O desconcerto companheiro

Ando desconcertado, meu coração quebrou uma vez, quebrou duas vezes, quebrou mais uma agora, e não estou falando de amor ou relação alguma com alguém, o meu coração parece que não espera mais esse tipo de coisa chegar pra se quebrar, e ele demora pra se curar, e finalmente voltar a bater como antes… eu poderia chamar isso de um estranho transtorno, doentio.

A luz no fim do túnel? Ela existe, eu falo e escrevo isso com toda a certeza… mas a questão é que, até ela chegar, eu já terei que ter superado tudo, tudo o que acontece. Eu não sei o dia de amanhã e dou graças a Deus por isso, seria como um cartão de crédito se a vida fosse assim… “ah, eu posso fazer isso, amanhã pagarei por tal, mas eu me resolvo depois”. Não… melhor não!

Li uma crônica recentemente falando sobre “pensar” e tudo dali entrava na minha mente claramente como uma bomba… e é verdade, pensar é um troço louco, esquisito. Não necessariamente existe um aprendizado pra pensar, você é levado a pensar coisas boas pelas pessoas que gostam de você, mas isso não é aula nenhuma. Talvez o problema seja esse, eu faço tão bem as coisas quando eu me mantenho quieto e não tão pensativo, eu quero estar em movimento pensando mais, e quieto no meu canto pensando menos, é um verdadeiro desafio, talvez seja mais seguro pra mim que seja dessa forma, porque não vou quebrantar tanto meu coração, todos os dias, todas as horas, todos os segundos.

Eu me quebranto por cada coisa… eu perco coisas que quase nunca tive, e isso só me afeta quando eu realmente percebo que eu não tive, ou não quis ter, e a frase que eu mais ouço a respeito disso tudo é “a vida é assim”, mas isso não entra na minha cabeça, e eu não duvido nada que seja verdade, mas mesmo assim, é injusto demais.

Talvez no futuro eu me surpreenda e agradeça ao destino por se tornar tão menos cruel, é egoísmo pensar assim? Meu coração ainda vai aguentar, mesmo com tantos curativos?


Lucca Diniz, 2017

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