Conheça o Arcade City, uma ótima opção pra substituir o Uber.

Fiz a manchete clickbait mais honesta possível.

esse aí é o christopher. eu sou o do canto direito aqui.

Arcade City é um aplicativo de caronas (tipo o Uber) que “usa blockchain”, por isso trabalha “sem intermediários” (empresa centralizadora ou governo) e vai ser lançado aqui no Brasil, dia 1 de dezembro.

Se tu usa Uber/Cabify/99pop, lê o texto porque tu pode conhecer uma opção potencialmente mais barata, mais confiável e mais segura.

Se tu dirige pra um desses aplicativos, lê o texto porque tu pode ganhar mais dinheiro do que ganha hoje, de um jeito mais simples, com muito mais autonomia.

Ou sei lá. O Uber faz muita merda (tipo essa que vazou semana passada, por exemplo) e tu quer opções melhores.

Ah, e só pra me adiantar: não tenho nenhuma relação financeira com a empresa. É só uma história interessante.


Agora que eu já usei todos os gatilhos mentais ensinados em Marketing de Conteúdo, deixa eu explicar que história é essa: eu conversei com o fundador dessa empresa e todas promessas de “CLIENTE PAGA MENOS MOTORISTA GANHA MAIS” parecem ser possíveis.

Se esse é o primeiro texto meu que tu tá lendo, talvez seja um pouco estranho. Talvez tu goste. Talvez tu até te inscreva na minha newsletter.

Aos interessados: gravei a conversa toda e tô disponibilizando pra quem quiser ouvir. Também fiz um vídeo com os meus pensamentos pessoais da conversa, meio que falando sobre a produção/criação do trabalho… Mas enfim, lê o texto primeiro e se tu gostar falamos melhor sobre o resto depois.

Vou contar a história toda usando as informações do Skype que eu fiz com Christopher David, o fundador da empresa. Por um acaso, foi no dia do meu aniversário, 17 de novembro. Essa data é relevante porque fizemos isso a tempo de publicar tudo ainda antes do lançamento app no Brasil, que como eu falei ali em cima, acontece dia 1 de dezembro.

Christopher é um desenvolvedor, que em 2015 decidiu dirigir pro Uber porque queria ver de perto o que era a tal da “sharing economy” que tanta gente falava. Na época, ele tava trabalhando na cidade de Portsmouth, New Hampshire.

O fim de 2015 chegou, começaram as tretas pela regulamentação e os tendéus com taxistas. Sem motoristas disponíveis na cidade, Chris viu uma oportunidade e criou o site chamado arcade.city, onde oferecia caronas por gorjeta só. Eu até achei a notícia de um jornal local falando sobre.

A ideia e o domínio viraram o que hoje é a empresa responsável pelo aplicativo Arcade City (já apareceu no The Guardian, no Newsweek, no TechCrunch e agora aqui também né).

Hoje, Christopher e o aplicativo se moveram pra Austin, no Texas. Lá também é a cidade com maior atuação do Arcade City.

Pra uma noção de escala, em Austin eles tem 2% do mercado de corridas e 160 motoristas.

O que me surpreendeu durante a 1h que conversei com ele, foi a consciência que Chris tem do papel do Arcade City. Ele sabe muito bem que não oferece a melhor tecnologia e que ainda não tem todas as respostas, mas ele também sabe muito bem o caminho que quer trilhar.

Na conversa, Chris deixou muito claro que a tecnologia do Arcade City ainda é limitadíssima e isso acontece por vários motivos. Tipo, desde a quantidade de transações que a rede Ethereum é capaz de administrar, até o tamanho de equipe.

O diferencial do Arcade City, de acordo com o próprio fundador, é a capacidade de construir estruturas sociais que permitam e estejam acostumadas a funcionar com sistema 100% peer-to-peer. Agora me deixa tentar explicar melhor isso.

Nas Filipinas (grande polo pra plataforma) todo mundo usa o app normal, mas em Austin, por exemplo, a principal ferramenta pra pedir corridas é o grupo do Facebook. Ou seja, essencialmente, ele cedeu controle da plataforma. E isso parece absurdo, né?

Acontece que o Arcade City não ganha nenhum centavo nas corridas ou nas interações dos usuários com os motoristas.

O planejamento financeiro da empresa é todo baseado no ecossistema que ainda tá sendo criado e vai ser lançado também dia 01 de dezembro— nesse link ali tem todas explicações técnicas, pra quem se interessar.

Basicamente, eles criaram um token que vai funcionar quase como “a moeda do aplicativo”. A ideia é que algumas funcionalidades do app só funcionem com esses tokens — que foram todos criados com a mesma tecnologia e segurança da Ethereum, terceira criptomoeda em volume de circulação no mundo hoje.

Pra levantar fundos (quase como investimento anjo), eles vão fazer uma venda inicial desses tokens pra pessoas que pretendem investir no ecossistema.

Além da expansão óbvia de indicações, prêmios pra passageiro, recompensa pra motoristas, etc, existe uma outra possibilidade interessante no ecossistema Arcade City. Mas pra isso eu preciso explicar como a plataforma funciona e o que são guilds.

Na prática, a gente tem meio que a lógica da blockchain, de confiabilidade na rede, aplicada a estrutura social.

Vou falar da funcionalidade toda na perspectiva do passageiro. 
Motoristas, usem dedução pra entender o papel de vocês.

Quando eu vou chamar uma corrida, tem uma lista de motoristas disponíveis ou um mapa de onde eles estão.

Eu, como passageiro, sinalizo pro app qual corrida eu pretendo fazer e motoristas me enviam “propostas”. Eu posso, através do chat, negociar valores e as formas de pagamento livremente. Posso pagar em dinheiro, posso passar o cartão de débito (se o motorista tiver máquina) e em breve, pagar diretamente pelo app com com cartão de crédito ou carteira de bitcoin integrada.

