Ainda será possível fazer grandes discursos políticos?

Por Inês Moura — Coach Vocal, MTW Portugal

Gordon Brown, ex-primeiro ministro de Inglaterra, fez um discurso apaixonado no dia 17 de Setembro para influenciar a decisão de voto do eleitorado escocês. O contexto pré-eleitoral serviu de palco a um discurso “sem papéis, sem teleponto, com alma, com tudo a vir de dentro, a soar sincero, verdadeiro, arrebatador”, como referiu o jornalista José Manuel Fernandes.

O que terá feito Brown para tornar este discurso arrebatador?

Sabe aqueles discursos que começam com um tom monocórdico “Boa tarde, queria agradecer a todos os presentes…”, ou ainda em tom de desculpa “Peço desculpa, mas…não me preparei!”? Como é que o leitor reage a esse tipo de abertura? Ah…também adormece!? Boa, pensava que era só eu!

Gordon Brown não começou por cumprimentos, agradecimentos e outras formalidades. Foi direto ao assunto e optou por uma voz forte e marcada por pausas. As pausas em sítios estratégicos servem para a audiência interagir, através de aplausos, assobios e palavras de incentivo. Ou simplesmente para compreender a sua mensagem.

Brown utilizou muito bem esta técnica logo no início: “At last || the word is hearing || the voices || of real people of Scotland (comprove em 0’15, 1’25)”.

Quanto mais demorada é a pausa (exemplo: 2 a 3 segundos) mais solene se torna o discurso. Se quer tornar o seu discurso mais solene faça uma pausa antes e depois de algo importante que tenha a dizer. Não se apresse. Apesar de ficar com a sensação que ficou calado(a) muito tempo, na verdade nem um segundo passou. Amplie e aguente-se.

O volume forte atribui uma carga emocional às palavras, dando-lhe literalmente mais “força” e criando mais impacto no ouvinte. Principalmente se for utilizado em palavras-chave do discurso, como tão bem Brow utilizou (ex. “Proud” — 0´30).

Quando alguém fala muito baixo ou com uma voz trémula numa apresentação, consciente ou inconscientemente, a audiência vai duvidar da sua segurança e credibilidade. Já foi julgado(a) ou já julgou alguém pela imagem que a sua voz transmitia? É normal que sim. Por isso é que é tão importante que a voz apoie a mensagem, e não o oposto.

Mas não se fique pelas pausas e pelo volume. Também é importante acelerar o ritmo ao discurso. Serve para manter a audiência acordada. Siga o exemplo de Brown que, ao fim de um minuto e 30 segundos, aumentou (e bem) o ritmo do discurso. Como é que ele fez? Reduziu momentaneamente as pausas e repetiu palavras-chave. Várias vezes. E com um volume forte.

Por fim, podemos ainda aprender com Gordon é a clareza com que articula as suas palavras, fruto de uma boa dicção, o que contribuiu para aumentar a aceitação da mensagem pela audiência e, consequentemente, aumentar o grau de impacto do orador.

Dica extra: Só a voz sem a utilização de gestos de suporte à mensagem também é insuficiente. Gordon associou bem palavras-chave a gestos, além do volume forte “We can garantee (gesto-chave) that the national (gesto-chave) health service (…)” (0’54, 1’15).

O gesto escolhido por Gordon foi o de palmas das mãos viradas uma para a outra, com movimento descendente. Este gesto, associado às pausas e volume contribuiu para que a mensagem fosse, no seu global, autêntica e genuína (1’01).

As estratégias que deram forma a este discurso são: ir direto ao assunto, usar um volume forte, fazer pausas estratégicas, acelerar momentaneamente o ritmo, repetir de palavras com gestos-chave e ter uma dicção clara e precisa.

“What a … Braveheart!”

Veja o vídeo completo aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=J39bBV7CBJk


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