O guia definitivo do DMR (2016/2017)

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Esta é uma tradução do artigo no reddit escrito por snakebitey.

A ideia desse guia vem da publicação do vindicareassassin no fórum airsoft sniper em 2010. Essa é a versão traduzida do /u/snakebitey, atualizada para 2016/2017.

Muito mudou entre 2010, quando o guia original foi escrito, e agora, tanto em tecnologia quanto em teorias. Um ponto são os diversos sistemas de propulsão usados atualmente — gás e HPA (ar comprimido) são opções para projetos de DMR, assim como AEGs. A maior parte deste guia vai cobrir sistemas baseados em AEGs por terem a mecânica mais complicada, mas também citará os outros.

Haverá diversos termos usados neste guia que você pode não estar familiarizado. Os conceitos mais básicos não serão explicados aqui, então é bom pesquisar quando tais dúvidas surgirem. Este é mais uma visão geral ao invés de um guia passo-a-passo.

Há de se definir duas coisas de uma vez para o entendimento deste guia — um DMR neste contexto é uma arma travada para semiautomático e que é usada como um fuzil de precisão para longas distâncias. Isto não quer dizer que este guia não pode ser aplicado para qualquer arma, porém obviamente alguns itens não serão relevantes para a maioria das armas.

Segundo é o que significa alcance — existe alcance máximo e alcance efetivo. Alcance máximo é o quão longe uma arma consegue atirar a BB, com precisão ou não. Alcance efetivo é quão longe uma arma pode acertar um alvo com certo grau de confiança. São aspectos diferentes e um DMR precisa de ambos maximizados.

Um verdadeiro DMR para airsoft é uma máquina complexa — precisa unir tudo que faz um bom fuzil spring com tudo que faz uma boa AEG. Se o objetivo é um fuzil de precisão que acertará alvos a cem metros, é necessário devotar bastante tempo e energia para isso — não é prudente pensar que basta juntar as partes certas! Muita leitura, tanto a esse guia quanto a outros, é necessária para aprender como montar um monstrinho.
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Então, o que faz um bom DMR de airsoft?

  1. Uma montagem de cano estável e consistente — hop consistente junto a um cano bem acabado.
  2. Uma saída de potência consistente — Idealmente mais ou menos 1 fps de variação. 2 ou 3 no pior caso.
  3. Resposta de gatilho quase instantânea
  4. Munição pesada e de alta qualidade
  5. Uma plataforma adequada

Um aspecto conta sobre todos os outros quanto a precisão no airsoft: consistência. Consistência em tudo que a arma faz — potência, aplicação de hop, tudo.


Este guia se divide em cinco seções:

1 — Cano e montagem do hopup

2 — Potência

  • AEGs — gearbox e elétrica
  • HPA — motores e escolhas
  • Gás — sistemas e consistência

3 — O sistema como um todo

4 — Redução de ruído

5 — Escolhendo uma boa plataforma e outros aspectos

1 — A unidade de Hop e o cano

O hopup é uma das partes chaves para melhorar seu alcance efetivo.

O principal trabalho do cano é dar à BB um lugar para acelerar na onda de pressão gerada pelo gearbox.

Algo a ser clarificado desde já: comprimento e espessura do cano NÃO IMPORTAM — eles não tem um efeito significativo na precisão. Eles afetam alguns outros fatores, mais abaixo relacionados. Acabamento da superfície interna é o maior fator.

Um bom cano tem uma superfície interna muito lisa que deixa a BB passar sem adicionar nenhuma fricção desnecessária ou batidas — imperfeições ou sujeira no cano são pontos que a BB vai atingir adicionando ricochetes aleatórios. Aleatoriedade = inconsistência = falta de precisão.

Um cano limpo e bem polido vai produzir os melhores resultados.

Para se conseguir este acabamento, canos podem ser polidos. Há diversos guias e vídeos sobre barrel lapping disponíveis na internet. Não é necessário descrever o processo aqui. Um bom polimento pode tornar até mesmo canos baratos em lançadores de BB decentes — é bom checar se o cano está reto também.

