Treinamento de Força Máxima para Atletas de Rugby

Artigo escrito pelo Acadêmico de Educação Física Daian Eduardo Muller

Treinamento de Força Máxima para Atletas de Rugby

Levando em consideração que a força é um dos fatores mais importantes no desempenho dos atletas na maioria das modalidades (WEINECK, 2003), no Rugby o ideal é que os jogadores apresentem o maior nível de força máxima possível, para assim desempenhar melhor suas funções dentro da modalidade. A Word Rugby (2016) através de seu programa de treinamento Rugby Ready afirma que no Rugby, várias capacidades físicas são exigidas, altos níveis de força são importantíssimos para que os atletas possam desempenhar de forma eficiente suas funções dentro de um jogo de Rugby.

Weineck (2003) afirma que a força máxima representa a maior força disponível no sistema neuromuscular que pode ser mobilizada através de uma ação voluntária máxima. A maior parte dos estudos de treinamentos e de programas de treinamentos em atletas usam ações musculares voluntárias máximas em algum momento do treinamento, onde são realizadas séries até a falha concêntrica com cargas próximas ao RM para estar gerando um aumento da força máxima dos atletas (FLECK E KRAEMER, 2006).

A capacidade de produção de força depende de alguns fatores como as estrias transversais dos músculos, da coordenação intermuscular e da coordenação intramuscular, melhorando qualquer um destes fatores pode haver o aumento da força máxima do indivíduo (WEINECK, 2003). A força máxima aumenta em razão da ativação de um grande número de unidades motoras de contração rápida, assim, um atleta não precisa necessariamente desenvolver grandes níveis de hipertrofia para se tornar mais forte, desde que ele esteja treinado para conseguir sincronizar melhor os músculos, usar cargas que ativem as unidades motoras de contração rápida durante os treinamentos de força máxima, os atletas melhoram seus níveis de força sem grandes ganhos em
hipertrofia melhorando assim sua força relativa (BOMPA, 2001). Ter conhecimento de qual é a força dinâmica máxima de um atleta em determinado exercício é muito importante para a utilização de cargas nos treinamentos e também para o controle do ganho de força máxima. O teste de 1RM pode ser executado em qualquer exercício em que o treinador queira acompanhar o incremento de força do atleta após um período de treinamento, normalmente os testes são utilizados em exercícios que envolvem grandes grupos musculares e várias articulações (FLECK e KRAEMER, 2009).

Rugby

O Rugby é uma modalidade esportiva muito antiga, onde os historiadores afirmam que desde a antiguidade os romanos e os celtas já praticavam esportes que tinham contato físico e eram jogados com bola. A maioria dos esportes eram praticados nas universidades entre estudantes, pois não eram esportes profissionalizantes, e sim apenas jogos. Muitos desses esportes foram afunilando e se aprimorando para uma condição de jogo em espetáculo, destinados ao público.

