Esforço adicional ou a “milha extra” ?

Mário Rodrigues
Aug 22, 2017 · 3 min read

Num mundo em que tudo acontece a uma velocidade estonteante, há coisas que precisam de ser entregues com urgência e prazos que muitas vezes não foram planeados. “É preciso fazer um esforço adicional para que o cliente receba as coisa a tempo”… e, vai na volta, temos isto todos os dias.

Nem todas as milhas são corridas em relva fofa!

Como no passado, as pessoas lutam todos os dias por uma vida melhor, por um trabalho melhor, por reconhecimento profissional… e por um salário melhor! O mais provável é que te mates a trabalhar para fazeres ainda mais coisas e para manteres tudo a correr na perfeição mesmo que isto tenha impacto na tua vida pessoal e, mais crítico, na tua saúde.

No mundo do trabalho não é difícil encontrar um patrão ou um chefe que te diga que precisas de fazer um forcing adicional e que isso vai ser recompensado no final. Precisas de fazer uma “extra mile”! Precisas de te entregar ainda mais ao trabalho e, com isto, fazer que a empresa consiga melhores contas, clientes mais interessantes, mas que a qualidade do trabalho que entregas seja, no mínimo, excepcional.

Bom, meus caros, esta é a minha reflexão em relação a isto. Tenham em conta que este é o primeiro post aqui no Medium e que é um resumo de muitas horas de conversa e de muitas opiniões ouvidas.

O “extra mile” não é o esforço temporal adicional para resolver os problemas independentemente da causa. A “milha extra” é ir além do comum, do que é essencial, do que é espectável, fazer mais do que aquilo que te foi pedido. Não é fazer mais trabalho, fora de horas e geralmente não remunerado.
E não é sair 2 horas mais tarde todos os dias para compensar trabalho que fizeste mal ou que alguém não fez bem feito… ou porque te perdeste 1 hora nas redes sociais, a ver vídeos do 9GAG ou a ver a moças no Instagram. Mas estou em crer que cada vez mais as pessoas assumem que a “milha extra” é isto.

Na minha opinião, se foi culpa minha a má gestão do meu tempo e não terminei as minhas tarefas à hora de sair então o mínimo exequível é terminá-las no tempo necessário para que fiquem bem feitas e sem erros.

Em diversas situações há picos de trabalho. Positivos e negativos. É normal. Mas não me parece muito normal que várias pessoas façam esse esforço adicional porque houve má gestão do projeto, briefings incompletos, requisitos que nunca chegaram. E isto, meus caros, não consigo encaixar na “milha extra” que tantos apregoam como um “esforço adicional para o bem da empresa e para o crescimento futuro”. Isto são horas extra, meus amigos. E devem ser remuneradas!

Haverão sempre alturas para um esforço adicional no trabalho: ajudar o colega do lado que se atrasou no projeto, porque o cliente entregou a informação tardiamente ou uma dica importante que desbloqueou um problema, que era debatido há mais de meia hora e que pode ser a solução.
Por vezes, outro ponto de vista e pequenas alterações são fundamentais para melhorar situações e resolver problemas. Valem mais que 20 ou 30 horas de trabalho útil efetivo. O facto de eu ser pago para desempenhar determinadas funções não implica que não possa ser útil para ajudar as outras, certo?

Agora pensem como amanhã se vão aplicar na vossa “milha extra”… nem que sejam apenas 10 metros. Já só ficam a faltar 1599.34 metros. Ou podem optar por não fazerem nada. Isto se não almejarem a excelência… Boas milhas!

Abraço.

)

Mário Rodrigues

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