Como mencionado acima, comprimento parece não ter um efeito significativo na precisão. É praticamente impossível testar empiricamente já que há diversas outras variáveis ao se trocar um cano. Comprimento tem um grande efeito, na verdade: eficiência. Um cano maior vai dar à BB mais tempo para acelerar, o que significa que uma mola mais fraca (ou menos volume em sistemas a gás) pode ser usada. Isto pode ou não ser relevante ao projeto, porém é uma questão individual que vale ser mencionada.

Outro efeito que um cano longo tem é deixar a arma menos manobrável — uma arma comprida é mais difícil de movimentar sob cobertura, através do mato, em combate fechado, etc. Também é mais pesado. Outro aspecto a considerar.

Canos mais estreitos são mais eficientes, já que menos gás escapa ao redor da BB. Canos estreitos também precisam de constante limpeza, já que sujeira causa maior perda de precisão que em canos mais largos — é consenso que a BB tem mais espaço para “ricochetear” por cima das partículas de sujeira em canos largos. O mesmo vale para falhas no acabamento da superfície do cano.

Também é consenso que canos mais compridos podem ser menos precisos devido a maior chance de uma BB passar por uma sujeira ou falha. De novo, difícil de mostrar empiricamente.

O mais recomendado é um cano de comprimento médio com uma largura média para atingir um bom equilíbrio entre eficiência, manobrabilidade e rotina de limpeza. Pode-se decidir pela eficiência de um cano mais comprido e estreito para um projeto de HPA/CO2, ou mesmo um curto e largo para uma arma compacta com menos manutenção. Há opções.

O material do cano também é importante mencionar. Aço inoxidável é uma ótima escolha por ser forte, resistente a corrosão e pode atingir um acabamento da superfície muito bom. É bem denso, o que é bom para absorver vibrações, aumentando a consistência.

Canos de latão podem corroer e são mais macios, portanto mais propensos a danos acidentais ou arranhões por sujeira no cano. Latão é um pouco mais denso que aço inoxidável, então é um pouco melhor em absorver vibrações. Canos de alumínio são macios e muito leves — estes devem ser evitados.

O sistema de hopup é a chave absoluta para um fuzil preciso. Não se faz aqueles disparos incríveis sem a atenção primordial a esta parte. O sistema encontrado em praticamente todas as arma de fábrica são optimizados para facilidade de fabricação e montagem, não para a melhor performance. É preciso mudar isto.

Atualmente R-Hop é o melhor método. É melhor porque aplica o backspin para a BB da forma mais consistente. Há diversos guias e vídeos sobre como funciona e como fazê-lo, portanto não há necessidade de esmiuçar aqui. Outra modificação fácil de aplicar, porém menos efetiva, é o flat-hop. Este é uma boa maneira introdutória de como modificar seu hopup e muito melhor que a configuração padrão, mas R-Hop é ainda melhor e deveria ser o objetivo para montar um DMR.

Ambos os métodos precisam trocar o nub por algo que aplique a pressão por toda a área da janela do hopup e a melhor maneira é com um m-nub feito com borracha caseira. Pode-se adquirir nubs prontos para flat hop que são mais fáceis de instalar, porém menos efetivos.

Você está montando um fuzil de precisão. Instale um R-Hop e um m-nub. Vale o tempo e o esforço!

Há diversas variações quanto às câmaras de hopup, mas uma boa pedida é uma câmara sólida feita de somente uma peça. Sua câmara de fábrica pode até servir, então não a substitua caso não precise. Por calços em volta do braço de hopup se há algum movimento é essencial — estabilizando o braço, já que significa mais consistência. Pode-se fazer calços de finas folhas de latão, plástico, folhas de alumínio, etc.

Câmaras muito populares são feitas pela Lonex e ProWin. A ProWin usa um disco rotatório similar ao ótimo design da P90, mas pode ser difícil quanto à compatibilidade com alguns buckings. O Lonex tem um design mais convencional, mas feito com menos tolerâncias e é mais compatível.