Com isso, foram divididas as modalidades e criadas regras para cada uma delas, e a partir dessa divisão foi fundado o Rugby na cidade de Rugby-Inglaterra por volta de 1848. Foram vários os contribuintes para o surgimento do esporte, entre eles William Webb Ellis, que durante um jogo da universidade pegou a bola com a mão e foi avançando pelo campo adversário, derrubando seus oponentes até chegar ao outro lado. Ainda Thomas Arnold, diretor da universidade, que originou as principais regras. Em 1883, na cidade de Melrose na Escócia, nasceu a modalidade reduzida passando a ser chamada de Rugby Seven’s. Como haviam pequenas populações se tornava difícil formar um time de 15 jogadores, com isso foram criadas equipes com sete atletas cada lado e com tempo reduzido, mas mantendo as mesmas regras do 15. As regras ao longo do tempo foram modificadas. O try que não valia ponto, mas dava direito ao chute em direção a trave passou a ser contribuído como pontuação máxima, valendo hoje cinco pontos e o chute (conversão) valendo dois pontos. Em 1863, foi realizada uma reunião com o objetivo de proibir
algumas práticas como chutar os adversários e fazê-los tropeçar. Em 1892 a bola oval foi oficializada, uma vez que antes era praticado com a bola de futebol. No Brasil, o Rugby chegou por volta do séc. XIX. Com as duas modalidades mais praticadas na Inglaterra (Rugby e futebol), administradores britânicos, estudantes de intercâmbio e imigrantes que tiveram contato com a modalidade a trouxeram para o Brasil. O Rugby foi regularizado no Brasil a partir de 1925, em São Paulo. Nesse mesmo ano foi fundado o segundo clube de São Paulo, o Britânia Football Club, e, em seguida, foram fundados clubes em Santos e Rio de Janeiro. Nesse período foi formada a seleção brasileira de Rugby, que enfrentou dentre outros adversários a seleção Britânica em 1936 que terminou em 82x0 para os britânicos, sendo que a maioria dos jogadores da seleção brasileira eram britânicos. Em 1963, Harry Donovan e Jimmy Macintyre fundaram a União de Rugby do Brasil (URB). Já no ano seguinte, organizaram o primeiro Campeonato Sul-Americano, em São Paulo. No torneio, a Seleção Brasileira conseguiu o maior resultado de sua história, terminando em 2ª lugar, após empatar com o Chile e bater o Uruguai. No mesmo ano, teve início o Campeonato Brasileiro de Rugby, com o São Paulo Atletic Club (SPAC) conquistando o primeiro título. Em 1972, a URB se transformou em ARB — Associação Brasileira de Rugby, sendo reconhecida pelo Conselho Nacional do Desporto. Em 1995, a ARB teve aprovada a sua filiação ao IRB (International Rugby Board), a entidade máxima do Rugby mundial.

Em 2004, a Seleção Brasileira Feminina de Seven’s disputou o primeiro Campeonato Sul Americano da categoria, e se sagrou campeã. Desde então, o campeonato é disputado anualmente e o Brasil conquistou todos os títulos disputados. No ano de 2009 conseguiu seu maior feito, se classificar para uma copa do mundo de Rugby realizada em Dubai, alcançando o 10ª lugar. O Rugby Seven’s é um esporte coletivo, jogado em um campo parecido com o de futebol, medindo aproximadamente 100x70 metros. São jogados dois tempos de sete minutos com apenas um minuto de intervalo. Cada equipe possui sete atletas sendo dívida em três forwards e quatro backs. O objetivo principal é fazer o try e ter direito a conversão. Caso conseguir realizar os dois lances com êxito a equipe marca sete pontos. No Rugby, a proibições serão punidas e também acontece o famoso fair play que é conhecido como uma boa ação do jogo. Diversas são as formas das equipes jogar, podemos citar no torneio super12, um dos principais torneios de Rugby, as diferenças no modo de jogar das equipes do hemisfério Sul, para o Norte, enquanto as equipes do Sul jogam no pé, a base de fases, as equipes do Norte jogam a mão, a base da linha, sendo que os dois meios conquistam excelentes resultados. Os atletas de Rugby brasileiros devem ter um perfil específico para cada posição. Pelo fato do esporte estar em processo de desenvolvimento em nosso país, a maioria deles são considerados amadores. Isso se deve também a condição física dos atletas, onde a estruturação das equipes não é boa, fazendo com que o desempenho não seja igual ou superior aos atletas de grandes clubes
internacionais. Com a evolução do Rugby no Brasil, foi se definindo um perfil de jogadores para atuar na modalidade, apesar do Brasil ser considerado praticamente amador comparando com as principais equipes mundiais, os atletas brasileiros conseguem desenvolver boas jogadas, mas essas dependem da qualidade individual de alguns e elas aparecem apenas nos campeonatos nacionais onde o nível é compatível entre as equipes, e os jogadores devem ter uma combinação de força, flexibilidade, capacidade aeróbica e em especial, potência anaeróbica. No Rugby, as qualidades dos jogadores são muitos diferentes, jogadores com habilidades muito distintas podem jogar na mesma equipe, isso se deve às posições táticas da modalidade que trazem essa diferença entre os jogadores. Os avançados são os jogadores de mais força, normalmente eles são mais pesados que os demais, nessa posição jogam três jogadores que estão prontos para dar contato e fazer as jogadas de saída de bola (scrum, line, mauls), os outros jogadores são os recuados, são quatro jogadores, são os que possuem mais velocidade, jogam em linha e com a bola passando de mão em mão somente para trás, para avançarem até a área do in goal, onde é realizado o try. Com o passar dos anos o treinamento de Rugby foi se aprimorando, os jogadores foram separados por grupos e posições para fazerem treinamento especifico, sendo um deles formado por quatro jogadores, chamados de linha, cujo objetivo é avançar até o outro lado, respeitando as regras do jogo; e três jogadores chamados forwards, sendo um chamado de rucker e os outros dois de pilares. Esses três são os jogadores de contato, além de serem mais fortes. Todo tem o mesmo objetivo, ou seja, avançar ao outro lado. Devido à regra do jogo, os forwards estão sempre muito próximos em campo, pois a cada falta que acontece e quando a bola é chutada para fora e pelas laterais do campo, o jogo reinicia com os forwards em ação sendo em formação de scrum para as faltas e em formação de line out para lateral. As formações citadas são de necessária procedência, elas acontecem em boa parte do jogo e a partir da formação a bola sai para a linha e o jogo procede até uma nova paralização ou um try que é nome dado para a pontuação quando um jogador chega ao outro lado do campo e coloca a bola no chão nas linhas delimitadas que são chamadas de in goal, são duas linhas tendo entre elas cinco metros de comprimento, e de largura a mesma do campo. O try equivale a cinco pontos para a equipe e dá direito de um chute de conversão que vale mais dois pontos, a bola é colocada na mesma marca onde houve o try e é trazida 22 metros para dentro do campo para que aconteça o chute, um dos atletas coloca uma peça chamada tee e coloca a bola sobre ela e depois chuta dentre as travas que medem aproximadamente 5,6 metros de largura, 3 metros de altura o travessão e acima do travessão os postes devem medir no mínimo 3,4 metros a partir do chão, caso o atleta converta o chute a equipe abre sete pontos de vantagem sobre o adversário, caso contrário apenas cinco pontos.

