa como quem respira, como se aquela arte fosse parte dela. Mais três cervejas depois minha coragem foi aumentando e quando ela foi pro banheiro, fui também. Esperei e quando saiu já fui logo dizendo:
- Moça, eu te vi hoje.
-Ah é? Onde?
- Na cafeteria e você estava com uma blusa verde.
-Ah, tava mesmo! Passei de manhã lá porque tinha que resolver umas coisas e nem tomei café em casa.
- Eu tomo café ali todo dia.
- Todo dia mesmo? Mas porque não toma em casa?
- Prefiro dormir mais do que passar o tempo preparando o café.
- Hummmm. Mas você trabalha lá por perto?
- Sim. Sou designer em uma agência que fica poucos quarteirões dali.
- Que bacana! Também sou designer!
- Né possível!
- Sério mesmo! Trabalho em agência.
A partir daí o papo desembolou, ali mesmo na porta do banheiro. Falamos sobre trabalho, ideias, coisas que admirávamos. E ela encantada com as tattoos que viu no meu braço, acabou mostrando as que tinha pela costela e pela perna. Ela tinha o que eu chamava de papo-chiclete. Sei lá quanto tempo se passou, mas sei que mal falamos com as nossas respectivas turmas e quando fomos fumar lá fora, eu não aguentei e beijei aquela boca. A língua dela era ágil e macia ao mesmo tempo, e suas mãos seguravam meu cabelo me trazendo cada vez mais próximo do corpo dela. Achei que em algum momento a gente iria entrar um no outro. Engraçado que paramos de falar… sei lá, acho que as palavras perderam o sentido e quando ela me disse um “vamos sair daqui”, eu simplesmente fui. Se você me perguntasse o meu sobrenome naquela hora eu não saberia te dizer. O sangue fugiu do meu cérebro. Começamos a andar pela rua e ela pegou a minha mão. Calados. Não aguentei. Parei e encostei ela no muro daquela rua escura e fui sentindo sua pele, seu corpo quente e seu hálito. Ela parecia sentir urgência e passava a língua pelo meu pescoço enquanto suas mãos passeavam pela minha barriga. Cara, eu estava doendo, latejando. Minha língua sentiu seu mamilo macio e aquele mesmo cheiro doce que entrou na cafeteria, invadiu minhas narinas. Enfiei a mão pelo seu vestido e senti ela melada, toda. Dois dedos e ela geme. Geme e me puxa pelos cabelos que a dor só me latejou ainda mais. Me empurrou a cabeça pra baixo e subi sua saia. Ela era gostosa. Seu gosto era quente. Fiquei ali e fui sentindo sua barriga pulsando, sua pele esquentando e estremecendo em minha boca. Dá mesma forma mandona de antes, ela me puxa pra cima, e desce. De repente eu estava ali na rua com o pau pra fora. E se sua boca que era hábil na minha boca, no meu pau, baixou a velocidade. Parecia se deliciar com o que fazia. Não parecia fazer pró-forma, ela queria estar ali. Eu tive que me segurar e quando quase não dava mais puxei ela pelo cabelo. Virei ela de frente pra parede e graças ao bom jesus eu lembrei que tinha uma camisinha na carteira. Entrei nela, e senti uma quentura, uma maciez, meu pau deslizou e foi comprimido pelo tesão dela, que a fez soltar um gemido alto. Tampei a boca dela. Por uns momentos me desconectei da realidade. Só sabia sentir meu pau naquela boceta quente e minha mão no seu peito enquanto ela tremia. Gozei. O ar me fugiu por uns milissegundos e parei. Ela deu uma risada. A mesma risada gostosa que ouvi quando ela entrou no bar. E nessa hora percebi o dom que ela teria de me fazer rir.
Agora deitado em minha cama não consigo dormir. Por que meu cérebro gira e só consigo lembrar daquele cheiro, daqueles gostos. E de um nome que martela em minha mente… Ana.