“Como é que eu começo minha redação?”

“Senhor, por favor, me dê um início, uma pista, qualquer coisa para esta redação! Pelo amor do Senhor mesmo!!!!”

Quem sou? De onde vim? Para onde vou? Eu não sei se você já se fez essas perguntas existenciais, mas aposto que atualmente o que mais parece complexo é responder à famigerada questão de William Shakespeare: “Como é que eu começo minha redação?” Na realidade não há nenhum registro dessa pergunta na vida de Shakespeare, mas alguma vez na vida ele também deve ter questionado a si mesmo sobre como iniciar um texto… Então, calma. Acontece nas melhores famílias! Respira fundo que eu vou te ajudar.

No que se refere à proposta, é notório que eu te avise, relativo a essa questão: você deve evitar o uso de palavras que todo mundo costuma usar quando inicia uma redação dissertativa-argumentativa. No entanto, adianto que o uso dessas palavras — como as que estão em negrito no início deste parágrafo — não vai tirar ponto algum da sua redação. Mas vale dizer: o problema é que essas “muletas”, quando usadas como único meio para iniciar um texto, acabam atrofiando a tua criatividade e limitando o teu potencial autoral.

Não deixe que as muletas impeçam o uso de todo teu potencial: ouse mais!

Como, então, produzir uma introdução que desperte o interesse do corretor do seu texto e ao mesmo tempo demonstre que você tem conteúdo — background cultural -para dissertar sobre o tema proposto? Existem várias formas, mas a minha preferida é esta: contexto + discussão + tese. Eu explico! Uma introdução criativa pode iniciar com o registro da razão pela qual o tema em destaque é importante. O próximo passo é mostrar o que a sociedade discute sobre o tema. Por fim, lá pela quinta linha, você finaliza a introdução com o teu posicionamento, a tua tese.

Por exemplo, vamos tomar como tema a questão do mosquito da dengue: “Por que o Brasil não consegue vencer o Aedes Aegypti?”. Segundo a forma que eu citei, um boa introdução sobre esse tema poderia ser assim:

Após 30 anos de combate ao mosquito Aedes Aegypti, o Brasil demonstra ainda não conhecer uma estratégia eficaz para a erradicação dos problemas ocasionados pelo inseto. Isso faz com que os brasileiros desacreditem do Governo e das autoridades de saúde do país, e torna a discussão sobre como vencer a zika, a dengue e a chikungunya (doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti) uma das maiores preocupações do momento. Esse antigo problema não poderá ser resolvido com a estratégia atual e depende de fatores ainda não contemplados.
Arrepiou ou não arrepiou os pelinhos aí? Esse é o poder do contexto+discussão+tese!

É por isso que eu digo: produção de texto é estratégia. Note como essa introdução simples — porém satisfatória — foi construída:

  1. Contexto: “Após 30 anos de combate ao mosquito Aedes Aegypti (…) para a erradicação dos problemas ocasionados pelo inseto.”
  2. Discussão: “Isso faz com que os brasileiros desacreditem do Governo (…) uma das maiores preocupações do momento”
  3. Tese ou posicionamento: “Esse antigo problema não poderá ser resolvido com a estratégia atual e depende de fatores ainda não contemplados.”

É ou não é mais caprichado que apenas iniciar o texto com uma “palavra mágica” que todo mundo vai usar? Quando você produz uma introdução com contexto+discussão+tese isso demonstra para o corretor da prova a característica “autoral” da tua produção. Talvez você não tenha ouvido falar muito sobre esse termo, mas saiba que ele faz diferença e refere-se ao teu potencial de criativo, mostra que você não depende muletas.

“Mas o que fazer, então, com todas essas muletas, bengalas, apoio? São tão lindos!!!”

É claro que, durante a produção de texto em sala de aula, durante o sei “treino” redacional é completamente cabível o uso das palavras que formam aquela lista de termos adequados para uma introdução. Isso te ajuda a ganhar “massa magra”, “musculatura”, “força” para escrever o texto dissertativo-argumentativo exigido pelo Enem. Mas é importante ter no teu horizonte que, uma hora ou outra, você vai “mergulhar em águas mais profundas” e buscar fortalecer a característica autoral do texto.

Pense nisso e siga em frente. Quando precisar, já sabe, estou por aqui para ajudar! É só entrar em contato: redacaonograu@gmail.com

Bons estudos! Boas produções! ❤

Wagner Moura 
redacaonograu@gmail.com

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