Formação de scrum: O rucker coloca-se ao meio dos dois pilares e levantam os dois braços para que os pilares encaixem abaixo de seus ombros, em seguida ela pega com as mãos nas bordas laterais do calção de cada pilar e os pilares abraçam fechando a formação de três. Durante o jogo quando haverá formação eles já se posicionam desta forma e então o arbitro passa os comandos agachem, segurem, formem; os três juntos agacham, após o segundo comando os pilares seguram na camisa do adversário que está na mesma formação que eles e no terceiro comando eles começam a fazer força, após o terceiro comando um jogador da equipe coloca a bola no meio dos seis jogadores, três de cada equipe, o rucker deve com o pé empurrar a bola para traz para que a posse de bola seja da sua equipe, após a bola sair da formação os jogadores se soltam e o jogo procede.

Formação de line out: A posse de bola será de uma das equipes, porem como no scrum as duas devem se posicionar para a jogada, estando a cinco metros da linha lateral e deixando um corredor no meio para que a bola seja passada, os três jogadores se posicionaram da seguinte forma, um ficara de costas para quem vai passar a bola, o outro ficara atrás deste, mas de frente para que vai passar a bola e o outro ao meio deles, quando o cobrador passar a bola ele deve passar a bola no meio do corredor para que as duas equipes tenham chance de ganhar a posse e no momento que ele passar a bola, os dois jogadores erguerão o jogador que está no meio e ele disputara a bola com o adversário que também será erguido, a forma de se erguer o jogador é os dois jogadores devem se agachar e pegar com as mãos na frente e atrás dos joelhos e o que está no meio se impulsionar no mesmo momento para que ele ganhe mais altura e possa disputar a posse de bola, independente de quem ganhar a posse, ele passara a bola para trás e o jogo procedera. Outro estudo realizado com a seleção portuguesa mostra que os atletas de Rugby melhores qualificados tem tendência de serem mais fortes e altos, além de possuírem mais força física e menos percentual de gordura, enquanto os que possuem um excesso de gordura maior jogam em times de nível inferior, devido a sua condição física eles perdem velocidade e até a própria força.

