6 Verdades Duras Que Vão Fazer De Você Uma Pessoa Melhor

Nota do tradutor: essa é uma tradução do artigo 6 Harsh Truths That Will Make You a Better Person do escritor e comediante David Wong (cracked.com). Tomei MUITAS liberdades na tentativa de manter a mesma energia e o mesmo clima informal do texto original. Mantive todos os videos e a maioria das imagens, também com a intenção de preservar ao máximo a intenção original do autor.

Nota do autor: “originalmente eu postei esse artigo em Dezembro de 2012, e até o momento ele teve mais de 20 milhões de visualizações e foi compartilhado no Facebook mais de meio milhão de vezes. Decidimos atualizar e repostar o artigo todo ano, e quando digo atualizar, significa que só trocamos o ano na introdução.” — David Wong

2016, seus fedaputa. Ae! VAMBORA.

“Pra onde?” você pergunta. SEI LÁ. VAMO DESCOBRIR JUNTO, SEUS FEDIDO.

Fica à vontade pra parar de ler se sua carreira tá ótima, se você tá empolgado com sua vida e tá feliz com seus relacionamentos. Aproveita o resto do dia, colega, esse artigo não é pra você. Você tá mandando super bem e estamos orgulhosos de você. E pra você não achar que clicou à toa, toma aí uma foto do Lenny Kravitz usando um cachecol gigante.

Pra você que ficou, eu quero que tente uma coisa: diga cinco coisas impressionantes sobre você. Escreva ou grite bem alto no seu quarto. Mas tem uma pegadinha: você não pode dizer nada do que você é (ex: sou legal, sou honesto), apenas coisas que você faz (ex: ganhei um campeonato de xadrez, sei fazer a melhor moqueca da Bahia). Se você achou isso difícil, então essa vai pra você, amigo, e você vai odiar ouvir. Em minha defesa, só digo que eu queria muito que alguém tivesse me dito isso lá pelos idos de 1995.


6) O Mundo Só Se Importa Com o Que Você Tem a Oferecer

Digamos que a pessoa que você mais ama levou um tiro. A pessoa tá lá deitada no chão, sangrando e gritando. Um sujeito se adianta e fala, “Afastem-se”. Ele olha pra ferida de bala na pessoa que você ama e puxa um canivete — ele vai operar ali mesmo na rua.

“Beleza, é esse aqui no chão?”

Você pergunta, “Você é médico?”

O sujeito diz, “Não.”

Você diz, “Mas cê sabe o que tá fazendo, né? Você é um médico do exército, ou…”

Nesse momento o sujeito fica irritado. Ele te diz que é um cara legal, honesto, sempre pontual. Fala que é um bom filho pra mãe dele e tem uma vida boa, cheia de hobbies interessantes, e se gaba de nunca falar palavrão.

Confuso, você diz, “Mas que porra de diferença isso faz quando [minha esposa/meu marido/meu melhor amigo/minha mãe] tá no chão sangrando?! Eu preciso de alguém que saiba operar uma ferida de bala! Você consegue ou não?!?”

Agora o cara fica agitado — por que você tá sendo tão superficial e egoísta? Você não liga pra nenhuma das qualidades dele? Ele não acabou de te dizer que sempre lembra do aniversário da namorada? Considerando tudo de bom que ele faz, realmente faz diferença se ele sabe ou não operar?

E naquele momento de pânico, você sacode ele pelos ombros com as mãos cheias de sangue, gritando, “Sim, estou dizendo que não importa bosta nenhuma, porque nessa situação específica eu preciso de alguém que consiga estancar o sangramento, seu desgraçado.”

“Não saquei. Ajuda se eu botar um jaleco? É um minutinho, peraí…”

Então aqui vai minha verdade horrorosa sobre o mundo adulto: Você está nessa situação todo santo dia. Só que você é o cara confuso com o canivete na mão. A sociedade inteira é a vítima baleada sangrando no chão.

