Porque navegar é preciso

Mulheres no Comex
Sep 5, 2018 · 3 min read

Michelle Fernandes (*)

Durante a colonização do Brasil, o que chamou a atenção dos portugueses foi o fato de o Brasil possuir uma grande costa marítima, facilitando a exportação das mercadorias para o exterior e a troca no mercado interno, uma vez que o transporte utilizado na época era o aquaviário. Navegar era preciso.

Hoje, enfrentamos um grande gargalo logístico, devido à ineficiência no uso dos modais de transporte que possuímos. E, basicamente, usamos o modal rodoviário, aéreo e o marítimo, pois possuímos poucas ferrovias e o grande fluxo de cargas do modal ferroviário é mais utilizado para commodities, como por exemplo, o transporte de minério.

A falta de infraestrutura é, sem dúvidas, o fator determinante para tal problema, e os investimentos que são feitos no setor contrariam a história e a expectativa dos usuários.

Grande parte das mercadorias de importação e exportação cruza o país por transporte rodoviário até os portos, muitas chegam a circular 1.000 quilômetros, gerando um custo altíssimo no processo e fazendo com que as mercadorias não sejam competitivas. Parte do custo Brasil está ligado a tal ineficiência logística, uma vez que o governo gasta muito priorizando o transporte rodoviário, que acaba demandando a construção e melhorias das estradas, fiscalização, atividades para despoluição do meio ambiente e gasto com acidentes causados pelo grande fluxo de caminhões nas rodovias.

O Modal Rodoviário na logística tem uma grande importância, como em diversos países, para a finalidade de distribuição de mercadorias e no papel de “Outbound”. Isto é, o de continuar o transporte para a entrega final no cliente, que por sua vez foi realizado por outro modal principal, o aquaviário ou o ferroviário.

Hoje, o modal rodoviário tem uma parcela de 58% do total de cargas transportadas no Brasil, o restante se divide em ferroviário e aquaviário. Para um breve comparativo dos altos custos cobrados no transporte rodoviário, temos como exemplo o frete de Shanghai, na China, para o porto do Rio de Janeiro, que sai, em média, US$ 1.900,00, mais taxas portuárias. Já no transporte rodoviário, temos como exemplo uma carga saindo do Rio de Janeiro para a cidade de São Luís, Maranhão, com frete em torno de R$25.000,00.

Outros exemplos interessantes seriam uma carga que parte do Rio de Janeiro para Porto Alegre, Rio Grande do Sul, que tem média de custo de R$13.000,00, e uma seguindo do Rio de Janeiro para a cidade de São Paulo, que são 400km de distância, o valor seria em torno de R$4.500,00, acrescendo ainda os Impostos, pedágios e seguro.

Navegar é preciso. Nosso país possui uma costa de 8,5 mil quilômetros trafegáveis, com 37 portos organizados que poderiam receber cargas de outros estados e do exterior. Infelizmente, nossos portos não possuem calados, equipamentos modernos, tecnologia e infraestrutura como um todo, gerando a incapacidade de atender grandes embarcações e a demanda do modal marítimo como deveria.

O uso da cabotagem, ou seja, o transporte marítimo na costa brasileira poderia gerar maior competitividade para o nosso país com as mercadorias oriundas das exportações e , devido ao baixo custo desse modal, mas infelizmente o que vemos no Brasil é o avanço do modal rodoviário.

Fonte : https://www.comexdobrasil.com/porque-navegar-e-preciso/

(*) Michelle Fernandes é sócia e Diretora de Logística da M2Trade Importação Exportação

    Written by

    HUB de mulheres com diferentes backgrounds em Comércio exterior. Nosso propósito é compartilharmos conhecimento, experiência, e gerarmos negócios na nossa rede.

    Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
    Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
    Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade