DEUS O QUER!

Assistindo essa série de ataques terroristas no mundo, feita pelos islâmicos, e especialmente hoje, contra o padre Jacques Hamel, é imprescindível não dizer algo a respeito. E neste sentido, havia pensado um pouco na situação da fé em nosso país e o sofrimento dos cristãos perseguidos e mortos por causa de Cristo.

Se estamos sofrendo? Não. Vivemos num país onde, apesar dos pesares, ainda conseguimos expressar nossa fé publicamente, e fazer nossos cultos e devoções a Nosso Senhor sem ter que ficar trancado em algum lugar e sem medo de que invadam nossas casas e matem nossas famílias.

Se estamos sofrendo de verdade? Pela segunda vez, não. Temos perseguições culturais e ridicularizações. Porém em nosso país ainda ninguém enfiou uma faca em nossos pescoços e cortou nossa cabeça por sermos cristãos — não que eu saiba. Mas estão tentando perverter nossa sociedade e destruir nossas bases culturais para colocar ideologias ridículas no lugar, e nos tentando com ridicularizações desde a TV até os meios acadêmicos.

Mas se me perguntarem se estamos sofrendo, eu direi: sinceramente, não! Estamos sendo frouxos de não usarmos as armas que temos para combater o bom combate. Pois em nosso país a população é de maioria cristã e católica, nossas bases tem origem na fé católica e que ainda resistem. Temos a Igreja e seus ensinamentos, temos o vigor de uma geração que, como fora dito pelo papa emérito Bento XVI, “tem medo de uma vida sem sentido”, e acima de tudo, temos o auxílio de Nosso Senhor Jesus Cristo e de sua Santíssima Mãe. Mas acomodamos, e não queremos usar estas armas. Estamos sendo coniventes com tudo aquilo que está sendo colocado em nós por meios externos, e não estamos protegendo, nem a nós e nem aos nossos, embora tenhamos força e auxílio abundante para lutar contra toda cultura anti-cristã nesta Terra de Santa Cruz.

E por que acho que não estamos sofrendo, embora estamos sendo atacados por todos os lados por esta cultura niilista? Imagine só que neste exato momento há cristãos sendo perseguidos, torturados e mortos das piores maneiras imagináveis por não se converterem ao islã. Imagine aldeias e igrejas cristãs sendo destruídas por mouros em nome do falso deus Alá. Imagine crianças e mulheres sofrendo violência abominável, “sobre a qual é pior falar do que calar”. Imagine missas e rezas à portas trancadas onde o medo é exorbitante. Imagine um padre que no meio da santa missa tem a cabeça decapitada por terroristas infiéis que querem matar o próprio Cristo. Isso sim é o sofrimento de um povo cristão que não tem quem lute por eles e não tem para onde fugir (neste ponto me refiro especialmente às perseguições no oriente médio e no norte da África), mas que estão presos em seus territórios querendo salvar as suas almas. Portanto, definitivamente, em comparação a isso, nós não estamos sofrendo.

Mas não nos enganemos na ilusão de que isso está muito distante de nossa realidade, pois se continuarmos sem lutar, aceitando de bom grado toda relativização da nossa religio vera, sendo mornos em nossa fé e deixando de fazer aquilo que nos cabe na evangelização, estaremos fadados ao mesmo destino daquelas nações que há muito já deixaram Deus e se entregaram à iniquidade, e onde os infiéis se alastram como pragas que assolam uma lavoura sem cuidado.

Deus vult”, “Deus o quer”, era o grito da povo há 921 anos atrás quando Beato Urbano II, com um sermão que entrou para a história, convocou a Primeira Cruzada contra os muçulmanos que tomaram Jerusalém. E hoje, mais uma vez, o povo clama “Deus vult”, não apenas por uma intervenção armada contra os mesmos inimigos da Fé, mas por uma intervenção nossa, que ajamos naquilo que está ao nosso alcance, combatendo o bom combate e guardando a fé tal como Cristo nos deixou pela sua Santa Igreja. Rezemos por aqueles que estão em situação pior que a nossa, e que neste momento tudo o que podem fazer é contar com nossas orações e solidariedade. Precisamos, de alguma forma, ajudar a Igreja que sofre.