Eu, sujeito da frase

Eu. Lugar de autoria e reconhecimento. Também lugar de responsabilidade.

Erros e acertos na primeira pessoa tem volume, temperatura, textura e pressão. Talvez por isso, haja um quê de desafio em assumir coisas. Cargos, papéis, relacionamentos e escolhas. E se não der certo?

A pergunta que mora dentro dessa pergunta é o que os outros pensarão de mim? E se formos ainda mais fundo, o que eu pensarei de mim depois disso?

É uma delicinha ser valorizado, aplaudido e lembrada por algo louvável. Porém, deixar marcas de vergonha ou equívoco tem gosto amargo. O espaço da autoria é sempre de risco.

Nada pode garantir vitórias até que elas sejam realidade. Até lá, por isso mesmo, os bastidores talvez sejam um canto confortável, por isso as frases generalistas e sem sujeito estejam na rotina: “as pessoas”, “comentou-se”, “escolheram”. Cortinas. E eu lá detrás delas, assistindo cheio de incertezas.

O palco, a câmera, o flash. Dá medo estar na frente. Dá frio na barriga ter platéia. Dá insônia, tremedeira e perna bamba. Errar ainda não é humano, mesmo que a gente afirme o contrário.

Então, em nome da vergonha, eu encolho, me ausento e jogo para o adversário todas as culpas sobre as minhas falências. Muito mais fácil.

Definitivamente, isso não são caminhos de crescer.

Sair da coxia para o tablado tem a ver com luz e ímpeto, a um só tempo. E precisa ter sujeito nesta frase. E coragem. E responsabilidade pelo que vem a seguir.

Lidar com vitórias, derrotas e situações mornas, nem dor, nem delicia é tarefa ordinária, comum a todas as pessoas. Responsa pela própria trajetória é da maior dignidade e realeza. Não, não falamos somente de eleitos. Pois que toda vida é um palco, sem exceção. E ainda hoje pode ser o dia da sua grande estreia.

04.08.2017

#30textosem30dias

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