
C A T A R I N A
Faço exatamente o contrário
Procuro evidências dos teus desamores
Que, em meu imaginário,
Ainda são amores
E bem vivos
Tenho em mim feridas expostas
Desenhadas com tesoura
Carregadas pelos braços
Pesados, exaustos
Telas em carne e sangue
Sangram minhas angústias
Artísticos apelos
Dores líricas
Lágrimas e cabelos
E, na delirância dos meus sonhos
(infâmia) minha ira assassina
Assassina meus medos
Perde-se no lascívio desejo
De possuir as entranhas daquela
Que atormenta minhas certezas
E surrupia minha razão (rasa)
De viver
Teu amor, teu desejo
Tua carne, teu ser
Entranhado no meu
E nas minhas profundezas
Aceitar que só tua presença
Está presente
Pois tua alma
Tua aura
Não me pertence
Já foi dela
E sempre será.