Manifesto: Já chega! Não ficaremos mais caladas!


Não ficaremos mais caladas para as piadinhas machistas.

Não ficaremos mais caladas para o “Isso é trabalho de mulher”.

Não ficaremos mais caladas para a frase “As mulheres para esse evento precisam ser da Lista Rosa”

Não ficaremos mais caladas quando recebermos cantadas no ambiente de trabalho, porque cantada não é elogio e nem brincadeira.

Não ficaremos mais caladas quando avaliarem nosso caráter pela roupa. Nós vestimos o que quisermos, o nosso corpo é nosso.

Não ficaremos mais caladas ao ver as nossas ideias sendo apropriadas por homens.

Não ficaremos mais caladas quando os nossos cargos de liderança forem retirados de nós e repassados a um homem, sem que sejamos consultadas ou tenhamos conhecimento.

Não ficaremos mais caladas para todo tipo de assédio sexual. Daqueles cometidos pelos líderes da equipe que trabalhamos, como forma de intimidação e ameaça com intuito de manipular e obrigar a nossa permanência no emprego até pressões psicológicas e bullying com teor pornográfico.

Não ficaremos mais caladas para as frequentes dúvidas sobre a qualidade do nosso trabalho, “Mas você tem certeza disso?”, “Olha lá, melhor verificar novamente”, “Não é melhor pedir para o fulanO verificar?”

Não ficaremos mais caladas quando duvidarem da nossa competência porque cólica não é mimimi, pode ser doença, sim. Ou quando comentarem “Ih, ela tá de TPM”.

Não ficaremos mais caladas quando brincarem com os nossos corpos sem o nosso consentimento. Sabe aquele toque na perna? Aquela beliscadinha? Pois é, o nosso corpo não é público. Ele é nosso.

Não ficaremos mais caladas quando ouvirmos a generalização “Gravidez não é doença”, que procura diminuir as dificuldades das gestações, sejam físicas ou psicológicas, impondo que a gestante deve ter uma vida profissional “normal”, com excesso de horas trabalhadas, más condições de trabalho e alimentação inadequada.

Não ficaremos mais caladas quando formos subjugadas por conta da gestação e limitadas em nossas atividades pela justificativa de “estarmos grávidas”.

Não ficaremos mais caladas quando formos demitidas logo depois da licença-maternidade, ou quando formos cobradas a retornar ao trabalho antes do período da licença terminar.

Não ficaremos mais caladas quando observarmos torcidas de narizes, ao exercermos nosso direito de sairmos para garantir a amamentação de nossa filha ou nosso filho; ou quando precisarmos nos ausentar por conta de doenças ou emergências relacionadas a nossas filhas e nossos filhos.

Não ficaremos mais caladas para o racismo velado e o racismo descarado dentro e fora do ambiente de trabalho.

Não ficaremos mais caladas para piadinhas homofóbicas, gordofóbicas e preconceituosas.

Não ficaremos mais caladas enquanto virmos nossas irmãs transexuais sem emprego.

Não ficaremos mais caladas enquanto as nossas irmãs negras e nossas irmãs trans receberem salários menores em relação a uma irmã branca, ocupando cargos iguais ou semelhantes.

Não ficaremos mais caladas enquanto as irmãs não receberem o mesmo salário e estiverem trabalhando na mesma função que um homem.

Não ficaremos mais caladas para nada. Queremos trabalhar com dignidade e respeito! É nosso direito! Não vamos desistir! Não fique mais calada. Nós também não ficaremos mais a partir de hoje.

#NãoFicaremosMaisCaladas

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