Tentativas
eu tento escrever poemas sobre você,
deixo todos na metade,
como nosso próprio amor.
a tarefa árdua de colocar tudo para fora e
a ânsia de guardar tanto sentimento,
me fazem ser incapaz de finaliza-los.
as metáforas ficam entre a permanência
e a incapacidade de continuar.
estes versos, de vez em sempre, querem ser perpetuados,
contudo, porém, entretanto,
algo os bloqueia.
talvez medo,
talvez falta de amor,
talvez cumplicidade,
talvez falta de comunicação,
talvez o próprio talvez.
a cerne de tudo é a finalização destes poemas,
principalmente este.
este que tem gosto de mil-folhas,
(e eu nem gosto de mil-folhas),
este que tem cheiro de esperança,
este que tem presença de potencialidade,
este que possui asas de Eros.
há uma gama de coisas acontecendo comigo,
mas, entre os quereres,
o maior é perpetuar este poema,
colocar versos novos e sempiternos.
(saudade de dormir com você,
naquela sua pequena cama)
(saudades conversar com você durante madrugadas)
(saudades do teu cheiro, teu toque, tua risada)
mas, por ora, esse poema tem um fim.
Não terá, caso você ainda queira.
E eu quero.
