Laura


Abrem-se as cortinas e Laura está de pé, sozinha, o público observa atento à espera do grande espetáculo, o monólogo de sua vida, seu grande papel de estreia, mas lá está Laura, parada, por ter esquecido todas as suas falas?

Quem é ela? Porque ela não começa a falar? Essas atrizes de hoje em dia!(risos) Sussurravam alguns dentre as dezenas de pessoas que estavam lá para assistir, o que há de errado? Eu falei que seria um saco! Continuavam sussurrando as vozes.

Laura olhou para a plateia, o público estava alvoroçado, impaciente, então lembrou-se de quando era adolescente e foi a Cinderela no teatro da escola, foi um fiasco, naquela época ela esqueceu suas falas, congelou e teve que ser substituída no ato; A mãe de Laura na primeira fila olhou para filha angustiada, lembrou-se de seu nascimento, a menina não chorava por nada, mas ao crescer tornou-se uma tagarela, porque em momentos tão importantes ela se cala? Se perguntou.

Laura, do palco, olhava para o público e ouvia as críticas, suas falas de dó, as frustrações, os risos, ela correu para os bastidores e desaguou, as cortinas se fecharam, a atriz não conseguiu interpretar a verdadeira Laura, a que dava nome a peça, a que havia cometido suicídio, a atriz que havia desistido de interpretar o papel principal em sua própria e amargurada vida.

_ Matheus Grant