A montagem do hopup é vital para garantir uma boa vedação — ar vazando pelo cano causa inconsistências. Fita teflon deve ser usada para vedar a borracha de hopup ao cano (não muito!), e o cano deve ser inserido na câmara sem necessidade de força (uma fina camada de silicone em volta da borracha pode ajudar, mas jamais no interior). É preciso cuidado para alinhar o cano corretamente, sem gira-lo o menor grau. Se o cano não está seguro na câmara pelo clip, pode-se tentar usar fita ou trocar a câmara para uma que o segure firme — ninguém quer um cano que se mexe!

Agora com o cano e o hopup prontos para instalar, precisa-se de um encaixe justo no cano externo. Normalmente uma única camada de fita teflon ou isolante é suficiente. É bom aplicar de forma espiral para prover suporte uniforme ao longo de seu comprimento e gotejar um pouco de silicone para que não fique preso.

A última, e mais importante, parte é fazer o possível para tentar remover vibrações do cano e da câmara de hopup. Uma mola na frente da câmara, acima do cano ou ao redor, ou mesmo o-rings ao redor do cano podem forçar a câmara de hopup contra o gearbox, ajudando a manter a vedação e uma posição consistente.

Também deve-se procurar maneiras de estabilizar o cano externo no chassi, trilho, handguard, etc, já que o quanto menos vibração, melhor.

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2 — Potência

Maior fps = maior alcance máximo — uma arma mais potente pode empurrar uma BB mais longe. Não há debate aqui, é física simples. Há de se observar que mais fps não significa mais alcance efetivo. Na verdade, normalmente é o oposto já que mais potência exagera quaisquer inconsistências, fazendo os disparos mais distantes um do outro.

Um DMR deve ser afinado para o limite de fps/energia de seu campo para ter o maior alcance possível.

Tenha noção dos efeitos “joule creep” (pesquise!) e não seja um mané se seu campo cronografa somente com 0,2g. Suas outras modificações também garantem que seu alcance efetivo aumenta.

Há três principais métodos de propulsão atualmente: AEG, HPA e gás:

AEG

Um DMR elétrico precisa de um gearbox com resposta de gatilho extremamente rápida, com uma construção forte o suficiente para fazer dezenas de milhares de disparos de alta potência, com a saída de potência mais consistente possível. Este guia não irá sugerir partes específicas, mas analisará os componentes e o que se deve buscar. O ideal é comprar peças de qualidade da mesma marca para uma melhor interação entre estas.

Começando pelas engrenagens: armas disparando até 450 fps devem usar engrenagens 13:1, a partir de 450 fps há uma melhor performance usando 16:1 (mas pode usar 13:1 tranquilamente).

Engrenagens de torque podem parecer uma melhor escolha que engrenagens de alta velocidade para puxar molas mais fortes, porém são lentas. Engrenagens lentas significam resposta de gatilho lenta — isto é ruim! Com baterias de lipo e motores de torque com ímãs de neodímio (mais abaixo citado), engrenagens de torque são irrelevantes.

Calços nas engrenagens são importantes. Deve-se tomar tempo para estudar isto, ler alguns guias, especialmente o método pinhão-engrenagem chanfrada (bevel-to-pinion).

Deve-se também escolher buchas de alta qualidade — não rolamentos! Rolamentos são propensos a falhas, especialmente em projetos de alta pressão como um DMR. A confiabilidade das buchas valem o pouco a mais de fricção.

Tecnicamente, uma bucha é um tipo de rolamento, e “rolamentos” de airsoft são rolamentos de esferas, mas para facilitar o entendimento, aqui são usados os termos mais comumente usados no meio: buchas são solidas, rolamentos tem pequenas esferas.

[Nota do tradutor: ultimamente tem se usado também rolamentos de cerâmica que são extremamente resistentes, porém tem custo elevado. Um ponto negativo é a dificuldade de encaixar calços já que são mais grossas que as de aço.]

O motor deve ser um de alto torque com ímãs de neodímio. 22 tpa ou mais é o ideal.

O pistão deve ser trocado por um que possa suportar mais fricção. Foi dito anteriormente que marcas não seriam citadas, mas os pistões azuis da SHS com dentes de aço são muito resistentes. Deve-se evitar os com dentes de plástico, pois não vão durar com tanta força aplicada.

