O alto preço a pagar pelo achincalhe da política

Fiquei chocado quando assisti ao vídeo de propaganda do candidato pelo PSOL à Câmara Municipal de Belo Horizonte, Ed Marte. Sugiro que assistam à peça publicitária veiculada no YouTube, antes de prosseguirmos.
Achei ser algum tipo de pegadinha, uma brincadeira de algum grupo de direita para desmoralizar o PSOL. Infelizmente, a peça é verdadeira e Ed Marte é mesmo candidato a representar os belo-horizontinos na Câmara. Aqui está a página do candidato Edmar Pereira da Cruz, o Ed Marte.
Segundo matéria do Estado de Minas de (01/06), Ed Marte afirma que a proposta da candidatura dele é fugir do roteiro tradicional do candidato branco, hétero, cisgênero (pessoas cujo gênero é o mesmo que o designado no nascimento).
O real motivo de se lançar tal candidatura é o slogan repetido à exaustão pela quase totalidade da esquerda, de que Ed Marte representa a “diversidade e as minorias que precisam ser empoderadas”.
Ora tenham paciência! O pior é se você achar isso ridículo ou não concordar com esse circo de horrores, com certeza será chamado de fascista, coxinha e reacionário.
O exemplo de Ed Marte é importante nesse momento em que se aproxima a eleição municipal e alguns eleitores achincalham os políticos, muitos deles, reconheço, merecem, mas isso é seguir por uma trilha perigosa que rebaixa toda classe política ao mesmo nível, ou seja, o pior dentre os piores.
Acredito que a busca para um mundo melhor e mais inclusivo passa pela política e dar as costas para os políticos ou votar em corruptos, palhaços ou salvadores da pátria é impedir que se ache uma luz no fim do túnel.
Os políticos desonestos e demagogos devem ser punidos e banidos dos pleitos por meio dos votos, mas é necessário participar, votar consciente, para elegermos os melhores disponíveis, e não se iludam, há sim muitos políticos honrados e merecedores de nosso voto.
A negação da política, por meio das campanhas pelo voto branco ou nulo, ou partindo para o achincalhe, como fazem certos candidatos, só vai piorar ainda mais o que já está ruim.
Em minha opinião, política é coisa séria, pois os eleitos serão os responsáveis por administrar a nossa vida, durante os próximos quatro anos. Um político despreparado ou mal intencionado tem o poder de causar danos irreversíveis na vida das pessoas.
Explico com uma matéria que fiz em Aracruz (ES) sobre a exoneração de um coordenador de Defesa Civil Municipal, mandado ao olho da rua por causa de laudos técnicos, dentre eles uma recomendação para se interditar uma escola, cujo teto ameaçava cair na cabeça das crianças.
Como o cargo dele era da cota de um vereador, o parlamentar achou por bem livrar-se do problema, no caso, o autor dos relatórios, valendo-se de reclamações de pessoas incomodadas com o desgaste causado pela seriedade e diligência do coordenador.
Ressalto que esse parlamentar foi o menos votado na eleição passada daquela cidade (477 votos) e isso mostra o perigo e as consequências quando o eleitor resolve brincar com o voto.
Diante do que foi dito, penso que o cidadão, no pleno exercício da democracia, tem um forte papel no destino do seu país, cujo instrumento é o voto consciente.
Logo, o eleitor que exercer o seu direito ao voto — a partir de uma decisão madura, refletida e consciente — contribuirá para impedir a eleição de maus políticos, garantindo o fortalecimento da democracia e a melhoria na qualidade de vida em nossa sociedade.