A reprodução ampliada da força de trabalho

As necessidades, até aquelas mais naturais, hoje são baseadas em produções sociais, onde é essencial a mediação da sociedade. Esta mediação caracteriza uma organização social baseada em normas sociais.

Toda necessidade fundamental, possui uma dimensão cultural a nivel de consumo e a nivel de produçao, por exemplo, a fome. A fome é uma necessidade fundamental e inerente ao ser humano, porem se de um lado temos a fome, a necessidade no consumo de um alimento pois o mesmo é necessário para a nossa vida, de outro temos tambem a necessidade de um relacionamento social com toda a cadeia produtiva do alimento, deve existir uma colaboração social em todo processo de criação do alimento até o seu consumo e isso é definido pelas necessidades e, de forma culturalmente colaborativa, pode ser visto como algo inerente à sociedade.

O interesse da sociedade é sempre mais importante do que os interesses e necessidades do individuo, visto que esse tem papel fundamental na produção, porem, o trabalhador é um recurso que não é raro ou que esteja em falta, ele tem como papel, apenas o servir unica e exclusivamente à produção e assim, não se realizar no trabalho social.

A produção esta subordinada as necessidades humanas, essa exigencia nao tem origem nas necessidades economicas e sim nas proprias relações entre os homens, uma que vez que percebe-se que não há sentido em se produzir apenas para acumular (a necessidade de acumulação leva a super produção que por sua vez, leva ao desperdicio.), a produção como meio de vida perde o sentido quando questionadas as suas finalidades, não se vive para produzir, se produz para viver e a produção deve estar condicionada as necessidades primarias para supri-las apenas. Esta consciência nasce diretamente na pratica da produção do trabalhador, desta forma, o trabalhador, o individuo que atua na produção, é o unico que tem conhecimento sobre o que é preciso produzir e como deve ser produzido, a sociedade não pode como uma unica voz direcionar a logica da produção.

O capitalismo monopolista, possui como unica preocupação e intuito o lucro financeiro, este objetivo, causa revolta na classe trabalhadora mais qualificada, pois esta, por ter a produção como meio de vida, necessita de crescimento pessoal, intelectual, civico, necessita de interação com outros individuos e dentro dos meios de produção, necessita que o aprendizado possa ser feito de forma colaborativa, existe uma carência muito grande de investimento no “capital-humano”. A revolta visa garantir que se a vida da classe produtora é inerente à produção, então que o dono dos meios de produção, garanta o crescimento pessoal, cultural e intelectual dos trabalhadores e não os mantenha como um dos itens dos meios de produção, o desenvolvimento pessoal do individuo só ocorrerá de forma colaborativa e com a cooperação de todos no meio em que ele vive. Por uma questão de baixo-risco, existe maior interesse na produção de curto-prazo e em grande escala, do que na pesquisa de longo-prazo para a criação de melhores ferramentas e bens de consumo, esta logica do capital apresenta uma realidade muito dificil de se aceitar para os trabalhadores de setores tecnicos e cientificos, pois os coloca na condição de assalariados e que os seus valores como a paixão pela profissão, pesquisa e crescimento intelectual direcionado para o trabalho, são incompativeis com os criterios de lucro do capital, este fato torna-se ainda mais dificil de se aceitar pois o mesmo nao ocorre apenas no trabalho, ele é parte inerente à sociedade e instituições que a compoem, o individuo nasce, cresce, recebe educação básica, educação superior, é ensinado a seguir a norma social e percebe que tudo que ele teve contato e foi ensinado, tem como intuito a manutenção do estado capitalista e a garantia da produção, é como se a ideologia do estado nação fosse a unica lei vigente, onde todos precisam produzir e trabalhar para o bem do Estado, já que o estado se posiciona como algo que contem a sociedade e não o contrario que é mais valido, ou seja, dentro da sociedade, temos o estado, nós o mantemos, nós o criamos, logo podemos direciona-lo a nossa vontade. Infelizmente o estado direciona a sociedade de acordo com a sua vontade.

A contradição existente neste processo é de que o trabalhador, com todo o seu poder e responsabilidade na produção, vive numa realidade de total servidão em relação ao capital, ao mesmo tempo que o trabalhador é o criador do produto, ele é um subproduto do capital, isso reforça a ideia de que o mesmo está destinado a seguir a vida e o futuro que o capital impôs.