Qualquer um que está modificando uma AEG deve fazer isso: correção do ângulo de engate. O primeiro dente da engrenagem engate deve encontrar o primeiro dente do pistão quando na posição 12 horas, o que significa remover o segundo e normalmente parte do terceiro dente do pistão. Há diversos guias online para isso (AoE correction). Isso ajuda na conservação a longo termo.

A maneira mais consistente de fazer a correção do ângulo de engate é com espaçadores sólidos entre o pistão e a cabeça do pistão, porém em gearboxes V2 que são propensos a quebrar ou quando se deseja uma arma mais silenciosa, é possível usar sorbothane e neoprene entre as cabeças do pistão e do cilindro. Novamente, há diversos guias disponíveis. É necessária atenção ao fazer tal ajuste com sorbothane ou silicone já que deve-se levar em conta a compressão destes quando a mola é encaixada.

Se possível, deve-se usar uma cabeça de cilindro construída como uma só peça, em vez da original em duas partes de diversas armas de fábrica, que podem vazar ar entre a cabeça e o tubo do nozzle. A maior parte das cabeças de cilindro vendidas como upgrades são de uma só peça. Pode-se usar as de dupla vedação, também. Desde que não haja vazamentos no encaixe do cilindro, é o que conta. Também pode ser usada cola de silicone para garantir uma vedação perfeita.

Ao escolher um cilindro, deve-se levar em conta a proporção entre o volume do cilindro e o volume do cano pretendido, já que isto maximiza a eficiência do sistema de pressão. Um número básico é o cilindro ter pelo menos 1,7 vezes o volume do cano, mas isto vai variar dependendo do peso da munição e da largura do cano usado — quanto mais pesado ou mais largo, mais ar é necessário. Uma razão de 2:1 parece funcionar bem. Excesso de de volume de ar é preferido ante a menos ar que o necessário. A maioria dos DMRs com cano acima de 400mm precisarão de um cilindro inteiriço para prover ar suficiente. Kits de aumento de largura somente são necessários se é pretendido usar canos de mais de 600mm (ou canos largos acima de 350mm). Novamente, é necessário estudo. O cilindro de fábrica talvez possa servir, mas deve ser bem polido. Não é preciso comprar peças caso as originais sirvam!

A cabeça do pistão deve ter uma boa vedação com o cilindro. É uma boa ideia esticar o o-ring — encaixar o o-ring envolta do cilindro e, usando uma chama de baixa intensidade (como um isqueiro), aquecer o o-ring girando o cilindro de forma constante até que este esteja quente ao toque e então deixar esfriar. Quando estiver frio, deve ser limpo e encaixado no pistão, espalhando silicone como normalmente faria para lubrificação. Um rolamento na cabeça do pistão vai ajudar à mola comprimir e descomprimir com menos fricção, levando à maior consistência.

De forma similar, um guia de mola com rolamentos também deve ser usado.

Gearboxes V2 são propensos a quebrar na área em volta da cabeça do cilindro em projetos de alta potência, então pode-se usar uma lima pequena e arredondar as quinas da janela do cilindro, caso não estejam dessa maneira.

Para garantir uma alimentação boa de BBs no hopup, pode-se afastar o tappet plate por volta de um milímetro. Pode ser usado um puxador mais largo na engrenagem de engate ou colar um pequeno tubo aumentando o puxador existe.

Ainda no tappet plate, é possível raspar meio milímetro da frente deste para permitir o bocal de ar pressionar com mais força o bucking, ajudando a vedar com bocal da borracha. É preciso cuidado para não remover a aba que segura o nozzle e caso pareça que vai acontecer, também é possível limar um pouco do gearbox (ou uma combinação de ambos).

Geralmente, em armas como o M4 ou o G36 que usam uma mola para puxar a placa, isto não é um problema, mas em armas como a G&G M14, onde a mola empurra a placa, talvez seja necessário colocar um espaçador, porém não muito maior que a mola não possa comprimir.

O bocal de ar (nozzle) deve ser trocado por um com o-ring interno para prevenir ar vazando entre aquele e a cabeça do cilindro, o que causa mais inconsistências. Uma observação: os da SHS costumam ser de tamanhos fora do padrão que causam defeito na alimentação de diversas armas.

