Esse ano foi foda. No sentido não tão bom da palavra. Meu ano foi baseado em chororô pra cá e pra lá. Foi baseado em noites de insônia e uma vontade imensa de parar de pensar tanto.
Eu precisava achar um jeito de lidar com algumas coisas. Comecei a escrever. Meu primeiro texto foi um desastre, nenhuma palavra se encaixava. O segundo texto fluiu. As palavras voavam ao meu redor e eu não parei até escrever TUDO que eu sentia. Descobri que por meio das palavras, eu conseguia deixar muita coisa pra trás e finalmente seguir em frente.
Minha ligação com as palavras sempre foi muito forte. Toda vez que eu precisava escrever, até pra trabalho acadêmico, era como se caso eu tirasse uma palavra, o texto fosse ficar totalmente incompleto. Eu lia livros e mais livros e tentava achar um pouco de mim ali nas palavras soltas.
Em um ano, escrevi sobre mim e como eu precisava aprender a desapegar dos sentimentos, das pessoas, dos momentos e das coisas. Escrevi sobre uma pessoa e o quanto eu me puxava pra baixo por causa dela – eu precisava aprender a abrir a porta pra quando alguém quisesse ir embora. Escrevi sobre a vida e suas surpresas – pra uma boa controladora que gosta de saber tudo que vai acontecer antes de acontecer, eu precisava aprender a deixar rolar.
Encontrei refúgio. Encontrei um lugar que eu podia escrever tudo e não ser julgada. Até que um dia me encontrei perdida no meio de todos esses textos. Era eu como costumava ser. Depois de muito tempo pra baixo, eu tava voltando a achar graça da vida e as surpresas que ela prepara pra gente.
Escrevo pra me perder e acabo me encontrando em cada parágrafo. Escrevo pra esquecer e aprendo a lidar mais fundo com as coisas. Que cada palavra minha, seja sempre um refúgio.
