Transposição do São Francisco: o que nós temos com isso?

Fonte da imagem: https://www.pensamentoverde.com.br/meio-ambiente/caracteristicas-da-bacia-hidrografica-do-rio-sao-francisco/

A Transposição do Rio são Francisco é uma obra que foi pensada ainda no Brasil Império pelo então Imperador Dom Pedro II. Os primeiros estudos foram produzidos por sua equipe e pensada como uma solução definitiva para a convivência com seca na Região Nordeste. Desde o início, a obra despertou em muitas pessoas “o sonho’’ e a redenção para todos os males causados pela seca, a trajetória desta obra foi marcada por muitos reverses, descasos e descrédito até a sua concretização e atual estágio.

A história mais recente desta obra, em seus últimos trinta anos, está muito bem retratada no livro “Transposição do Rio São Francisco — Os bastidores da maior obra hídrica da América Latina” pelo autor e ator ativo desse processo: o Professor Doutor Engenheiro Civil Francisco Jácome Sarmento, da UFPB. O professor Sarmento coordenou os Estudos de Planejamento de Engenharia de Recursos Hídricos da Transposição nos governos Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. Diferente do que se possa imaginar, o livro traz uma narrativa histórico política e de reconhecimento das equipes de engenharia que participaram de obra de tamanha magnitude.

Fonte: https://viagemeturismo.abril.com.br/atracao/passeio-de-catamara-pelos-canions-do-rio-sao-francisco/

A fase histórica de realização da obra, propriamente dita, vem no primeiro mandato do governo do presidente Lula (2003–2006). A Transposição do São Francisco finalmente começa a sair do papel. O presidente colocou o projeto à cargo do Ministério da Integração Nacional, na época, o Ministro Ciro Gomes, grande defensor do projeto. Grandes estudos passaram a ser feitos de viabilidade-técnica e financeira, impactos sociais, impactos ambientais, impactos econômicos, recursos hídricos, entre tantos outros estudos visando sempre o melhor custo benefício para o povo desta região. Dois eixos, inicialmente, foram previstos sua construção, com a previsão de beneficiar 12 milhões de pessoas. Depois de mais de um século de atraso e com a obra praticamente concluída, nos faz refletir outro aspecto dessa história: o futuro. Ou seja, a preservação dessa conquista.

Levando em consideração a importância e a grandiosidade da obra de Interligação das Bacias Hídricas com as águas rio São Francisco, não podemos relegar a transposição ao descaso das autoridades competentes. Visto que se a obra não for concluída, colocada em pleno funcionamento e manutenção adequada, os custos sociais e econômicos superarão os R$ 8 bilhões que foram usados dos Cofres Públicos para a conclusão da obra.

Fonte: https://civilizacaoengenheira.wordpress.com/2018/10/16/transposicao-do-rio-sao-francisco-vs-dessalinizacao-da-agua-do-mar/

Atualmente, a obra encontra-se com 97% das instalações concluídas em nosso Estado. As obras do chamado “Eixo Norte” que captará água na Bacia Hídrica Engenheiro Ávidos em Cajazeiras, abastecerá mais duas cidades: Monte Horebe e São José de Piranhas. Nossos conterrâneos estão esperando que o Poder Público “destrave” as obras deste trecho. A depender disto, as consequências: há três meses sem receber água e manutenção, alguns trechos da obra da Transposição vêm apresentando problemas estruturais. Tais como: rachaduras e consequente vazamentos do liquido redentor.

Esse estado de coisas remete à um mal antigo de nossa cultura política, tanto nacional como local: a negligência e ausência de um monitoramento e preservação de Obras Públicas. Não é estranho à nossa realidade que equipamentos públicos apresentem problemas no processo entre a sua construção, conclusão e preservação. Muitas vezes causadas pelo descaso das autoridades político administrativas à frente destes processos. Chegamos a constatação que há uma ausência completa de um planejamento que inclua as etapas de monitoramento e manutenção das obras públicas. Para além de problemas com a legislação, empresas e licitações.

Fonte: https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/arquivo-s/senado-do-imperio-estudou-transposicao-do-rio-sao-francisco

Mapa com os principais eixos da transposição: Leste e Norte. A Paraíba foi um dos estados mais beneficiados com a obra, recebendo as águas do Rio São Francisco por suas vias.

Não obstante, é preciso que a população e a classe política — especialmente a paraibana — retomem essa discussão para que se tenha a devida atenção a essa obra estruturante para o nosso Estado. A Transposição do Rio São Francisco não é mais uma obra de governos, mas sim do povo. E essa história não termina com a conclusão da obra no seu Eixo Norte, porque a seca não dá trégua. A população de Campina Grande e região que o digam, foram salvas a beira de um colapso hídrico após serem contempladas pelas águas do Velho Chico recebidas pelo açude de Boqueirão.

Eis que se põe diante de nós a questão: temos agora a responsabilidade de defender a continuidade dessa obra, como a manutenção dela, para que todos os que ainda esperam possam também ser plenamente atendidos. O MOVER se coloca como um novo ator nesse histórico projeto/processo, com o dever cívico de fiscalizar e cobrar dos nossos representantes, a devida atenção e compromisso com essa obra, que mais que um sonho, tem se tornado aos poucos uma realidade na vida do nosso povo paraibano.

Texto de autoria de Custódio Júnior, Martin e Luciano Rufino, membros efetivos e colaboradores da área econômica do MOVER- Frente Social Progressista.

    Mover — Frente Social Progressista

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    Movimento suprapartidário que luta, em nível local e nacional, pelo desenvolvimento socioeconômico inclusivo e sustentável. Instagram: @moverpb

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