Para ajudar no posicionamento da BB na mesma posição a cada disparo, é possível tirar um pouco (mas bem pouco) de material da ponta do bocal.

Finalmente, é necessário polir toda superfície móvel no gearbox para máxima suavidade — os trilhos guia do pistão e do tappet plate, e quaisquer outras partes da carcaça que entrem em contato com partes móveis. Também deve-se polir qualquer parte menos bem acabada.

Trava do semiautomático depende de qual gearbox está sendo usado quanto ao que deve ser feito para funcionar, variando de cortar a placa de seleção à remoção do braço, mas é necessário fazê-lo. Um DMR não atira em rajadas. Também é possível usar MOSFETs computadorizados para isso:

MOSFETs são chaves controladas eletronicamente que permitem a corrente passar diretamente da bateria ao motor, em vez de através dos contatos do gatilho. Isso melhora a eficiência elétrica e consistência, e ainda protege os contatos. Deve-se usar um para qualquer bateria acima de 9V, e mesmo abaixo disso para ter uma melhor eficiência elétrica.

Um pequeno aviso: algumas lojas vendem controladores busrts plug and play chamando-os de MOSFETs. Estes não protegem os contatos de gatilho. Se é plug and play, não é bom.

MOSFETs com active breaking (AB) usam uma pequena corrente de eletricidade com a polaridade invertida para parar o motor mais rapidamente entre os disparos. Isto vai causar um pouco mais de desgaste no motor e nas engrenagens, mas vai prevenir excesso de giro e parar o motor em uma posição mais consistente. O guia original mencionava a possibilidade de remover a trava anti-reverso com um aparelho desse tipo, porém não há necessidade, já que há o risco de o gearbox girar demais e não ter nada para impedir que volte um pouco e arranque a tappet plate, ou pior!

MOSFETs computadorizados podem travar a arma para semiautomático eletronicamente, permitindo a remoção da alavanca de corte. Isso vai previnir o travamento de semiautomático recorrente em armas de menor qualidade. Alguns também podem pré-engatilhar o gearbox, o que é ótimo para resposta de gatilho, porém péssimo para a durabilidade. Também é possível modificar mecanicamente o gearbox para isso (novamente, há guias online — ou compre uma PSG-1).

A fiação deve ser de silicone ou teflon de baixa resistência, preferencialmnete de 1,29mm. 1,02mm pode servir também, caso fios mais grossos não encaixem bem. Conectores devem ser Deans ou XT60 para menor resistência.

Baterias são a fonte de potência e é preciso uma que seja forte o suficiente. Se há um MOSFET, deve-se usar baterias de LiPo de 11.1V com pelo menos 40A de descarga não contínua. 40A vão garantir que a resposta de gatilho não baixe e diminuir o efeito de clima frio e do envelhecimento.

É preciso um pouco mais de cuidado com baterias desse tipo, especialmente durante a carga, porém é valido devido ao aumento de performance. Deve-se pesquisar bastante sobre o tema e agir com segurança!

Isso é tudo para projetos de AEG, por hora.

SISTEMAS HPA

Há diversas opções, mas os líderes de mercado atualmente são o Wolverine Inferno Gen 2 para substituição de cilindro, o Polarstar Fusion para substituição de gearbox e o Mancraft PDiK como uma opção totalmente mecânica para substiuição de gearbox.

Sistemas HPA são alimentados por uma fonte de ar (ou CO2) através de um registro e são muito ajustáveis, muito consistentes e muito silenciosos. São a melhor escolha sob um ponto de vista de performance, e com a crescente disponibilidade de fontes de ar e adaptadores para cartuchos de 12g de gás carbônico (Mancraft MASS, MARS e Wolverine Wraith para exemplificar alguns) mesmo o lado negativo de ter que usar uma mangueira de alimentação se esvai.

Não há muito a ser dito sobre estes, já que têm suas próprias peculiaridades e procedimentos de montagem, porém é certo que há bastante informação online disponível. Tenha em mente que estas não são solução plug and play e vão requerer tempo para ajustes, mas são certamente mais fáceis que uma AEG.

Pontos negativos são a necessidade de uma fonte de ar e o custo.