Se você quer saber por que a sociedade parece te desprezar, ou por que parece que ninguém te respeita, é porque a sociedade é cheia de gente que precisa de coisas. Eles precisam de casas, de entretenimento, e precisam de relações sexuais satisfatórias. Você chegou no local da emergência, segurando seu canivete, simplesmente por nascer — no momento em que você veio ao mundo, você se tornou parte de um sistema projetado puramente para atender às necessidades das pessoas.

“Pega aí a merda que tu precisava. Agora vaza.”

Ou você enfrenta a tarefa de suprir essas necessidades aprendendo um conjunto de habilidades específicas, ou o mundo vai te rejeitar, não importa o quão bonzinho, generoso e educado você seja. Você vai ficar pobre, sozinho, jogado e abandonado no frio.

Isso parece mau, tosco ou materialista? Mas e o amor e a bondade — essas coisas não importam? Claro que sim. Desde que o resultado delas seja você fazer pelos outros coisas que eles não podem obter em outro lugar. Pois veja bem…


5) Os Hippies Estavam Errados

Eis aqui a melhor cena na história do cinema:

Pra quem não consegue ver o vídeo, esse é o famoso discurso do Alec Baldwin na obra-prima do cinema O Sucesso a Qualquer Preço (Glengarry Glenn Ross). O personagem dele — que você supõe ser o vilão — chega numa sala cheia de caras botando o proverbial pau na mesa, dizendo que eles estão prestes a ir pro olho da rua se não “fecharem” as vendas que receberam:

“Você é legal? Pouco me importa. É bom pai? Foda-se! Vá brincar com seus filhos. Querem trabalhar aqui? Fechem negócio.”

É brutal, rude, praticamente sociopata, mas é também um relato honesto e preciso do que o mundo vai esperar de você. A diferença é que, no mundo real, as pessoas consideram tão errado falar com você dessa forma que elas decidiram que o melhor é simplesmente deixar você continuar fracassando.

“Meninos e meninas, bem-vindos à aula de artes do tio Alec — todos presentes? Dane-se. Falemos de algo importante.”

Aquela cena mudou minha vida. Se eu soubesse um jeito, eu programava ela no despertador pra me acordar toda manhã. Alec Baldwin foi indicado ao Oscar por esse filme mesmo sendo a única cena em que ele aparece. Gente mais inteligente que eu já observou que o mais genial desse discurso é que metade das pessoas assistem a cena e pensam “Nossa, imagina ter um chefe assim tão babaca?” e a outra metade pensa “Porra, bora lá vender esses imóveis, caralho!”

Ou, como diz o blog The Last Psychiatrist

“Se vocês estivessem naquela sala, alguns de vocês entenderiam isso como trabalho, mas se alimentariam da mensagem mesmo assim, aceitariam o técnico xingando vocês, ‘esse é o cara!’; enquanto que alguns de vocês tomariam como algo pessoal, esse cara é um idiota, você não tem o direito de falar comigo assim, ou — a manobra padrão quando o narcisismo é confrontado com um poder maior — ficariam furiosos e quietos, sonhando em achar alguma informação que expusesse a hipocrisia dele. Que bom seria.”
Te juro que se ele falar da minha careca eu soco a cara desse desg- Sim senhor, estou ouvindo. Desculpa.”

Esse é um trecho de uma inspirada análise dos “hipsters” e do porquê deles parecerem ter tanta dificuldade em conseguir emprego (esse resumo não é nada perto do artigo, vai lá ler ele inteiro), e a ideia principal é que a diferença entre essas duas posturas — amarga vs. motivada — determina enormemente se você vai ter sucesso no mundo ou não. Por exemplo, muita gente vai querer responder esse discurso usando a fala do Tyler Durden no Clube da Luta: “Você não é seu emprego.”

