XVII

Não diria que desde o primeiro olhar ou desde o primeiro beijo.
Mas em algum momento quando a vi. 
Em algum momento quando a vi me senti como se estivéssemos ali numa foto de polaroide. Tirada numa roda gigante de um parque de diversões, sorrindo.
Todo aquele lance potencialmente tosco demais de filmes norte americanos.

De fato não estávamos.
Porém de alguma forma isso, pela glória de todos os anjos — eles existentes ou não — fez realmente um sentido do CARALHO.
E no total deslumbre dos pequenos detalhes do momento, da certeza de estar exatamente onde deveria, uma pessoa não sendo mais do que uma pessoa me fez acolhido.

-Aconteceu alguma coisa?
-Não! — Disfarçadamente falei — estava pensando como esse meu bigode falso está voltando.
-Não está muito aparente.
-É o lorde das trevas nos primeiros livros de Harry Potter. Não muito aparente, mas voltando.

E ela riu, nós rimos. Ela riu! Sorriu… Aquele sorriso, nossa.
Foi uma piada tão engraçada assim? Acho que não. De longe que não. Mas que sorriso! Que riso. OK! Estou divagando de novo.

-É, você realmente não está bem hoje, me fala o que é.
-É que talvez eu… — Hesitei — Você sabia que o Ryan Gosling tem uma banda?

Os olhos dela cerraram.

-Não era isso que tu ia falar. Sério… — Ela hesitou — Mas… Sério isso? O Ryan Gosling tem uma banda, que coisa surreal!
-Pois é, ele tem.
-Isso está parecendo sabe o quê? Tipo um episódio, sei lá, número 17. Daqueles seriados com platéia.
-Parece é?
-Parece, e as risadas vem quando você não me diz o que realmente quer dizer.

Fodeu. Ela sacou! Provavelmente lê mentes…

-É… — Ri de nervoso — As risadas, sim.
-Então, o que quer me dizer?

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