Entre brindes, sorrisos e hashtags

Quarta noite seguida em que sonho com você. Engraçado que nem nos primeiros dias após nosso término, sua visita noturna me foi tão constante. No primeiro dia achei normal, havia muito que não tinha notícias suas. Mas depois da quarta vez era preciso exorcizar você de vez. Soltar minhas amarras, aceitar que algo em mim ainda estava ligado a você. Lá se foram meus dias de constante insistência em negar que parte de mim, ou bem mais que apenas uma parte, se envolveu e se entregou ao seu toque, seu cheiro, seu jeito de escrever e até as mensagens criptografadas via whatsapp.

Compartilhei momentos. Vivi experiências. Permiti ficar horas deitado ao teu lado apenas pra que você observasse o contorno do meu nariz, fazendo do meu corpo tela enquanto desenhava nele com seus dedos. Aceitando meus olhos que insistiam em sorrir ao notar que meu objeto de admiração também me admirava.

E nessa de me encantar por você me entreguei como a muito não fazia. Despi minhas certezas, ignorei sinais que pudessem impedir que eu fosse se não o mais sincero e passional possível. E nessa de embarcar num caminho todo novo, a ser construído e guiado pela luz dos teus olhos, não notei que entrava no seu caleidoscópio.

Enquanto engulo meu orgulho e olho as fotos na sua timeline, vejo o quanto superestimei meu sentimento ao compará-lo com o seu.

Entre brindes, sorrisos e hashtags das milhares de fotos e formas de ostentar sua felicidade, não pude deixar de lembrar o quanto me foi visceral descobrir que ao passo em que eu aceitava seu toque, seu rosto perto do meu, suas promessas escritas em textos curtos, discursos posteriores ao nosso sexo, ou enquanto meu corpo se encaixava no seu rumo ao gozo, seus dedos seguiam no piloto automático. Entre um dia e outro fazia essas mesmas promessas ou não pra outros corpos, outros caras, que diferentes de mim, não estavam uniformizados como os pilotos kamikaze.

Não pude deixar de lembrar que me repreendeu por ter gostado de você, me envolvido. Não ter entendido “os sinais” pra jogar seu jogo. Mesmo eu te dizendo desde o início que não jogo. Talvez se eu tivesse aprendido a jogar desde antes entenderia que enquanto pra mim a busca era motivada por três palavras, pra você o que valia era mesmo três letras: FIM.


Originally published at eassimtermina.tumblr.com.

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