O problema não é você, sou eu.

Se não houvesse data este texto passaria tranquilamente por algum tipo de resolução de ano novo. Sim. Aquela clássica lista de itens que insisto em fazer ano a ano na tentativa de mensurar o que na verdade eu devia era mesmo tentar dosar. Minha expectativa. É que sempre soube que era do tipo que insistia em incluir essa palavrinha em tudo quanto é canto, mas você só percebe que a coisa realmente ficou séria, quando nota ela personificada, ali toda faceira, como coadjuvante dos momentos que até então imaginava serem apenas meus.

Drama? Claro que uma infância inteira pautadas nos clássicos Disney e uma adolescência alternada entre filmes da Sessão da Tarde e novelas mexicanas vespertinas em eterno reprise, não poderia resultar em coisa muito diferente que um cara com humor um tanto quanto sarcástico, carregado com aquela boa carga de protagonismo antagônico que se sabota o tempo todo na disputa frenética pelo mocinho de nome composto.

Sinto que a relação entre nós não é mais a mesma. Por meses e meses insisti dizendo a mim mesmo que era apenas uma fase, que talvez eu não estivesse me esforçando o suficiente. E nessa de achar que o peso do mundo e a culpa eram exclusivamente meus (sim, olha o drama mexicano aqui olhando pra mim, gargalhando freneticamente em um lip sync no melhor estilo, vinil da Xuxa ao contrário). Fingi não aceitar o óbvio. Tudo mudou. E talvez seja melhor cada um seguir seu caminho, ao menos por enquanto.

Como todo fim de relacionamento este não será fácil, ou melhor, talvez seja o mais difícil de todos os meus finais (contáveis até o momento). Afinal de contas, como desconstruir uma imagem criada por tantos anos a fio. Tanto que cheguei por vezes a achar que era você quem me definia e não o contrário.

Resolvi começar pelo mais simples. Mentira! Neguei por dias, saí do país, assisti a clássicos do cinema de fossa (tenho minha própria lista, ok!), ouvi músicas melosas no escuro e só não rasguei suas fotos e deletei seu perfil nas redes sociais porque você na verdade você nunca esteve em um único perfil. O porquê de tudo isso? É que eu ainda acredito que chorar ajuda nesses primeiros dias (Disney facts). Nem que seja pra quando olhar e vir meu rosto inchado e essa barba estilo Tom Hanks em Náufrago no espelho e pensar WTF!?

O fato é que ainda vou sentir falta de contar com você nos momentos em que estou deitado na cama e por dias ainda me pegarei fazendo planos pra nós. Mas uma coisa é certa. Como toda relação que chega ao fim, é preciso saber quando é que chegamos longe demais. Talvez eu viva buscando formas de medir ou enxergar você nas pequenas coisas — força do hábito. Não importa como ou qual o caminho será feito. De hoje em diante você estará comigo, mas agora em um lugar delimitado por mim. Já que fomos feitos pra algo bem maior do que essas trivialidades. Sim. De certo modo fomos responsáveis por essa anulação mútua.

Não sei dizer ao certo se essas alusões ou conclusões vieram antes ou depois dos últimos eventos traumáticos, só sei que ao me colocar fora da tal zona de conforto ou até mesmo dos meus próprios sapatos, percebi que na verdade eu já não tinha o mesmo brilho no olhar ao enxergar as coisas, e nesta parte assumo a culpa em sua totalidade.

Bom, de hoje em diante quero apenas que saiba que seremos apenas bons amigos. E pelo menos por hora, pedi pra que retirassem seu lugar ao meu lado. Esta mesa está reservada para apenas uma pessoa.

Obrigado por compreender

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