Antes ainda de confirmar a corrida, posso ver perfis, consultar opções e por fim aceitar uma corrida. Uma lógica meio OLX pra essas corridas.

A questão que entra agora é confiabilidade, certo? Eu mesmo já tomei cambão no OLX (longa história) e não podemos tomar cambão com alguém que supostamente te levaria até na porta de casa, certo?

Chris me disse que em 18 meses atuando em Austin, nunca teve houve nenhum incidente grave ou problema sem resolução. De acordo com ele, isso acontece pela cultura autorregulatória da comunidade.

Quando um usuário cria um perfil (tanto motorista quanto passageiro), é responsabilidade dele fornecer informações que gerem confiança. Vincular perfil do Facebook, vincular avaliações de quando era passageiro/motorista do Uber, do Cabify… Os dois lados podem ver essas informações, o que ajuda no aspecto da segurança.

Aos motoristas, o que me chamou atenção também é a possibilidade da criação de guilds, ou “associações”.

A ideia aqui é que sejam criados grupos de motoristas pra que os próprios grupos ajudem a gerar credibilidade também. Essas guilds podem ter exigências com carros (ex. somente motoristas com carros de luxo) ou até com sexualidade dos motoristas (ex. somente motoristas mulheres). Essas guilds podem cobrar o preço que quiserem, tirarem as tarifas que quiserem e operar livremente entre si.

Importante: notou onde existe uma possibilidade enorme pra expansão do ecossistema? Uma guild pode escolher seus carros mas pode escolher motos também. Um exemplo de guild: associações de motoboys todas dentro do ecossistema do Arcade City pra fazer entregas. Essas guilds aumentam muito o tamanho do ecossistema, dando mais valor ainda praqueles tokens.

Essa possibilidade de criar associações também faz parte das crenças da empresa. No Uber, a promessa é de que você é o próprio patrão. No Arcade City, você pode de fato ser o próprio patrão. É possível criar guilds e gerenciar outros motoristas, é possível agregar valor ao trabalho oferecendo opcionais que outros motoristas não oferecem…

E só pra esclarecer antes de terminar o texto, aquelas aspas de “usa blockchain” e “sem intermediários”.

O “sem intermediários” porque hoje ainda é dependente de plataformas de terceiros pra operar. Ex: criação de perfil através do Facebook.

O “usa blockchain” é porque o ecossistema ainda está em construção. A tecnologia do app não é 100% blockchain e isso acontece por vários motivos. Pelo que o Chris me explicou, um dos grandes problemas hoje é que toda a rede Ethereum permite só 6 transações por segundo. Pra escala, só o Uber faz 12 por segundo.

Mas claro, num futuro breve e com avanço da rede Ethereum, a plataforma deve operar com as vantagens verdadeiras de um sistema Blockchain. Desde perfil e segurança(self sovereign identity) até pagamentos.

Enfim, acontece que aquelas aspas do começo só estão lá porque a tecnologia está sendo construída, agora mesmo enquanto tu lê esse texto.

Ainda é tudo meio estranho? É. Sim. Sou obrigado a concordar. 
Mas a gente tá num ponto que ninguém sabe direito o que esses negócios com blockchain podem virar. Se tu ouvir a conversa completa um pouco mais pra baixo, dá pra ver que o próprio Chris ainda tá testando muita coisa.

Parece muito uma revolução enorme, mas ainda é embrionário. E tem mais muita coisa que eu poderia colocar no texto, mas aí sim que ninguém vai ler até o final. Já acho que assim muita gente ficou pelo caminho...

Pra encerrar de verdade essa parte, quero ser útil pra quem se interessou pelo Arcade City. Quero gerar valor pro ecossistema desde já (ou pelo menos tentar). Acredito de verdade que pode ser útil pra uma galera aqui no Brasil.

Vamos lá.

Primeiro, recomendo que visitem a página Arcade City | Brasil e se familiarizem com a empresa.

Depois, conheçam as pessoas que estão trazendo a plataforma pra cá. Tem um grupo no Facebook e até criaram um FAQ por lá.

E agora, como prometi várias vezes ao longo do texto, a entrevista completa. Tem alguns cortes, mas nada que tire uma pergunta de contexto ou algo assim. Se quiser mais informações sobre a entrevista, assiste o vídeo ali embaixo.

Importante falar também que a conversa é toda em inglês (meio óbvio na real né) mas vale a pena pra caralho. Christopher me contou de quando foi preso por filmar um taxista, falou do tamanho da equipe (ele trabalha sozinho) e até debatemos opiniões políticas.

OBSERVAÇÕES: não tem muita edição; a conversa simplesmente começa; eu tava nervosão; ele foi muito gente fina.

não sei se é possível ouvir aqui
PS: meu inglês é meio travado, sim. Falta prática e nervosismo.

Como eu prometi lá no começo também, aqui está o vídeo falando sobre a experiência de fazer a minha primeira entrevista internacional. Meio um making of, meio que a minha reflexão a posteriori da conversa.

Agora, sobre a minha newsletter. Esse texto todo começou na newsmm29, pra tu ver como o mundo é louco. Meu brother Pedro Cabral conheceu o Arcade City e mandou como link legal pra colocar na news. Eu coloquei.

Aí ele me colocou no grupo do Facebook. Aí ele me contou que o fundador da empresa tava no grupo. Aí eu consegui falar com ele e chamei pro Skype.

O que eu tô querendo dizer é: assina a news. Coisas legais nascem por lá.

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Agora acabou de verdade. Não tenho mais nada pra falar

Muito obrigado por ter lido até aqui.

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