O ponto chave nesta discussão, é a necessidade de alcançarmos um sentido para a vida, a produção não é nem de longe uma possibilidade para isso, não vivemos para produzir, a produção é apenas um meio pelo qual sobrevivemos, mas esta sobrevivencia nada tem haver com o sentido de nossa vida. O poder do capital não permite que seja definido um sentido para a vida fora a eterna produção para a eterna manutenção do seu poder, logo, lutar para o fim do poder do capital é uma solução mais do que justa e a luta não deve apenas ocorrer no ambito profissional, no trabalho, deve ocorrer em todos os ambitos da sociedade, em todas as faces e instituições se faz necessária a colaboração de todos, afim de derrubar este regime que tem como unico intuito o lucro. Os trabalhadores precisam decidir sobre todas as questões que regem a socidade, para isso, é necessário a tomada do poder, esta luta tem como ponto principal, o poder de decisão e o mesmo precisa estar nas mãos dos trabalhadores, somente o individuo pode responder e escolher sobre o seu futuro, sobre a produção ideal, sobre a ciência, cultura, e tudo mais que compoem a sociedade, uma sociedade construida pelos trabalhadores irá garantir sentido à vida e formas mais justas de desenvolvimento. Ora, se ao homem de qualidades intelectuais, criador de meios e melhorias para a produção, criador de soluções não forem garantidos meios de crescimento, meios para se desenvolver no campo tecnico/cientifico, o mesmo estara fadado a entropia de suas qualidades, somente uma revolução permitirá a esses homens a constante melhoria de seus processos de criação, garantindo o seu desenvolvimento e o desenvolvimento da sociedade. O capital criado por homens e a sua produção e manutenção garantida pelos mesmos, torna os proprios homens como itens supérfluos, o unico interesse do capital é que como uma engrenagem, os homens façam o seu papel e nao cresçam de forma pessoal e intelecual, a atividade profissional, como algo que nos toma a maior parte do tempo, deveria por padrão garantir nosso crescimento, dando assim sentido a nossa vida, isso não ocorre.

O capital não apoia o crescimento intelectual e cultural da classe trabalhadora pelo simples fato desta consciência permitir que os trabalhadores recusem de forma imediata o dominio imposto pelo capital e recusem a submissao disciplinada, é interessante para o capital, que o trabalhador tenha suas faculdades mentais limitadas, que o mesmo não pense, não questione e desta forma, há um movimento do capital para garantir quase que um emburrecimento da classe trabalhadora, onde o trabalhador deve ter conhecimento apenas sobre a sua função e nada alem da mesma, tornando-os inteligentes com relação a sua função e ignorantes sobre todo o resto, a necessidade de expansão cultural e de acesso a cultura precisa ser propagada de forma totalitaria onde toda a classe trabalhadora tenha acesso e possa com isso se desenvolver, é interessante que os trabalhadores de niveis intelectuais mais altos possam iniciar este levante e direcionar os trabalhadores que pouco tiveram acesso a cultura, mesmo porque na sociedade capitalista, a cultura imposta é apenas uma das faces do capital, visa apenas reforçar suas ideologias.

O capital criou a logica de manter o trabalhador como especialista apenas em sua função e ao mesmo tempo removeu de sua vista (na sociedade) quaisquer pontos de interesse que pudessem permitir que o trabalhador encontrasse aquilo que lhe falta no ambiente de trabalho, no caso o sentido para sua vida, seu crescimendo social e intelectual, suas realizações. Esta artimanha do capital visa unicamente o controle do trabalhador e exclusão de sua identidade, já que está excluindo a possibilidade do desenvolvimento civico e cultural dos mesmos.

As instituições de ensino tambem cumprem um papel importante neste processo, pois desde o inicio da vida academica da classe trabalhadora, a mesma é preparada para a vida dentro dos meios de produção, o individuo já possui em sua formação basica uma especialização que o transformará num instrumento do capital. Como a capacidade profissional do trabalhador, precisa sempre estar em desenvolvimento e deve passar por melhorias, a reprodução ampliada da força de trabalho, se apresenta como uma necessidade, onde deve ser considerado que o Trabalhador trabalha mesmo quando nao esta produzindo mercadorias, fora da produção, o trabalhador, embora não esteja gerando lucro para o seu empregador, está produzindo recursos morais e intelectuais, está gerando conhecimento, esta se aperfeiçoando, assumindo a reprodução ampliada da força de trabalho, nos força a assumir o tempo-livre como direito, pois é nesse dado momento que o individuo pode se renovar pois esta sendo socialmentte produtivo. A gratificação de estudos, o tempo-livre, as oportunidades de crescimento cultural são reivindicações fundamentais para que haja uma mudança significativa na sociedade trabalhadora, o direito à cultura só traz beneficios para os trabalhadores, pois garante que os mesmos não sejam mais considerados como um simples item da produção, eles se tornam agora parte indispensavel da produção e se renovam afim de garantir autonomia sobre a sua força de trabalho.

A reprodução ampliada da força de trabalho reflete os 3 sistemas basicos do capital: O economico, o juridico-politico e o ideologico, onde no campo ecônomico, temos a ampliaçao da força de trabalho no meio ambiente urbano (areas verdes, poluição e tudo que os compoem), no campo juridico-politico temos por exemplo a escola que forma o homem como cidadão baseando-se em normas sociais e no campo ideologico, temos a cultura expressa em museus, cinemas, teatro e etc.

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