Desventuras em série

Sabe quando você acorda e tem a sensação de que seu dia será feito de desventuras em série? E mesmo que você tente reverter a situação tem algo sussurrando coisas aos pés dos seus ouvidos, te dizendo que você deve ficar em casa e dar um tempo em tudo que você faz? Pois bem, hoje um coral dessas vozes me cochichou pela manhã antes de encarar meu dia. E como eu fui tolo em não ouvi-las. As desgraças começaram a acontecer logo na mesa do café da manhã e se prolongou até o momento em que eu decidi vir pra casa mais cedo, e foi então que eu pude te ver a distância. Céus! Naquele momento as vozes ensurdecedoras se silenciaram, o vento parou de atear, as pessoas andavam mais brandas e padecentes, e eu acelerava. Acelerava pra conseguir te acompanhar, não perder nenhuma minúcia dos seus movimentos perfeitos e simétricos.

Jurei minha vida e meu mundo pra conseguir ser o guardião de sua perfeição, jurei minhas iniqüidades diante da santidade de seu nome, jurei minhas lágrimas nas noites sem você ao meu lado e dos meus dias repletos de prantos e amarguras. Jurei tudo só pra ter um segundo de sua atenção, um segundo na sua presença, um segundo na sua vida. Mas como eu sou tolo em te amar a distância. Como sou imundo e masoquista por tentar ter você só pra mim.

Consegui ver a aflição em seus olhos, meu anseio por você me torna capaz de ver através de sua alma límpida e iluminada, que naquele momento se mostrava um pouco mais venturosa, o que acontecera? Seu sorriso tinha um fulgor mais procedente mais fácil de ser decodificado e mais cítrico! Queria saber o motivo de seu contentamento, será que em pouco tempo houve alguém mais habilitado que eu, que conseguiu te fazer sorrir sem te fazer chorar? Não sabe o quanto isso me faz aprisionado. Não por você sorrir e se alegrar, mas por eu não ser o motivo desse riso.