Silas

O encontrei pela primeira vez em meio à festa, era carnaval e lá estava ele balançando sua saia longa pulando ao som de Caetano, essa imagem guardada comigo é reflexo de tudo o que ele representa.

Nos meses que se passaram nos vimos mais algumas vezes, ele estava sempre com sorriso no rosto e eu cada vez mais apaixonado pela ideia de conhece-lo e deixar que ele e todo seu carisma me invadissem, eu não me engano quando digo que via nele toda a liberdade que eu aspirava ter, mas me obrigava a conter. Então todo meu olhar para ele saia em forma de admiração, por mais que eu não demonstrasse isso talvez por um medo bobo de ser mal interpretado.

E então em algum momento da vida, após milhões de festas, bares, praças e rodas de conversa descobrimos que ali tinha algo especial que havia sido estabelecido naturalmente, por mais que eu aspirasse que essa amizade crescesse, eu jamais precisei me esforçar para isso acontecer. Sabemos falar sobre tudo, dividimos gostos e opiniões extremamente parecidas, podemos passar horas falando sobre cinema, podemos ter conversas profundas sobre dificuldades em relações pessoais, que ambos enfrentamos. Me sinto confortável em passar horas com ele na frente de um hotel falando sobre nada, me sinto bem virando a noite ao lado dele ouvindo pop 00's, eu me sinto contemplado por sua espontaneidade, seu modo de compreender a vida, por tudo o que ele representa.

Tivemos o dia mais especial da nossa amizade no ultimo carnaval, em meio a festa, a imagem da primeira vez que o vi me veio na cabeça imediatamente, lá estava ele exalando uma alegria que contagiava a rua e então ele dançou e dessa vez, três anos depois, eu me juntei a ele. Ele é carnaval, é simpatia e amor, é dança de libertação e grito sincero em meio a refrões.

E eu quero dançar ao lado dele para sempre.

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