Bom, só que na verdade você é sim. Realmente, seu “emprego” e sua formação profissional podem não ser a mesma coisa, mas em ambos os casos você não é mais do que a soma de suas habilidades. Por exemplo, ser uma boa mãe é um emprego que requer uma habilidade. É algo que uma pessoa sabe fazer e que é útil a outros membros da sociedade. Mas não se engane: seu “emprego” — a coisa útil que você faz pelos outros — é tudo o que você é.

Existe um motivo pelo qual cirurgiões são mais respeitados que escritores de comédia. Existe um motivo pelo qual mecânicos são mais respeitados que hipsters desempregados. Existe um motivo pelo qual o seu emprego vai virar a sua marca se fizerem uma reportagem da sua morte (“Goleiro Morre Assassinado/Comete Suicídio”). Tyler disse “Você não é seu emprego”, mas ele também fundou e comandou uma fábrica de sabão bem-sucedida e tornou-se o líder de um movimento internacional, social e político. Ele era o emprego dele com certeza.

O que muitas pessoas não entenderam no filme é a ironia.

Ou então pensa assim: lembra quando a Skol fez aquela propaganda machista? E de como que, apesar dos protestos, a empresa continuou vendendo milhares de litros todo dia? Não quer dizer que nós concordamos com eles. É que eles fazem bem o trabalho de fabricar cerveja que as pessoas gostam. Isso é o que importa.

Você não é obrigado a gostar disso. Eu não gosto quando chove no meu aniversário. Mas chove mesmo assim. As nuvens se formam e se precipitam. As pessoas têm necessidades e agregam valor às pessoas que as satisfazem. Esses são mecanismos simples do universo e que não respondem aos nossos desejos.

“Que saco. Tenho uma ficha limpinha na polícia e ninguém nem me agradece?”

Se você protestar dizendo que não é um capitalista materialista superficial e que discorda que dinheiro é tudo, eu respondo: quem aqui falou de dinheiro? Você não enxergou a grande questão.


4) O Que Você Produz Não Precisa Dar Dinheiro, Mas Tem Que Beneficiar as Pessoas

Vamos pegar um exemplo sem dinheiro pra você não ficar fixado nisso. O público do nosso site é formado, em grande parte, de homens de 20 e poucos anos. Daí que nos nossos fóruns e em muitas mensagens inbox que eu leio todo ano, dezenas de caras tristes e solitários insistem em dizer que as mulheres nem chegam perto deles, mesmo eles sendo as pessoas mais legais do mundo. Eu sei explicar o que tem de errado nesse raciocínio, mas vou deixar o Alec Baldwin explicar melhor:

Nesse caso, Alec Baldwin faz o papel das mulheres atraentes na sua vida. Elas não vão dizer isso tão diretamente quanto ele — a sociedade nos treinou pra não sermos sinceros com as pessoas — mas a equação é a mesma. “Você é legal? Pouco me importa. Quer trabalhar aqui? Feche negócio.

Então, o que é que você tem de bom? Aquela gatinha da livraria que parece a Isis Valverde faz hidratação no rosto toda noite e fica cheia de culpa toda vez que come algo além de uma salada no almoço. Ela vai se formar em medicina daqui a 10 anos. E você, faz o que?

“Pô, sei empinar pipa bem pra caralho.”

“Peraí, então você tá dizendo que eu só posso pegar mulher desse tipo se eu tiver um emprego bom e ganhar muito dinheiro?”

Não, isso é seu cérebro chegando a essa conclusão pra ter uma desculpa de descartar todo mundo que te rejeita, fazendo você pensar que eles estão sendo superficiais e egoístas. Eu estou perguntando o que você tem a oferecer. Você é inteligente? Engraçado? Interessante? Talentoso? Ambicioso? Criativo? Ok, então o que você faz pra demonstrar essas qualidades pro mundo? Não vem dizer que você é um cara legal — isso é o básico. Uma menina bonita ouve caras sendo legais com ela 36 vezes por dia. O paciente tá sangrando na rua. Você sabe ou não sabe operar?

