Quarta e ultima
Era uma manhã de segunda, Março de 2015. Por muito tempo esperei pra entrar no curso que queria, desanimada fui me inscrever na lista de espera. Ao chegar la fui recebida por uma senhora simpática, professora Elaine, que virou pra mim sorrindo e disse “Espero que você passe, Myrella! Boa sorte!”, aquelas palavras animaram meu dia. 5 dias depois o resultado saiu, eu passei! Um tempo depois descubro que professora Elaine é professora de Literatura, fiquei mais encantada ainda. Sempre encontrava com ela pelos corredores e era contagiada por aquele sorriso.
Hoje pela manhã recebi a notícia: professora Elaine havia sido vencida pelo câncer. Meu mundinho caiu ao perceber que aquele sorriso não estaria mais nos corredores, pensei na dor das pessoas bem mais próximas a ela, pensei nas marcas que ela havia deixado… pensei muito. O dia foi triste.
Por coincidência ao passar músicas encontrei Na Hora do Almoço de Belchior. Na letra tem o seguinte ftagmento:
E eu inda sou bem moço pra tanta tristeza.
Deixemos de coisas, cuidemos da vida,
Senão chega a morte ou coisa parecida,
E nos arrasta moço sem ter visto a vida
Fiquei pensativa durante horas, ainda estou e provavelmente ficarei a noite toda (são 01:18da madrugada). O baque de uma notícia ruim aumenta a vontade de viver e ser útil e de alguma maneira contagiar alguém. Somos moços pra tanta tristeza, a tristeza sempre ronda mas talvez o sorriso a aniquile (um pouco). Ser um sorriso no lugar de um sorriso. A vida é curta ne? Curta.
Não tem receita.
