Um passeio pela Avenida Rio Branco

Acadêmicos do curso de Jornalismo do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA) produziram matérias multimídia, no segundo semestre de 2015, com a proposta de abordar como tema central a Avenida Rio Branco, uma das principais vias de Santa Maria, por onde passam inúmeras pessoas todos os dias. As produções, desenvolvidas por meio de uma colaboração entre a disciplina de Edição em Telejornalismo, Laboratório de Produção Audiovisual (LAPROA) e Laboratório de Jornalismo Multimídia (MULTIJOR), além de alunos voluntários, abordam aspectos históricos e culturais do local.

O primeiro vídeo da série de reportagens sobre a Rio Branco fala da mobilidade e convida para um passeio. Todos os dias, inúmeras pessoas passam por ali, seja indo para casa, para o trabalho, para a escola ou apenas uma caminhada matinal. A rota da maioria dos ônibus da cidade tem como trajeto principal a avenida para chegar ao “Paradão”, onde milhares de pessoas pegam ônibus diariamente.

O segundo vídeo trata da arquitetura da Avenida Rio Branco. Uma arquitetura marcante chama a atenção de quem passa e observa os detalhes nos prédios e casas antigas. Muito presente nos prédios antigos é a arquitetura Art Decó, movimento artístico nascido na Europa na década de 1920. Há prédios tombados na avenida, como o Hugo Taylor, hoje supermercado Carrefour.

O terceiro vídeo da série de reportagens traz a religião como tema. Na avenida Rio Branco, encontra- se Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Imaculada Conceição, inaugurada em 1909. Há também a Diocese Anglicana Sul-Ocidental, que é conhecida como Catedral do Mediador, ou Igreja Anglicana de Santa Maria, inaugurada em 1906.

A série de reportagens continua com o quarto vídeo, abordando as profissões e serviços presentes na avenida Rio Branco. Sapateiro, chaveiro, padeiro, freteiro, pode-se encontrar essas e muitas outras profissões apenas dando uma caminhada e observando o comércio do local. Inúmeros donos de estabelecimentos ali instalados estão há mais de 20 anos no local e observam o crescimento da avenida nos últimos anos.

Briques, brechós, barbearias e armarinhos, são exemplos de estabelecimentos comercias da avenida Rio Branco

O quinto vídeo tem enfoque nos briques e antiquários, que há anos são opção de consumo barato e sustentável.

Maria de Lourdes mostra alguns dos itens oferecidos em seu brechó
José conta como funciona o sistema de compra e venda dos produtos

Para fechar a série, a Gare da Estação Férrea, um dos cartões postais da cidade. Sem o mesmo fluxo de trens, mercadorias e pessoas da década de 1950, quando foi seu auge, hoje o pátio tornou-se um local de disseminação da cultura, palco de diversos eventos culturais, apesar do abandono.

(Texto: Agnes Barriles)

Abaixo, estão os vídeos produzidos pelos acadêmicos, complementados por textos e fotos que ajudam a ampliar a experiência aqui proposta, de um passeio por uma das principais ruas de Santa Maria.

Em 1819, a atual Avenida Rio Branco denominava-se “Rua General Rafael Pinto”. Já a partir de 1876, passou a se chamar “Rua Coronel Valença”. Em 1898, mudou o nome para “Avenida Progresso”, e em 7 de outubro de 1908 passou a se chamar “Avenida Rio Branco”, nome que permanece até os dias atuais, com uma homenagem ao Barão de Rio Branco.

As décadas de 1940 e 1950 representaram o auge do desenvolvimento da cidade. O que conduziu o desenvolvimento de Santa Maria foi a Gare da Estação Férrea, localizada no final da avenida Rio Branco, local de idas e vindas de muitas pessoas que passavam pela cidade. O comércio sempre foi muito forte na avenida Rio Branco, principalmente por ali se encontrar a Gare.

(Reportagem e texto: Agnes Barriles)

Quem passa pela avenida Rio Branco pode observar a bela arquitetura de seus prédios e residências antigas. Eles foram a primeira visão da cidade para os visitantes que desembarcavam na Estação Férrea, na época de ouro da ferrovia.

O que chama atenção é que se trata de uma diversidade de detalhes e estilos arquitetônicos, segundo o Doutor em arquitetura e presidente do Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural de Santa Maria (COMPHIC). Fábio Muller destaca a presença da Art Déco, estilo de caráter decorativo que chegou ao Brasil ao final da década de 1920, logo após seu surgimento na Europa. Suas principais características são as linhas circulares ou retas estilizadas, uso de formas geométricas, influências do construtivismo, futurismo e cubismo e a presença marcante na Arquitetura.

Exemplos do estilo na avenida Rio Branco podem ser observados no prédio da antiga Escola de Artes e Ofícios Hugo Taylor, atual hipermercado Carrefour; no hotel Dom Rafael, localizado ao final da avenida, e um dos primeiros estabelecimentos do gênero na Rio Branco; e o Edifício Mauá, que por muitos anos foi o prédio mais alto de Santa Maria, e apresenta técnicas modernas ao misturar concreto armado e elementos Art Déco.

(Reportagem e texto: Agnes Barriles)

Além da Catedral Metropolitana de Santa Maria, a Avenida Rio Branco conta com um templo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, a Catedral do Mediador. O anglicanismo chegou ao Brasil após a vinda da corte portuguesa ao Rio de Janeiro, cidade onde foi construída a primeira igreja anglicana no país — considerada também a primeira da América Latina. A partir deste momento, foram feitas outras construções. Esses templos deveriam ter a aparência de uma residência comum, sem torres ou sinos. A princípio, os anglicanos residentes no país se reuniam em casas ou em navios ingleses para a realização de seus cultos.

