Desabafo
Eu tenho problemas com começos, meios e fins.
Nunca sei como, quando e por onde começar. Não consigo me concentrar no que se passa no meio. E nunca sei se o fim já chegou ou se nunca vai acabar.
A linearidade já não me acompanha faz tempo e nenhum pensamento se torna completo. Não há ordem, só o caos de pensamentos hostis e incontroláveis.
Sempre me perguntei se deveria escrever sobre a realidade ou se como todo bom escritor mistificar.
Quando eu tinha 6 anos queria ser escritora, depois musicista, depois artista plástica, depois atriz, hoje creio que falhei em tudo. Falhei. Nada tentei e me culpo.
Penso no que fazer, por onde começar. Estou deitada com meus bichinhos, já não sei mais como é a vida sem eles.
Não posso me mexer, atrapalhar a paz com todo meu descontrole de não conseguir achar a minha paz. Paz. Lágrimas começam a se formar.
O descontrole vem com uma alta dose de “tenho que me controlar”. Não sei mais quando sou eu ou a minha versão de “não seja assim, todos vão se assustar”.
A insegurança me acompanha há algum tempo. Hoje eu assumo? Não sei se sou aquela do começo, se estou no meio ou se já cheguei ao fim. Queria estar no fim, queria fazer sentido, queria ser alguém, queria. Quero.
Olha lá, me perdi de novo. A intenção era divagar sobre se se deve escrever o real ou se nem tudo é como o meu diário.
Pobre dele, tão largado e cheio de lágrimas. São tantas repetições do que queria ter feito, de quem devia ter sido. Quem me rege? É como se eu tivesse perdido o rumo da minha vida e na verdade nem sei se ela começou.
Cobranças aliviadas por conversas choradas. Aliviadas? Não sei, mas ao menos sentidas. Quanto a isso fui sempre fiel, se a dor deve ser sentida, tenho certeza de que isso eu atingi. Taí, talvez algo para se orgulhar. Mas logo outro pensamento pode vir e eu me sentir culpada por me sentir tão mal. Queria ser alguém melhor, eu juro que tento. Quero.
A hora de parar? O fim já chegou? Ou será que estou no meio? Um novo começo? Talvez