O Rugby é um esporte de alta intensidade, muitos contatos físicos durante o jogo, um dos contatos acontece quando o jogador que está com a bola é derrubado por outro jogador, essa ação é chamada de tekcle, ela serve para roubar a bola da equipe adversaria ou paralisar o jogo por alguns segundos para poder se recompor em seu campo e não permitir que a equipe adversaria avance, com os tackles acontecendo durante o jogo, o risco de lesão é grande, tanto no profissional como no amador, as lesões pode ser fraturas, rompimento de ligamentos, luxações entre outras, os atletas mais condicionados tem menos riscos de lesões, mas não estão livres delas, as condições do local também podem ser prejudiciais aos atletas.

Como nos outros esportes, para formar um jogador de Rugby não é fácil, tem toda a periodização até chegar a um nível de atleta profissional. Com base nesse estudo podemos afirmar que as lesões musculares crônicas aparecem ao decorrer do tempo, o micro lesões acontecem em todos os treinos devidos aos contatos, então pode-se dizer que é inevitável um atleta de Rugby não se lesionar, é só questão de tempo, porém, nos dias atuais o investimento na recuperação é grande e dependendo do grau da lesão, o atleta pode retornar cedo às atividades com bola ou vai realizando fortalecimento muscular extracampo.

O Rugby Seven’s e o 15, estão em desenvolvimento no Brasil, passando por enorme crescimento, tanto que a seleção brasileira está melhorando seu nível e participando de mais competições internacionais. Com a inclusão do Rugby nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, a ABR foi transformada em Confederação Brasileira de Rugby (CBRu).

Treinamento de Força

O objetivo de um treino de força é aumentar a quantidade de força que a musculatura possa gerar, quaisquer musculaturas exercitadas regularmente em intensidades próximas ao seu máximo vão se tornar mais fortes (POWERS e HOWLEY, 2000).

Fleck e Kraemer (2006) afirmam que é necessário um programa de treinamento de força individualizado para atender os objetivos de cada pessoa, sendo importante compreender que o melhor pra um indivíduo pode não ser o melhor para outro, as adaptações desejadas, o potencial genético, a idade, o nível de treino, sempre devem ser levados em consideração na hora de programar um treino de força, por isso, pode se dizer que o melhor programa de exercícios, séries, repetições e cargas não existe, tudo deve ser analisado e cada caso é um caso.

As alterações na composição corporal causadas pelo treino de força apresentam em curto prazo pequenos aumentos de massa magra e pequenas diminuições no percentual de gordura. A diminuição do percentual de gordura frequentemente está mais relacionada ao aumento da massa magra do que a uma grande diminuição do peso de gordura, em geral as duas alterações ocorrem juntas resultando em não alteração do peso corporal (FLECK E KRAEMER, 2006)

Alguns fatores podem ser determinantes para o nível de manifestação da força de acordo com Gomes (2009):

  • Hipertrofia muscular: a força máxima depende do número e da espessura dos filamentos musculares, o aumento transversal dos músculos é conhecido como hipertrofia. Dois tipos de hipertrofia podem ser vistos, o sarcoplasmático onde o engrossamento da fibra se verifica na parte não contrátil do músculo, esse tipo de hipertrofia pouco aumenta a capacidade de geração de força, mas é importante para um trabalho de contração muscular mais duradouro, já a hipertrofia miofibrilar que está ligada ao aumento de volume das miofibrilas, leva ao crescimento substancial da força máxima;
  • Composição do tecido muscular: na composição do tecido muscular encontramos dois tipos de fibras musculares, uma de contração lenta e outra de contração rápida, as de contração rápidas podem ser divididas em dois grupos tipo A e tipo B. As fibras lentas (tipo A) são mais adaptadas para ter contrações pequenas em questão de força, porém são mais duradouras. As fibras rápidas (tipo B) são de contração rápida, em geral adaptadas para receber contrações de curta duração com grandes níveis de força ou velocidade. Assim a hipertrofia das fibras lentas leva ao acréscimo de força isométrica e resistência de força, enquanto a hipertrofia das fibras de contração rápida, a ganhos de força e potência;
  • Coordenação neuromuscular: a ordem de ativação de unidades motoras e a quantidade total de unidades motoras ativadas em uma contração muscular são determinadas pelo mecanismo de coordenação intramuscular.
  • Outros fatores que também influenciam no nível de apresentação de força são: manutenção energética e das propriedades elásticas dos músculos, a mobilização psicológica entre outros.