“Bom, eu não sou machista, nem racista, nem ganancioso, nem superficial e nem violento! Não sou igual esses outros babacas!”

Desculpa, sei que isso é difícil de escutar, mas se tudo o que você sabe fazer é listar defeitos que você não tem, então sai de perto do infeliz do paciente. Algum cara esperto, bonito e com uma carreira promissora está pronto pra chegar e operar.

“Calma, eu disse que NÃO vou te bater!”

Ficou magoado? Tá, e agora? Você vai ficar de bobeira ou vai aprender a fazer cirurgia? Aí é com você, mas não reclama das meninas gostarem de babacas; elas gostam dos babacas porque esses babacas têm outras coisas a oferecer. “Mas eu sei escutar as mulheres!” Sabe mesmo? Só porque você tá disposto a ficar sentado quietinho em troca da chance de ficar próximo de uma gostosa (sonhando o tempo todo como a pele dela deve ser macia)? Adivinha só, tem outro cara na vida dela que também sabe fazer isso, e sabe tocar violão. Você dizendo que é um cara legal é a mesma coisa de um restaurante fazendo propaganda de que a comida deles não deixa as pessoas doentes.

Eu acho que é por isso que você se sente horrível mesmo sendo um “cara legal”. Mais precisamente…


3 ) Você Se Odeia Porque Você Não Faz Nada

“Então tá, você tá dizendo que eu devia arranjar um livro de como pegar mulher?”

Só se a lição número um for “Comece a se transformar no tipo de pessoa da qual as mulheres querem se aproximar”

“Porra, cadê a vodca que eu escondi aqui?”

Porque essa é a lição que as pessoas pulam — é sempre “Como eu arrumo um emprego?” ao invés de “Como eu me torno o tipo de pessoa que o mercado quer?” ou “Como eu faço mulheres bonitas gostarem de mim?” ao invés de “Como eu me torno o tipo de pessoa da qual as mulheres gostam?”. Pois é, porque essa segunda lição pode muito bem te obrigar a largar muitos dos seus hobbies favoritos e a prestar mais atenção na sua aparência — vai saber. Vai que você tenha que mudar até sua personalidade.

“Mas por que não consigo achar alguém que gosta de mim só pelo que eu sou?” você pergunta. A resposta é que humanos precisam de coisas. O baleado tá sangrando, e tudo o que você sabe fazer é olhar pra baixo e reclamar que as feridas não se fecham sozinhas?

Aí vai outro vídeo (CONTÉM QUASE NUDEZ)

Todo mundo que vê esse vídeo fica um pouco mais alegre, mesmo que por motivos diferentes. Você sabe alegrar pessoas? Por que não? O que te impede de botar o equivalente da sua sunga e capa, subir no equivalente do seu palco e balançar o equivalente do seu pênis para as pessoas? Esse cara aí sabe o segredo da vitória na vida: fazer esse… negócio aí… é melhor do que não fazer nada.

“Mas eu não sou bom em nada!” Tenho uma boa notícia — invista algumas horas de repetição e você conseguirá ser razoavelmente bom em qualquer coisa. Eu era um escritor bem bosta quando criança. Fiquei um pouco melhor aos 25. Mas ao mesmo tempo em que eu fracassava na minha carreira, escrevi no meu tempo livre por oito anos seguidos, um artigo por semana, antes de ganhar dinheiro de verdade. Levei 13 anos pra ficar bom o suficiente pra entrar na lista de best-sellers do New York Times. Precisei de umas 20.000 horas de prática pra lapidar minha tosquice.

Não curtiu a ideia de dedicar todo esse tempo a uma habilidade? Bom, tenho uma notícia boa e uma ruim. A notícia boa é que o simples ato de praticar vai te ajudar a sair da casca — superei anos de trabalho chato num escritório porque sabia que estava aprendendo uma habilidade especial em paralelo. As pessoas desistem porque demora muito tempo pra ver o resultado, e porque elas não percebem que o processo é o resultado em si.

