Um mini texto sobre conhecer lugares. Onde lugares, eu quis dizer Berlim

“A vida é uma life!”. Eu gosto dessa frase e espero que você também!

No início do ano passado tive a oportunidade de passar quase um mês trabalhando em Berlin. Quando voltei, as pessoas me perguntavam se havia turistado ou se tinha ido em lugar x ou lugar y, e apesar de ter ido nos lugares clichês, o meu maior orgulho é de ter simplesmente tido uma rotina em um país diferente, em uma cidade diferente, com uma língua diferente, com pessoas diferentes (e o Rodrigão).

É legal você conhecer os lugares famosos mas isso fala por si: “conhecer lugares famosos”. O que define que você realmente conheceu um lugar? É passar dois dias em um país e conseguir ir nos lugares que todo mundo vai e tirar fotos? (e talvez nem saber o que remete aquele lugar…). É saborear a comida dos restaurantes topper do Foursquare? Bom, acredito que realmente ninguém definiu isso e admito que eu também faço. E tá tudo bem, agora!

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Mas, como um brasileiro, gostaria de destacar algumas coisas que estão sendo legais de conhecer em Berlim:

  • aprender que as casas tem um aquecedor a gás
  • saber que é natural pra eles tomarem água com gás (tipo litrão de água com gás mesmo)
  • ir na padaria e ver que o “pão de sal” deles é diferente
  • alguém ter que escrever o valor do pagamento num pedaço de papel pra você (ok, esse é meio sofrido)
  • saber que não existe catraca no metrô
  • pegar trem/ônibus/metrô errado
  • experimentar comida de rua (Kebab, currywurst)
  • reclamar que não tem self-service
  • quase cair na escada rolante porque ela só ativa quando tem alguém perto e ela na realidade ela está funcionando no lado oposto que você estava indo
  • repetir (várias vezes) o restaurante que você gostou
  • descobrir qual o valor comum para uma gorjeta (após dar várias gorjetas erradas)
  • ir no supermercado e fragar que a cerveja do padre é -89centavos (ou seja, eles pagam pra tu levar a cerveja. Diferente né? Só em sonho…)
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  • comprar produto errado no supermercado porque acreditou demais na sua intuição ao invés do seu poder de usar a tradução
  • pedir comida no delivery e não saber se tem que dar gorjeta ou não, se precisa descer pra receber o entregador ou deixar ele subir
  • apanhar por não saber como funciona a reciclagem
  • tentar andar de bicicleta e não saber se tá obedecendo o trânsito certinho
  • usar o google translator pra escrever email/legenda de foto (mesmo sabendo que a tradução vai estar quase sempre errada)
  • descobrir que é comum o chuveiro dentro da banheira
  • descobrir que o feriado de Natal é no dia 25 e no dia 26 também
  • reclamar que o catálogo da Netflix mudou (e que não tem mais certas legendas)
  • ir num parque simplezinho, de boinha, só pra curtir a vibe mermo
  • aprender umas palavra em outra língua (no meu caso, a mais marcante acho que foi “ausgang” (saída). Era importante para eu não me perder haha

Ok, talvez forcei algumas situações, e claro faltou várias situações que esqueci, mas acredito que pelo menos 80% delas sejam possíveis de acontecer caso você faça uma viagem de pelo menos 5 dias ficando num airbnb ou algo do tipo aqui em Berlim.

Acredito que essa situações são tão mais ricas em termos de aprendizado e de se perpetuar em formas de histórias do que simplesmente tirar fotos de lugares famosos. Uma forma de conhecer o lugar não exclui a outra e, é claro, em vários pontos elas se cruzam.

Eu escrevi tudo isso pra dizer: ao invés de conhecer um lugar, tente viver esse lugar.

~~~ texto com tentativas de utilizar o estilo João Luis Júnior de escrita (https://medium.com/@joaoluisjr) ~~~

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