Mulher de respeito

“Mulher, se dê ao respeito”, “mulher de respeito”, essas são expressões que já ouvi diversas vezes. E essas frases ficavam na minha cabeça, então comecei a pensar sobre elas. Primeiramente, vamos ao verbo respeitar que, de acordo com o dicionário da língua portuguesa, significa: “Consideração; sentimento que leva alguém a tratar outra pessoa com grande atenção, profunda deferência, consideração ou reverência: respeito filial”.

De acordo com essa definição e também sob meu ponto de vista, mulher de respeito é aquela que busca tratar o outro bem, que é uma boa cidadã, que busca cumprir os seus deveres, que pensa no próximo, na sociedade de modo geral, que quer um mundo melhor e luta por justiça.

Mas muitos pensam que mulher de respeito é uma mulher obediente, submissa, que tem que seguir padrões, não pode opinar, não pode ousar, não pode dançar, não pode defender aquilo que acredita. Mas, sinceramente, isso não tem haver com respeito. Onde está o respeito quando se julga o outro? Isso não é o que eu chamo de respeito, mas sim de orgulho, porque somente pelo orgulho é que posso sentir que tenho direito de julgar o outro.

E em um mundo onde existem tantos lados opostos, o julgamento só fortalece a briga, a inimizade, a fofoca e tantas outras coisas que não levam a lugar algum. O respeito está longe disso. Pelo contrário, ele está perto da empatia, da busca de colocar no lugar do outro, da admiração pelas qualidades de cada um. Devemos lembrar ainda que somos aprendizes, sujeitos a erros e acertos, então, antes de julgar, é bom se examinar.

Sinto que falta isso, um exame. Às vezes me pergunto se esses juízes se colocam no lugar de seus réus. Se eles se lembram da enorme cobrança que as mulheres são submetidas: “seja bonita, seja delicada, seja amorosa, seja dócil, seja alegre, cozinhe bem, costure, seja a boneca perfeita para os outros, e se esqueça de você”.

Já vivi assim, querendo me comportar da maneira que as outras pessoas consideram correta, me esquecendo de quem sou. Quando agi pensando nos outros, desrespeitei a pessoa que menos queria desrespeitar: eu mesma.

Quando uma mulher começa a se desconstruir, muitas vezes muda, se joga, se abre, e isso choca às vezes. Mas antes de tudo ela está se descobrindo, se permitindo, ousando, arriscando. E sabe por que isso choca? Porque durante muito tempo se acreditou que isso não era papel da mulher, que a ideia de bela adormecida, do lar, e outras era mais apropriada. Então, quando uma mulher se arrisca, quando ela se posiciona, se impõe, se mostra forte, inteligente, destemida, mostrando para que veio, isso causa choque. Deixo claro aqui que mulher pode ser o que quiser, inclusive, do lar ou princesa, mas que seja por que quer, não para agradar os outros.

Existem milhares de mulheres de respeito, todas elas são grandes heroínas para mim, elas são fortes com árvores, astutas como corujas, grandes como as ondas do mar, leves como a brisa, alegres como borboletas, ousadas como flores do deserto.

Essas grandes mulheres respeitam e se fazem respeitar, por suas boas ações, caráter e integridade e eu sei que elas estão aí pelas ruas, em rostos cansados depois de um dia de trabalho, em sorrisos compartilhados com as amigas, na coragem de ousar, dançar em uma festa, batalhando pela conquista de um sonho, enfim, estão no cotidiano, em fatos comuns, mas mesmo assim grandiosos.

Ana Luiza Moreira