Sobre as formas de manifestação de força Weineck (2005, p. 232) afirma que:

A força, em suas formas de manifestação, pode ser dividida em diferentes tipos, de acordo com o modo de observação: sob o aspecto da parcela de musculatura envolvida, diferenciamos ente força geral e local; sob o aspecto da especificidade da modalidade esportiva, força geral e especial; sob o aspecto do tipo e trabalho do músculo, força dinâmica e estática; sob o aspecto das principais formas de exigências motora envolvida, força máxima, força rápida e resistência de força; sob o aspecto da relação do peso corporal, força absoluta e relativa.

A força pode se manifestar de várias formas, segundo Weineck (2003) ela se divide em força máxima, força rápida e resistência de força, dentro dessas três formas de força ainda aparecem diversas subcategorias, como por exemplo força explosiva, resistência de força máxima, resistência de força rápida, entre outras.

Os esforços musculares são condição necessária para a realização do gesto motor, embora o tipo de manifestação da força possa ser diferente, isso pode ser visto no desporto, onde comparar as formas de apresentação de força durante uma maratona e um levantamento olímpico são diferentes. A força pode ser revelada de diversas formas nos movimentos esportivos, dependendo do valor da carga a ser superada, duração do movimento e velocidade. Então podemos distinguir os seguintes tipos de força, de acordo com Gomes (2009):

  • Força máxima: nível de força capaz de atingir através de uma tensão muscular máxima;
  • Capacidade de velocidade e de força: capacidade de superar a resistência no menor tempo possível. A força explosiva representa as capacidades de velocidade e de força relacionadas.
  • Resistência de força: capacidade de realizar durante tempo prolongado exercícios de força mantendo a devida técnica do movimento.

Segundo Fleck e Kraemer (2006) há vários tipos de treinamento de força, dentre os quais, treinamento isométrico, treinamento excêntrico, treinamento dinâmico com resistência externa constante, treinamento com resistência variável, treinamento isocinético.

As ações musculares voluntárias máximas são um meio muito eficiente de aumentar a força muscular, isso não significa que a carga deve ser o 1RM, mas sim, que a última repetição de uma série provoque a falha muscular concêntrica momentânea. Muitos programas de treinamento utilizam as repetições máximas para garantir o desempenho de ações musculares máximas, isso assegura que os aumentos de força, potência ou resistência muscular localizada desejados aconteçam. O músculo deve contrair contra uma resistência que ele normalmente não encontra para que haja alterações fisiológicas desejadas (FLECK E KRAEMER, 2006).

A periodização no treinamento de força é essencial, a variação planejada no volume e na intensidade do treinamento, na escolha dos exercícios é muito importante para obter os ganhos desejados com o treinamento de força. Outras variações que podem ser utilizadas, são variações do posicionamento de pés, mãos e pegadas, desde que não afetem a segurança e técnica correta de execução do movimento, essas mudanças tendem a produzir um aumento contínuo na força e na hipertrofia muscular. A periodização é necessária para se obter ganhos contínuos na força e potência (AMERICAN COLLEGE OF SPORTES MEDICINE, 2002 APUD FLECK E KRAEMER, 2006)

Weineck (2005) afirma que quanto menos treinado for o indivíduo, mais geral e abrangente deve ser o trabalho, para formar a base para treinamentos mais específicos, cargas mais leves já são suficientes para ter melhora de força. Já atletas treinados devem ter trabalhos mais específicos e diferenciados, devem ser trabalhados principalmente os músculos que participem das ações motoras envolvidas nos movimentos que o atleta utiliza na especificidade da sua modalidade.

O treinamento de força é um elemento muito importante na formação de atletas, devem ser levados em consideração as especificidades das modalidades para escolherem os métodos que mais se adaptam as necessidades de cada esporte e seguir um programa anual, que tem por objetivo o máximo desempenho na época das principais competições, o treinamento de força é ingrediente fundamental na construção da base fisiológica para o alcance do máximo desempenho (BOMPA, 2001).

Treinamento de Força Máxima

A maior parte dos estudos de treinamentos e de programas de treinamentos em atletas usam ações musculares voluntárias máximas em algum momento do treinamento, as quais são realizadas séries até a falha concêntrica com cargas próximas ao RM (FLECK E KRAEMER, 2006).

Segundo Gomes (2009), a metodologia do treinamento de força máxima apresenta duas abordagens, de diferentes mecanismos, uma pelo aperfeiçoamento da coordenação neuromuscular e outra pela hipertrofia muscular. Os aperfeiçoamentos dos mecanismos de coordenação neuromuscular permitem a melhora da força em pouco tempo, já as mudanças de força pela hipertrofia acabam levando um período de tempo maior.

A força máxima aumenta em razão da ativação de um grande número de unidades motoras de contração rápida (CR). Um atleta não precisa desenvolver grandes músculos e um grande peso corporal, necessariamente, para tornar-se significativamente mais forte. Durante o treinamento de força máxima e potência, os atletas devem apreender a sincronizar melhor os músculos envolvidos e a usar cargas que resultem em maior recrutamento das fibras musculares de CR (cargas maiores que 80 a 85%). Usando esses métodos para a fase de força máxima, especialmente o método de carga máxima, os atletas melhorarão a força máxima com ganhos insignificantes em massa muscular (BOMPA, 2001, p. 149).

  • Alguns fatores parecem ser determinantes para o desempenho da força máxima de acordo com Weineck (2005):
  • Nível de força estática: como as duas estão correlacionadas, seus fatores alteram a condição de força máxima;
  • Capacidade coordenativa da musculatura: a coordenação intermuscular, o controle das musculaturas que participam de determinado movimento assim como o controle intramuscular, é muito importante para a melhor execução do movimento e influencia diretamente o grau de desenvolvimento de força;
  • Alongamento prévio do músculo: com o alongamento prévio, além da força ativamente desenvolvida pelos filamentos, ocorre também a força das estruturas musculares elásticas;
  • Velocidade do movimento: com alto peso e velocidade baixa quase todas as unidades motoras podem ser mobilizadas, várias ligações podem ser feitas, o que corresponde a maior capacidade de força, com o aumento da velocidade o número de ligações possíveis diminui e também a capacidade de força desenvolvida;
  • Tipo de desenvolvimento de força: a força dinâmica negativa é maior que a força dinâmica positiva em qualquer velocidade;
  • Grau de fadiga: a força máxima dinâmica positiva cai de forma rápida com o aumento da fadiga.

Relacionado ao grau de fadiga, os exercícios usados para treinamento de força máxima não devem ser executados com fadiga muscular, por causa da ativação máxima do sistema nervoso central (SNC) que fica prejudicada (BOMPA, 2009).

De acordo com Bompa (2009), a melhora da força máxima usando cargas máximas apresenta benefícios como, o aumento da ativação de unidades motoras, aumentando o recrutamento de fibras musculares de contração rápida; eleva os níveis de potência; é muito importante para esportes onde a força relativa é importante; melhora a coordenação e a sincronização entre os grupos musculares.

O método de treino para força máxima não deve ser realizado por indivíduos destreinados. A força máxima apenas se desenvolve quando se cria um máximo de tensão na musculatura e isso só acontece com cargas muito elevadas próximas a 1RM. Cargas acima de 85% de 1RM são necessárias para a solicitação das fibras de contração rápida. O número de repetições por séries vai ser baixo, pois a carga é elevada. O intervalo deve ficar entre três e cinco minutos para ter a recuperação do sistema nervoso central e recinte-se das fontes energéticas de ATP-CP. A velocidade de execução deve ser máxima, mesmo que a carga se movimente de forma lenta, pois é muito elevada, o atleta deve estar concentrado e executando a maior velocidade possível. Os ganhos de hipertrofia através do treinamento de força máxima são secundários, o principal benefício é o ganho de força máxima (BOMPA e CORNACCHIA, 2000)

Onde fazer um Treinamento de Força Máxima?

