Simbologias de castidade e libertinagem ao redor do meu torso sugerem que sou mais um deles; Os filhotes da madrugada. 
Crias dotadas de garras e dentes afiados e uma masculinidade de papelão.
Os portões do céu trancados a sete chaves e a boca do inferno ardendo em tentação. Toda a dualidade conflituosa no âmago do meu ser sugeriam o que para muitos jovens seria lidado como puro maneirismo,desde a habilidade precoce com tesouras à manusear cigarros como atores franceses dos anos 50.
Alegorias bissexuais? Modus operandi? Crise de meia idade? Homossexualismo tardio? Síndrome de Bournout?
Coisas fáceis de lidar se você ignora o fato de que sou um homem de 34 anos solteiro morando em Copacabana.

É domingo, o dia esta ensolarado são 9:37 da manhã.
Decido me trocar para ir tomar banho de mar na praia.
- Sunga branca: Ok 
- Chinela havaiana 42: Ok
- Óculos Ray Ban modelo aviador: Ok
- Boné John John: Ok
- Canivete Suíço: Ok

Pois bem, por incrível que pareça o sexo anal não é enquadrado como estupro no Brasil, não sou uma bicha louca então se for preciso como o seu cu, arranco seu pau fora e te faço engasgar nele provando do seu próprio sangue, 
miserável filho da puta!

Desço o elevador de serviço e se meu cronograma estiver correto vou cruzar com Hugo e Guilherme, os gêmeos do 602 à caminho da sua aula de surf,
assim podendo me exibir e desfrutar da visão dos seus corpos jovens e bronzeados.

Em uma fração de segundos me deixo levar por pensamentos sórdidos,
profecias maias e a marca da maldição passada de 600 em 600 anos de gerações da qual fui incumbido de carregar.

Enquanto saio do meu prédio e dobro a rua Sá Ferreira, pondero sobre cirurgias de troca de sexo.

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