A notícia ruim é que você não tem escolha. Se você quer trabalhar aqui, feche negócio.

A questão é que, na minha opinião de não-especialista, você se odeia não porque tem baixa auto-estima, ou porque os outros te fizeram maldade. Você se odeia porque não faz nada. Nem você mesmo dá conta de “se amar pelo que você é” — é por isso que você é uma pessoa triste e fica mandando mensagens inbox me perguntando o que fazer da vida.

Primeiro Passo: Levantar.

Faça as contas: quanto tempo você gasta consumindo coisas que outras pessoas fazem (TV, música, videogame, internet) ao invés de fazer as suas próprias coisas? Só uma dessas ações é que agrega valor a você como ser humano.

E se você odeia ouvir isso e responde com algo que ouviu quando era criança, tipo “O que importa é o que está dentro de você!”, então eu te respondo…


2 ) O Que Você É Por Dentro Só Importa Por Causa Do Resultado Na Prática

Por eu estar nesse tipo de mercado de trabalho, conheço um monte de aspirante a escritor. Eles se enxergam como escritores, se apresentam como escritores em festas e sabem que lá no fundo são escritores de coração. A única coisa que falta é o passo final, que é escrever alguma porcaria de verdade.

Mas sério que faz diferença? Esse negócio de “escrever coisas” é tão importante assim na hora de decidir quem é “escritor” de verdade?

Pelo amor de Deus, claro que é.

Já vi muito “escritor” que produziu menos do que isso aí.

Olha, tem um tipo de defesa bem comum contra tudo isso que eu disse até agora, e contra toda voz crítica na sua vida. É aquilo que seu ego diz pra evitar que você tenha o trabalho de melhorar: “Eu sou uma pessoa boa por dentro.” Pode ser também “Eu sei quem eu sou” ou “Eu só tenho que ser eu mesmo”.

Não me entenda de forma errada; tudo na vida vem do que “você é por dentro” — o cara que construiu uma casa pra família fez isso por causa do que ele é por dentro. Tudo de ruim que você já fez na vida começou com um impulso mau, algum pensamento que ficou quicando na sua cabeça até que você resolveu agir. Também é a mesma coisa com tudo de bom que você já fez — “quem você é por dentro” é a metáfora da terra de onde nascem os seus frutos.

Perceba como a câmera aponta pra cima, e não pra base.

Mas eis aqui o que todo mundo precisa saber, e que muitos de vocês não dão conta de aceitar:

“Você” não é nada além dos frutos.

Ninguém liga pra sua terra. “Quem você é por dentro” não significa nada além do que você produz pros outros.

Por dentro, você tem enorme compaixão pelos pobres. Beleza. Isso resulta em você fazer algo? Ou você é do tipo que vê alguma tragédia horrível na sua cidade e fala “Nossa, tadinhas dessas crianças. Vou mandar muita energia boa pra elas”? Se for, então vai te fuder — vai lá descobrir do que elas precisam e ajuda a providenciar. Tem criança morrendo todo dia porque milhões de nós acham que se sensibilizar é tão bom quanto fazer. É um mecanismo interno controlado pela parte preguiçosa do seu cérebro que evita que você tenha trabalho real.

“Olha, vou ficar na torcida pra senhora sarar, tá? Boa sorte e depois me conta se funcionou.”

Quantos de vocês saem por aí dizendo “Ela/Ele me amaria se soubesse a pessoa interessante que eu sou!” Mesmo? Como é que essas suas ideias interessantes se manifestam no mundo? Em que ações elas resultam? Se o cara ou a menina dos seus sonhos tivesse uma câmera escondida te seguindo durante um mês, eles ficariam impressionados com o que vissem? Lembra que eles não conseguem ler a sua mente — só observar. Eles iriam querem fazer parte da sua vida?

