Fuga nº 7

Eu precisava ser rápido se eu realmente quisesse fugir daquele lugar. As pessoas não entendiam minha vontade de ser livre. Eu estava determinado em dar o fora dali, mas não confiava muito em meu plano, eu o havia criado cinco minutos antes, não tinha todo o tempo do mundo para bolar uma fuga.

Havia dois guardas no portão: Um tinha cara de bravo, barba cheia, careca e dava a entender que não gostava do trabalho nem da vida que levava, o outro era bem distraído, também barbudo, mas menos que o primeiro, dava bom dia a todos que passavam e estava sempre sorrindo. Ambos eram altos. O portão não era grande, dois metros e meio de altura e 3 metros de largura, no momento estava sem cadeado, o que me deixou mais confiante, apenas dois ferrolhos vagabundos. Não seria difícil de abrir.

Sem delongas fui de encontro aos guardas. Eu só precisava distraí-los…

- Bom dia, guardas. — Cumprimentei.

- Bom dia. — Responderam. O bravo nem sequer olhou pra mim.

- A cozinheira está precisando de ajuda para levar algumas caixas para o refeitório e pediu para que eu chamasse vocês dois.

Foi o melhor que eu pude inventar. Na verdade, eu não achei que eles fossem cair nesse papo de tão ridículo que era, nem eu mesmo acreditaria, mas eles acreditaram o que me deixou surpreso, alegre e confuso. Eles saíram. Era a minha chance. Puxei a cadeira de um dos guardas, subi, abri o ferrolho de cima e em seguida o de baixo. Abri o portão com cuidado para não fazer nenhum barulho pois poderia estragar minha fuga.

Corri igual a um animal preso que acabara de adquirir a liberdade.

Para a minha tristeza e desespero havia outro portão e este estava devidamente trancado fazendo o plano ir por água a baixo. Talvez fosse por isso que os guardas não hesitaram em sair do posto deles para ajudar a suposta cozinheira que necessitava de ajuda. Fui parar na sala da diretora, mais uma vez, por tentar sair da escola sem permissão. É nisso que dá não planejar a fuga com cautela e não ter um plano B. Se bem que foi até melhor assim, recebi três dias de suspensão. Ironias da vida.

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