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Clara Schianta
Aug 26, 2017 · 1 min read

Eu me vi; Escondida atras das minhas palavras

escorregando por cada mentira que dizia a mim mesma

eu me vi fugindo de todas as formas que o amor se apresentou para mim

eu me vi desesperada e com medo de acabar com tudo de bom que havia cultivado no meu coração

fui enchendo

inundando

me afoguei em temores irracionais, mas que existiram — eles me tocaram quando pedia para que parassem, para que me esquecessem

e quanto mais tentava escapar mais afundava

fui me perdendo até esquecer quem era

quem amava

quem vivia ali?

tudo era como meu maior pesadelo

tinha deixado de sentir, apesar de continuar respirando

via os outros a minha volta como marionetes macabras dançando com um sorriso falso congelado no rosto

quando me olhei no espelho não tinha boca

não podia mais falar

não podia mais beijar

e meus olhos cristalizaram de pavor

vidrados — refletiam meu desespero e meu medo

eu me vi então

com a solução de todas as minhas dores nas palmas das mãos

bem na minha frente

eu era a resposta

eu era ao mesmo tempo a doença e a cura; o amor e ódio; o medo e a coragem

eis que meus lábios abriram como um abraço me acolhendo de volta

sentindo e respirando

com os olhos marejados de alegria — não me escondia, não precisava mais

)
    Clara Schianta

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    Piena di meraviglie, paure e un sacco di sogni.