Porque tudo o que eu te peço é que você tome pra si os mesmos parâmetros que usa para o resto das pessoas. Sabe aquele seu amigo chato religioso cuja única ajuda que oferece às pessoas é “orar por elas”? Não te deixa puto da vida? Nem discuto se rezar funciona ou não; isso não muda o fato de que eles escolheram o único tipo de ajuda em que eles não precisam levantar do sofá. Eles se abstêm de todos os vícios, têm pensamentos puros, mantêm a terra deles o mais pura possível, mas quais frutos saem dali? E olha que eles deviam saber disso mais do que todo mundo — roubei a metáfora dos frutos direto da Bíblia. Jesus disse algo do tipo “uma árvore é julgada pelos seus frutos” várias e várias e várias vezes. Tudo bem, Jesus nunca disse “Se você quer trabalhar aqui, feche negócio.” Mas ele disse, “Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo.”

“E testemunharás um búfalo ruminando e flatulando enquanto olha tua alma profundamente.”

O pessoal não reagiu muito bem quando ele disse isso, da mesma forma que os vendedores não reagiram bem quando Alec Baldwin disse a eles que precisavam ou meter bronca ou se conformar em lamber as botas dele. O que nos leva ao item final…


1) Tudo Dentro De Você Vai Lutar Contra Sua Evolução

A mente humana é milagrosa, e você vê ela entrar em ação maravilhosamente no momento em que ela luta contra mudanças. Sua psique está equipada com camadas e camadas de mecanismos de defesa projetados pra metralhar qualquer coisa que ameace mudar o seu estado normal — pergunta pra qualquer viciado.

Até mesmo agora, alguns de vocês lendo isso já então sentindo o cérebro bombardeando argumentos pré-formulados pra rejeitar esse texto. Pela minha experiência, eu já digo que argumentos são esses…

*Interpretar de propósito qualquer crítica como insulto

“Quem deu pra ele o direito de me chamar de preguiçoso e inútil? Uma pessoa boa nunca falaria comigo assim! Ele escreveu isso só pra se sentir superior a mim e me fazer ficar de mal com a vida! Vou inventar um insulto só pra retrucar!”

*Focar no mensageiro pra evitar ouvir a mensagem

“Quem é ESSE cara pra ME dizer como viver? Ah tá, como se ele fosse assim todo poderoso! É só um escritor besta da internet! Vou procurar algum podre dele pra me dar certeza de que ele é um burro, e que tudo o que ele diz é burrice! Sujeito tão metido que dá vontade de vomitar! Eu vi o vídeo de rap dele no YouTube e o cara é fraco demais na rima!

*Focar no tom pra evitar ouvir o conteúdo

“Vou vasculhar aqui até achar uma piada que seja ofensiva fora de contexto, aí vou falar e pensar só nisso! Ouvi dizer que se uma palavra num livro é ofensiva, eu posso ignorar todo o resto!”

*Revisar toda sua história

“As coisas não vão tão mal assim! Tá, eu sei que eu ameacei me suicidar mês passado, mas agora tô de boa! É perfeitamente possível eu continuar fazendo exatamente o que eu sempre fiz e tudo vai ficar bem! Meu grande momento vai chegar, e se eu continuar fazendo favores pr’aquela gatinha, uma hora ela vai chegar em mim!”

*Fingir que qualquer tentativa de melhorar seria trair seu verdadeiro eu

“Tá certo, então agora eu sou obrigado a jogar fora toda minha coleção de mangá, malhar na academia seis horas por dia e fazer bronzeamento igual àqueles babacas? Porque ESSA É A ÚNICA OPÇÃO POSSÍVEL.”

“Parabéns aí pela casa nova, seu traidor do movimento. Continua sendo um favelado.”

E por aí vai. Lembre-se, a tristeza é confortável. É por isso que muitos preferem ficar nela. Felicidade requer esforço.

E coragem. É muito confortável ter a certeza de que, enquanto você não criar nada na vida, ninguém pode atacar o que você criou.