SISTEMAS A GÁS

Nos últimos anos, armas a gás tem ficado bem populares. Há a fantástica KJW KC-02 e um grande número de armas básicas disponíveis. Também há opções como a conversão de carabinas MK23, e ainda outras NBBs como a KJW MK1, etc, que podem servir como uma boa opção de fuzil semiautomático leve.

Essas armas se alimentam de gás armazenados sob pressão na forma líquida dentro dos carregadores, inerentemente inconsistentes devido às mudanças de temperatura. Para ser realmente consistentes, precisam ser adaptados para HPA (HPA-tapped magazine, pesquise), o que é um ponto negativo por diversas razões, e um monte de modificações internas também são necessárias. Não é recomendado uma arma a gás em detrimento de uma AEG ou de um sistema HPA, então não serão esmiuçadas aqui, porém certamente são divertidas.

Isto tudo não quer dizer que uma arma a gás não pode ser transformada em um fuzil de precisão decente, porém é muito mais trabalhoso e se você está lendo esse guia pela primeira vez, provavelmente não será o projeto ideal ainda.

3 — O sistema como um todo

Agora que tem-se esse monte de peças, é preciso junta-las. Um bom DMR tem um gearbox bem suportado, que é ligado a uma câmara de hopup bem suportada, que atira uma BB através de um cano bem suportado. “Bem suportado” se repete bastante aqui. Para qualquer um que já tenha montado um fuzil por ação de mola, uma das primeiras coisas ditas a se fazer e com efetividade comprovada é encaixar estabilizadores de cano entre o interno e o externo para reduzir a vibração, mas é surpreendente quantos jogadores com AEGs colocam um cano estreito (erroneamente vendido como cano de precisão) e não estabilizando-o, resultando em somente um percentual da precisão que poderiam obter.

Reduzir movimento e alinhar as partes corretamente é importante. É difícil ser específico, mas deve-se tentar eliminar qualquer movimento indesejável. Fita, parafusos extras, o que seja.

Espaços ocos devem ser preenchidos com algo que absorva os sons de disparos e de chacoalhar — espuma, pedaços de pano, qualquer coisa que absorva tais vibrações. Este preenchimento também contribui com o equilíbrio da arma — atiradores de arma de fogo sabem há anos que deve-se ter 75% do peso do fuzil equilibrado na mão do gatilho. Por que no airsoft deve ser diferente? Um fuzil equilibrado parece muito mais leve ao segurar, mesmo que tenha que adicionar um pouco de peso para isto.

4 — Redução de ruido

Qualquer coisa que possa fazer para reduzir os sons mecânicos e de disparo da arma é algo bom. Isto dá a chance de permanecer não detectado por mais tempo, possibilitando um segundo, terceiro e até mesmo um quarto disparo, se o tempo entre estes é longo o suficiente, da mesma posição.

Armas HPA serão as mais silenciosas, já que não possuem partes móveis, somente o ar comprimido sendo liberado.

Sorbothane na cabeça do cilindro, espuma acústica envolvendo o gearbox e supressores de espuma — todos ajudam.

Ou o oposto pode servir, pode se querer uma arma barulhenta que chame atenção.

5 — Escolhendo uma boa plataforma e outros aspectos

Então, qual das opções citadas acima é uma boa escolha? Na verdade, boa parte é questão de preferência pessoa. Uma recomendação: algo não tão longo e pesado.

Como mencionado no começo, BBs pesadas e de boa qualidade são tão importantes quanto um bom projeto. Escolher o peso certo é chave para atingir distâncias maiores. BBs mais pesadas tendem a ser mais precisas e são, na verdade, mais rápidas para acertar alvos acima de 30 metros, já que desaceleram menos. Deve-se experimentar e ver o que funciona melhor para cada arma, sempre usando a BB mais pesada que o sistema consegue aplicar hop. Um guia básico para se começar:

  • 350–400 fps — 0,32g ou mais
  • 400–450 fps — 0,36g ou mais
  • 450–500 fps — 0,4g ou mais
  • 500 fps ou mais — 0,43g ou mais
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Por último, gostaria de agradecer a vindicareassassin por dedicar um tempo para escrever o guia original.

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