Redes sociais 1 X 0 Políticos de Itabirito

Certos parlamentares de Itabirito têm reclamado com frequência da estridente militância nas redes sociais. Eles se dizem perseguidos, tentam desqualificar esses internautas, além de ameaçá-los com processos. Estão somente enxugando gelo. E isso é muito positivo, pois as redes e mídias sociais exercem um imprescindível trabalho de fiscalização e promoção da transparência dos órgãos públicos e da atuação dos políticos.
O poder dessa militância virtual e seu impacto na política local ficaram claros, no dia (20/02). A retirada da pauta do Projeto de Lei responsável por criar secretarias e aumentar o número de servidores comissionados, momentos antes da Sessão da Câmara, mostrou a força das redes sociais daqui.
A publicação de uma matéria sobre a votação do Projeto, por uma mídia de comunicação independente, o compartilhamento da notícia nas redes sociais se tornou viral, daí vieram os intensos protestos dos internautas, seguido de forte mobilização para acompanhar a votação na Câmara com o intuito de pressionar os vereadores contra a medida, assustou o poder político.
Toda essa mobilização foi decisiva para o recuo momentâneo do executivo, que se viu obrigado a retirar o projeto para adequações. Segundo um parlamentar da base, mediante anonimato, todos foram pegos de surpresa com toda a movimentação nas redes sociais e a repercussão negativa nas ruas.
Isso demonstra que as redes sociais quebraram inúmeros paradigmas e um deles foi por fim ao abismo que existia entre os políticos e os eleitores.
Acomodados a um modelo de comunicação assimétrico, os políticos tiveram que se adaptar, pois o eleitorado deixou de ser coadjuvante e passou a impor sua pauta. É aí que está o problema, pois muitos não se adaptaram para isso.
E quando a população se vale das redes sociais para exigir seus direitos esses dois mundos se colidem. A postagem de uma foto com uma rua mal cuidada, a cobrança por melhor funcionamento nos portais da transparência e a fiscalização do trabalho do vereador, acaba irritando a esfera política.
Como consequência, o direito constitucional dos contribuintes de cobrar e de fiscalizar uma atuação republicana e coerente dos vereadores e do prefeito em prol da coletividade é visto como perseguição política e oposição porca.
O melhor de tudo é que os órgãos fiscalizadores têm opinião totalmente inversa a dos políticos. O coordenador-geral de Governo Aberto e Transparência da Controladoria Geral da União, Otávio Moreira de Castro Neves (em depoimento para um artigo meu sobre mídias sociais e fiscalização) afirmou que o uso das redes e mídias sociais é essencial para a promoção de governos mais transparentes, mais acessíveis às pessoas e para a melhoria dos serviços públicos.
Ele garante que as redes sociais contribuem muito para a disseminação de direitos e no caso da Lei de Acesso à Informação não tem sido diferente. Segundo Neves, a divulgação do tema pelos órgãos fiscalizadores e o engajamento dos cidadãos têm contribuído para um crescimento no número de pedidos de acesso e maior conscientização da população no seu papel de controle social da Administração Pública.
Assim mídias e redes sociais, na análise dele, são imprescindíveis para o sucesso da LAI, pois elas são as ferramentas para distribuição desses dados, além da plataforma de articulação política pela sociedade.
É inegável que redes sociais hoje exercem extrema influência no ativismo social e no aumento da participação da sociedade na arena política. Cabe aos políticos se adaptarem a essa realidade, pois conceitos como transparência e fiscalização são a regra e não mais a exceção.
