Alívio

Era um dia aparentemente igual a todos os outros, um céu sem nuvens e o sol pelando. Eis que o Lorenzo, rapaz simpático, jornalista, acorda em um quarto de hospital. Achando estranho o fato de estar em um lugar tão inusitado, pois sempre foi um rapaz saudável, tentou lembrar-se do que havia acontecido. Ninguém vai parar em um hospital de uma hora para outra estando sadio. Nada. Não se lembrava de nada, nem mesmo se foi ou não ao trabalho. Até que uma enfermeira entra no quarto com um bebê nos braços.

— Bom dia… Lorenzo. É esse seu nome, não é?

— Sim, mas…

— Aqui está seu filho, é um menino lindo! Parabéns. — Interrompendo Lorenzo.

— Filho? Isso é algum tipo de brincadeira? Já sei, tem câmeras escondidas. — Rindo de nervoso.

— Não entendi. — Surpresa com a reação do rapaz.

— Querida, eu sou homem. Homens não possuem útero e nem sou casado para ter filhos.

Na verdade Lorenzo nunca namorou. Sempre foi um pouco insensível, o contrário do que as mulheres gostam, ou pensamos que gostam. Ele também nunca pensou em namorar, achava perda de tempo pois sempre focou nos estudos já que ninguém na família possui ensino superior.

— O senhor deu entrada hoje pela manhã nesta unidade hospitalar em trabalho de parto, aqui está seu filho. — Disse a enfermeira tentando explicar.

— O que houve? Deus resolveu abençoar-me com filho assim como fez com Maria, mãe de Jesus?

Realmente não havia lógica no que a enfermeira falava, homens não engravidam, é anatomicamente impossível. Após passar vários minutos tentando convencer o rapaz, sem sucesso algum, que ele deu a luz a uma criança, a enfermeira deixa o bebê nos braços do Lorenzo e sai.

— Eu… Grávido… Impossível!

Lorenzo estava cada vez mais irritado com aquela situação. Das duas uma: Ou era um sonho ou uma grande pegadinha. Tentou imaginar como seria cuidar de um filho: Acordar de madrugada com o bebê chorando, trocar fralda, alimentar, dar amor, carinho, levar à escola, os problemas que viriam quando ele chegasse à adolescência. Ele já estava fincado desesperado…

O despertador toca. Lorenzo acorda. Nenhum bebê. Nada de roupa ou ambiente hospitalar. Apenas ele, seu pijama e seu quarto bagunçado. Era apenas um sonho ou pesadelo. Para não lhe restar dúvida correu para observar no espelho se havia algo diferente em seu abdômen. Nada. Respirou aliviado.

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