Tognolli, Helen e a lógica “progressista” (esquerdista)

Claudio Tognolli e Helen Braun, jornalistas da Jovem Pan, tiveram uma discussão intensa em torno do feminismo e da suposta “cultura do estupro” no Brasil, uma cretinice estatística se fizermos a coisa honesta: comparar-nos a outras culturas mundo afora — algo que já abordei em outro texto.

Veja o vídeo aqui sobre o caso da Jovem Pan e leia minha análise abaixo:

Comparar um humorista a Hitler, como fez Helen, é alcançar a lei de Godwin, ou seja, usar a velha falácia retórica “ad Hitlerum”, em que se apela para um exemplo universalmente horroroso (o nacional-socialista Adolf Hitler) de forma a emocionalmente colocar o público contra seu oponente. Aliás, mesmo expediente usado pela mídia “progressista” contra Donald Trump (um palhaço com algumas ideias que merecem atenção) e qualquer um que questione a imigração muçulmana em massa para o ocidente.

Também é verdade que considero fragilíssimo o que chamo “argumento da quantidade” ou “da maioria”, usado por Tognolli: a partir daí, Dado Dolabella, conhecido agressor de mulheres, seria uma boa pessoa e inatacável por ter vencido um reality show na TV com 83% dos votos. Ironicamente, com voto maciço de… mulheres. Em outras palavras: há muitos idiotas, cretinos e pessoas perversas que são populares.

Dito isso, se uma mulher xingar um homem de “burro” — um ad hominem e uma grosseria, sim — ninguém dá a mínima. A própria Helen disse a Tognolli, ao fim do vídeo: “Não fala merda!”. E ninguém ligou, também. Zero, nada.

A lógica dos “progressistas” (esquerdistas) e politicamente corretos não resiste ao que chamo teste da simetria. Mas, como já disse Horkheimer (autor frankfurtiano, de forte inspiração marxista): “logic is NOT independent of content”. Não é por acaso que também o feminismo tem forte raiz marxista: grosso modo, a luta de classes é transposta para uma luta de sexos, em que homem e mulher viram, dicotômica e simplisticamente, opressor e oprimida — de forma universal. Sim, apenas por seus órgãos genitais.

Ou seja, para este pessoal de esquerda, NÃO podemos ser avaliados todos — homens e mulheres, brancos e negros, heteros e gays — pelas mesmas referências, regras, notas em concurso público e padrões de comportamento. Em outras palavras: para remediar supostas desigualdades conforme a visão dos “progressistas”, o sistema precisa ser… desigual! Jean Wyllys cospe no outro deputado e os esquerdistas dão de ombros, minimizam ou tentam justificar — quando não celebram como um ataque justificável do “oprimido” ao “opressor”, classificações que, claro, eles definem como querem. Quando alguém concede a si mesmo o poder de determinar quem é bom e mau, as coisas ficam fáceis demais. E perigosas.

Por fim: “progressistas” reduzem indivíduos a características superficiais e os encaixam em coletivos de acordo com órgão genital, cor de pele etc. — em vez de considerar cada pessoa única em suas individualidades e, sobretudo, por suas ideias. Quem são, de fato, os verdadeiros racistas e sexistas?