Um café para divagar

As possibilidades me contornam. Vejo-as daqui, sentada, tomando meu café.
As visões de futuro e os caminhos do presente se encontram no atalho da conversa.
A branda percepção nova das velhas histórias. Releituras.
Eu e os novos óculos de ler trajetórias. É necessário deixar o déjà vu e abrir campo para o Mais.
Meu passo. As tantas escolhas que fiz e faço. A lanterna que vai abrindo brechas no túnel das minhas perguntas para achar saídas ou novos túneis necessários.
O caminhar da gente é sempre incógnito em certa medida.
Abismo, escalada, pé ante pé? Que importa?
Ao colocar o pé na estrada, invento novos jeitos de crescer. Abro portas de outros encontros.
Ir e voltar são esteiras de ampliar horizonte e fantasia.
E o compasso ou o descompasso do meu coração, marcando o pulsar dessa descoberta-viagem que me inquieta dias e sonhos.
E o gosto de abrir senda à unha: cheiro e tato de terra fofa. Mãe e chão da gente a um só tempo.
Termino esse café vagarosamente, sentindo a terra macia sob meus pés, me aquecendo. Eis o nosso solo comum de estar aqui, juntos, de um jeito ou de outro.
08.08.2017
#30textosem30dias