Um bom lugar para se trabalhar a força máxima é em uma academia, onde se encontram diversos aparelhos de musculação, podem ser executadas séries de exercícios para todos os grupos musculares, mas ainda podem ser encontradas outras opções, estúdios personais, box de crossfit, e também podem ser feitas algumas adaptações o importante é sempre executar os movimentos com cargas máximas e respeitar o tempo de recuperação muscular.

Qual o custo para se fazer um treinamento de força Máxima?

O custo para se realizar um treinamento de força máxima depende de vários fatores, podem ser feitos em academias de terceiros com um custo razoavelmente baixo em média de 100,00 a 150,00 mensal, com acompanhamento personalizado cerca de 80,00 a hora aula, outra possibilidade é o clube ou equipe estar montando uma academia ou um espaço funcional onde seus atletas poderiam realizar o treinamento de força máxima supervisionado pelo preparador físico, o custo pra montar uma academia pode variar muito dependendo da quantidade de aparelhos, dos modelos, marcas.

Como avaliar a Força Máxima?

Segundo Fleck e Kraemer (2006), repetição máxima, ou RM, é o número máximo de repetições que podem ser executadas por séries com a técnica adequada, então, a carga mais elevada que pode ser utilizada em uma repetição completa se denomina uma repetição máxima ou 1RM. O teste de 1RM é muito utilizado atualmente, sendo umas das principais formas de controle da intensidade e também na mensuração da força dinâmica máxima de um indivíduo.

O teste de 1RM pode ser executado em qualquer exercício que o treinador queira acompanhar o incremento de força do atleta após um período de treinamento, normalmente os testes são utilizados em exercícios que envolvem grandes grupos musculares e várias articulações, exercícios como supino e agachamento são muito utilizados para medir a força máxima, exercícios de explosão com os levantamentos e arremessos servem também para medir a potência máxima (FLECK e KRAEMER, 2006).

Independente dos exercícios escolhidos para o teste de 1RM, algumas medidas devem ser levadas em consideração para garantirem a segurança e a precisão do teste. A posição inicial, posicionamento de pés e mãos, posição correta, posição inicial e final dos movimentos devem ser estabelecidas e mantidas durante todo o teste, se estas não forem alcançadas, a repetição não deve contar para 1RM. Todos os indivíduos que forem fazer o teste já devem possuir uma boa técnica do exercício a ser testado, devendo ser praticada em todas as seções de treinamentos e também nos testes, pois além de assegurar um valor real para o teste, ainda tem relação direta com a segurança dos indivíduos que estão realizando os movimentos. O teste de 1RM envolve cargas muito pesadas, então todas as medidas de segurança para que não aconteçam acidentes devem ser tomadas, os exercícios devem ser executados em locais seguros e de preferência com suportes de segurança, que impeçam qualquer tipo de acidente, assistentes devem estar acompanhando o movimento para que, se ocorra a falha concêntrica e o movimento não aconteça, o atleta que está executando possa ser ajudado. O participante que vai executar o teste deve estar descansado e livre de fadiga para que o valor de 1RM seja realmente verdadeiro (FLECK e KRAEMER, 2006).

Conclusão

Todos os atletas em alguma fase do seu treinamento devem estar fazendo o treinamento de força máxima visando aumentar sua força e também melhorar outras capacidades físicas que se relacionam com a força máxima. Os atletas de rugby especialmente necessitam desse tipo de treinamento pois nessa modalidade devida ao intenso contato físico a força se faz muito necessária e pode ser decisiva no placar do jogo e no decorrer das jogadas. O treinamento de força máxima deve seguir algumas normas e só podem ser feitas por indivíduos avançados na musculação,

REFERÊNCIAS

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FLECK, Steven. J.; KRAEMER, W.J. Otimizando o treinamento de força: Programas de periodização não-linear. Barueri SP: Editora Manole Ltda., 2009.

FLECK, Steven. J.; KRAEMER, W.J. Fundamentos do treinamento de força muscular. 3ª edição. Porto Alegre: Editora Artmed, 2006.

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