Rio das Velhas: fonte projeto Manuelzão

Futuros prefeitos da Região dos Inconfidentes devem ficar atentos à questão hídrica


Quem se preocupa com a preservação dos rios e da boa gestão dos recursos hídricos tem bons motivos para comemorar na semana passada. A Aliança pela Água, articulação que reúne mais de 60 organizações e movimentos da sociedade civil, lançou em (12/09), a campanha #VotePelaÁgua, cujo objetivo é inserir o tema da segurança hídrica ainda nesse debate eleitoral.

Com abrangência nacional, a campanha possui duas frentes de participação: o engajamento da sociedade civil organizada e o comprometimento de candidatos a prefeito e vereador com uma agenda relacionada ao tema.

Como parte da campanha, criou-se o manifesto por uma “Nova Cultura de Cuidado com a Água”, com assinaturas de 186 organizações, entre elas o Greenpeace, a WWF e a SOS Mata Atlântica. O manifesto afirma que é de competência dos municípios prevenir desastres e promover ações de interesse local como a conservação, proteção e revitalização dos cursos d’água em seu território, entre outros itens.

A iniciativa é muito bacana, vale a pena ser adotada e vem a calhar, pois a campanha #VotePelaÁgua quer incentivar o eleitor a verificar o compromisso dos candidatos com uma agenda municipal ligada ao tema.

Nas eleições municipais, infelizmente, não tenho visto os candidatos da Região dos Inconfidentes a tratarem a questão com a importância devida, são raras as inserções da pauta hídrica nas campanhas. O combate à degradação constante das bacias dos rios Itabirito e das Velhas e de seus afluentes deveria ser prioridade de todos os postulantes, sobretudo, os majoritários.

Mesma opinião tem o presidente da ONG Águas do Acuruí e integrante do Subcomitê Rio Itabirito, Odilon Lima, ao criticar a postura tímida dos nossos candidatos no que diz respeito à defesa e à falta de propostas claras e consistentes para as questões hídricas em nossa região. Ele lamenta também a falta de políticos com perfil de militância ambiental por aqui.

Odilon não poupa os órgãos fiscalizadores, na opinião dele, muito condescendentes com os infratores. Ele defende uma postura mais dura de punições com os que degradam, principalmente, o rio Itabirito.

Outro problema, segundo ele, é a falta de investimentos pelo executivo local em iniciativas simples, para o problema hídrico, como a construção de barraginhas, pequenas bacias que retêm as enxurradas e fazem a água da chuva se infiltrar no solo, recarregando o lençol freático, deixando-o com o nível mais elevado.

Acredito que a crise da água não é um problema técnico, mas de gestão política. Chegamos a tal avanço tecnológico em que a questão da escassez de água não deve ser de difícil solução. Basta desejo político para solucioná-la.

Os futuros prefeitos de nossa região devem levar a questão hídrica muito a sério, pois a estiagem que vem afetando as bacias dos nossos rios há pelo menos três verões foi apenas um dos fatores que intensificaram o problema em nossa região. É preciso incluir na conta o descuido com as fontes de água, a poluição química, a falta de investimento das empresas para evitar desperdício e a gestão inadequada, que trata a água como fonte inesgotável quando é bem cada vez mais escasso.

É necessário que as próximas gestões desenvolvam amplos esforços de educação para redução do consumo e reuso de água, que criem um mutirão para diminuir o desperdício, que reflorestem as matas ciliares e protejam as nascentes, sejam duras com os poluidores, além de promoverem a transparência sobre a realidade hídrica municipal e o engajamento da sociedade civil na solução dos problemas.