Pinturas no teto feitas por Aldo Locatelli

No Rio Grande do Sul, o anglicanismo chega através de missionários estadunidenses, que estabeleceram as primeiras comunidades brasileiras ligadas à Igreja Protestante Episcopal dos Estados Unidos, que posteriormente passou a ser chamada de Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. Logo depois, foram construídos templos em Santa Maria e Porto Alegre, onde ocorreu o primeiro culto ligado à igreja.

Em 11 de novembro de 1906, foi inaugurada a Catedral do Mediador em Santa Maria. A Casa de Oração foi construída através de uma iniciativa de moradores da região e teve o reverendo Charles Segel como autor do projeto arquitetônico, inspirado no estilo gótico. A Igreja Anglicana foi elevada à Catedral em 1950 e passou por obras internas em 1986 e 1993. Ao completar o seu centenário, a igreja ganhou um momento com o primeiro sino a badalar na torre no dia de sua inauguração. O sino foi importado do EUA de navio e trem. A Catedral ainda possui janelas, vitrais e portas originais da época de sua inauguração.

Fachada da Catedral do Mediador, inaugurada em 1906

Fonte das informações: Monumento do Centenário que se encontra na Catedral do Mediador.

Certamente, ao passar pela avenida Rio Branco você viu diferentes estabelecimentos comerciais, como brechós, armarinhos, ferragens, briques e lojas para concerto de eletrodomésticos. Em tempos de crise econômica, esses tipos de comércio são uma boa alternativa.

A vendedora Marta Oliveira, que trabalha em um armarinho localizado na avenida há onze anos, diz que o movimento na avenida é constante, e cresce a cada dia. “Na loja, o maior público é o feminino, mas na avenida, a cada dia têm mais pessoas”, relatou.

Já Nelson Becker, proprietário de uma barbearia na avenida há 20 anos, conta que tem seu público já estabilizado, mas que se reformula com o tempo, já que “o ponto é em ótima localização, as pessoas frequentam a avenida atrás desses comércios”, completou.

(Reportagem e texto: Guilherme Trucollo)

Consumo consciente ou, também chamado lowsumerism, é um movimento que percorre um trajeto oposto ao consumismo. Se trata da proposta de adquirir somente aquilo que realmente é necessário, sem acúmulo de supérfluos. Dentro deste estilo de consumo alternativo, encontram- se briques, brechós e antiquários — estabelecimentos que oferecem produtos de valores acessíveis, a maioria seminovos, e de boa qualidade.

No Brasil, este movimento surgiu no século XIX no Rio de Janeiro. Naquela época, este tipo de comércio não era visto com bons olhos, já que as pessoas acreditavam que produtos de segunda mão não eram de qualidade. Entretanto, hoje, há um aumento na procura por este tipo de mercado.

Brechó, brique e antiquário: qual a diferença?

Existe uma diferença entre brechós e antiquários. Os antiquários são locais de compra e venda de objetos antigos e raros, enquanto os brechós se constituem na venda e troca de bazar e vestuário. Os briques são as lojas que permitem a negociação de compra, venda, ou troca de produtos, onde se enquadram os antiquários e brechós.

Em Santa Maria, o brechó Renova — localizado na Avenida Rio Branco-, sob administração de Maria de Lourdes Pereira de Moraes, é um exemplo de oferta de mercadorias variadas: sapatos, roupas (masculino e feminino), perfumaria e bazar. Todos os itens passam por avaliação antes de serem compradas ou trocadas, segundo a dona do comércio.

Conforme Maria de Lourdes, que há 40 anos trabalha com vendas e há um ano se estabeleceu na Rio Branco, a procura aumentou a partir do momento em que as pessoas perceberam a possibilidade de obter artigos de boa qualidade e preço baixo. “Aqui temos preços acessíveis, que variam entre R$2 e R$30, variedade de ofertas e qualidade nos produtos”, afirma.

No Antiquário que se localiza na Avenida Rio Branco há 20 anos, José Rigue relata que a influência das novelas de época contribui para suas vendas. A decoração e mobília são os principais motivos da procura pelas peças antigas, mas a busca de objetos raros nestes estabelecimentos também se dá por colecionadores. “As pessoas me oferecem algum produto, então eu o avalio, compro, restauro e ao final deste processo, coloco à venda”, descreve José sobre o funcionamento do sistema de compra e venda em seu antiquário.

Brique da Vila Belga

Há 17 edições, o Brique da Vila Belga reúne expositores de variados gêneros para venda e troca de itens. Em dois domingos de cada mês, das 14h às 19h são montados estandes para atender ao público. Elaine Regina Bastos, conhecida como Mara, idealizadora do projeto junto com Kalu Cunha Flores, conta como o movimento começou: “Em abril deste ano, após uma fase complicada que passei, conversei com Kalu sobre essa ideia e decidimos tentar. Começamos com 16 bancas, somente com expositores da Gare, e hoje o Brique conta com cerca de 300 bancas e oficinas”.

(Reportagem e texto: Paola Saldanha)

Créditos

Roteiro e edição dos vídeos: Turma de Edição em Telejornalismo

Produção dos vídeos: Laboratório de Produção audiovisual (LAPROA)

Fotos: Laboratório de Fotografia e Memória

Edição multimídia: Laboratório de Jornalismo Multimídia (MULTIJOR)

Professores responsáveis: Neli Mombelli, Maurício Dias, Laura Fabrício e Luciana Carvalho

Alunos voluntários: Paola Saldanha, Agnes Barriles, Guilherme Trucollo, Deivid Pazatto, David Laroque.