É muito mais fácil ficar sentado e criticar o que os outros fazem. Esse filme é besta. O filho daquele casal é um capeta. Aquele outro casal tem um relacionamento horrível. Aquele playboy é superficial. Esse restaurante é uma porcaria. Esse escritor é um babaca. Vou lá deixar um comentário exigindo que o site mande ele embora. Viu? Eu criei alguma coisa.

Opa peraí, esqueci de comentar essa parte? Pois é, na hora que você tentar construir ou criar qualquer coisa — seja um poema, uma habilidade, ou um relacionamento — você vai ficar rodeado de não-criadores criticando. Talvez não na sua frente, mas eles vão criticar. Seus amigos cachaceiros não querem que você fique sóbrio. Seus amigos gordos não querem que você fique em forma. Seus amigos que não trabalham não querem ver você começar uma carreira.

Lembre-se, eles estão só expressando o próprio medo, já que detonar o trabalho de outro é outra desculpa pra não fazer nada. “Pra quê criar qualquer coisa se o que os outros fazem é uma droga? Eu podia já estar com um livro pronto hoje, mas vou esperar uma ideia boa, não tô a fim de escrever um desses Crepúsculos por aí!” Enquanto eles não produzirem nada, o trabalho deles vai ser sempre perfeito e acima de críticas. Ou então, quando produzem algo, fazem questão de que seja irônico. Produzem uma coisa tosca de propósito pra deixar bem claro pra todo mundo que não estão se esforçando de verdade. Porque se fosse pra valer, ia ficar uma maravilha. Não igual essa merda que você fez.

É só ler os comentários de qualquer site — quando a coisa fica tensa, é sempre a mesma abordagem: manda esse cara embora. Esse imbecil tem que parar de escrever. Não faz mais vídeos. No final das contas é sempre “Pare de criar. Isso é diferente do que eu faria, e a sua fama faz eu me sentir mal comigo mesmo.”

Não seja essa pessoa. Se você é essa pessoa, pare de ser essa pessoa. É por isso que os outros te odeiam. É por isso que você se odeia.

Vai fazer o quê com isso aí? Caçar bruxas ou começar uma Olimpíada?

Então vamos combinar assim: um ano. Nosso prazo fica sendo fim de 2016 . Ou contando um ano de quando você ler esse texto. Enquanto os outros te falam “Vamos fazer uma promessa de ano-novo de perder 8 quilos!” eu te peço pra assumir um compromisso de fazer qualquer coisa — agregar qualquer habilidade, qualquer melhora na sua bagagem como ser humano, e ficar bom o suficiente para impressionar os outros. Sei lá qual, porra — escolhe uma coisa qualquer se você tiver dúvida. Faz uma aula de caratê, ou dança de salão, ou artesanato. Aprende a fazer bolo. Faz um galinheiro. Aprende a fazer massagem. Aprende a programar. Grava um filme pornô. Vira um super-herói pra combater o crime. Faz um vlog. Começa a escrever artigos .

Mas o lance é o seguinte, não quero que você foque em algo grande que você acha que vai acontecer na sua vida (“vou arrumar uma namorada, vou ganhar muito dinheiro…”). Quero apenas que você se concentre em conseguir uma habilidade que te faça um pouquinho mais interessante e útil para outras pessoas.

“Caraca, só de aprender inglês eu agora consigo falar com 2 bilhões de pessoas que antes eu não podia.”

“Eu não tenho dinheiro pra fazer aula de culinária.” Então joga na porra do Google “como cozinhar.” Hoje em dia eles até filtram os sites pornô na pesquisa, então tá fácil demais. Cara, acaba com essas desculpas ou elas acabam com você.

Se você quiser escrever o seu projeto nos comentários e voltar daqui um ano, manda ver. Tô curioso pra ver se pelo menos uma pessoa vai fazer isso, e se fizerem a gente confere depois, não só pra saber se concluímos os projetos ou não, mas também pra entender o porquê. Você não tem nada a perder, e o mundo precisa de você. Fica de boa com um vídeo de um cachorrinho rolando uma escada.

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