Pare com essa loucura, por favor.

A loucura dele ainda me afeta das piores maneiras, mas eu aceito toda essa carga porque eu não quero entender o porquê de sentir tão próximo do abismo. Minhas pernas latejam de dor e meu coração não bate mais como antes, nem aquela vontade de buscar o que eu gosto já me faz querer ficar, quem dirá palavras vazias. Meus demônios insistem em querer me levar um passo a frente e sussurram para eu pular e me livrar dessa agonia, mas como eu vou? Como eu abro a ps portas para ser livre, se todas as portas estão fechadas e trancadas?

E quando eu estou sozinho no silêncio só peso em me deixar, sem lutar, sem brigar, sem nem mesmo procurar por ajuda. Eu já não tenho voz e minha quietude fala por mim, palavras que me sufocam e me prendem a esse eu que escolhi ser mas que agora não tenho mais vontade de conviver. Esse eu que deixa todos felizes e no fim do dia tem buraco enorme no lugar da alma. E esse vazio, essa imensidão me fazendo sentir perdido sem um ponto de luz como guia.

Às vezes sinto falta de falar sobre os anjos, mesmo que caídos, sinto falta de tê-los por perto porque de alguma maneira eles me mantinham com a razão e a loucura não afetava tanto, pelo menos não como me afeta hoje e forma tão agressiva.


Não me olho mais no espelho, meu reflexo me envergonha. Envergonha minha história e desonra meus protagonistas com desfechos que deixam a desejar. É um acúmulo de muitos talentos e uma grande perda de tempo, espaço e dinheiro.

A loucura dele nos destruiu e todos aqueles planos que eu tinha feito com tanto cuidado, não existem mais. Não existe mais “nós”. Não existe mais aquela vontade de ser eu, não tem mais dias de sol. E ainda que a chuva caia como eu gosto, não trará nada daquilo que eu gostava tanto. Não há mais nada aqui dentro, está vazio, não tem mais alma, não tem mais arte, nem amor, nem vontade muito menos desejos. É só uma casca vazia que ecoa as vozes dos meus demônios me implorando para saírem e gritando para o mundo o quanto eu estou morto e assim deixo-os satisfeitos.

Nenhuma daquelas meras provas foram capazes de me salvar de mim mesmo, elas não me deixaram mais forte, nem mais sábio. Eu qui ser o rei e a rainha do meu próprio império e quis faz reinar sem medo ou fraquezas, quis ser a espada e a misericórdia para conseguir julgar sem erro e injustiças. Mas não sou nada disso, sou apenas resultado de muita expectativa, ouro desperdiçado e desonra.

Meu rei e minha rainha me olham com tristeza e ainda pedem aos céus que eu encontre o caminha da luz e traga honra e herdeiros para o castelo deles. Mas eles não vêem o quanto estou arruinado, eles não entendem que a luz nunca fez parte de mim e mesmo que eles tentassem me trazer talentos reais, eu estaria sempre fadado à escuridão.
Não me declarem forte, vocês não conhecem o que trago no peito mas também não me declarem fraco, pois só eu sei das flechas e das espadas que estão cravadas nas minhas costas. Só eu sei da dor que cada uma delas me causou e ainda sim, eu ergo minha cabeça e sinto o pesa da desonra me forçando a olhar para o chão.

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